JOGADOR NÚMERO 1


Ernest CLINE
Editora LEYA
2012
464 págs.

SINOPSE: Cinco estranhos e uma coisa em comum: a caça ao tesouro. Achar as pistas nesta guerra definirá o destino da humanidade. Em um futuro não muito distante, as pessoas abriram mão da vida real para viver em uma plataforma chamada Oasis. Neste mundo distópico, pistas são deixadas pelo criador do programa e quem achá-las herdará toda a sua fortuna. Como a maior parte da humanidade, o jovem Wade Watts escapa de sua miséria em Oasis. Mas ter achado a primeira pista para o tesouro deixou sua vida bastante complicada. De repente, parece que o mundo inteiro acompanha seus passos, e outros competidores se juntam à caçada. Só ele sabe onde encontrar as outras pistas: filmes, séries e músicas de uma época que o mundo era um bom lugar para viver. Para Wade, o que resta é vencer – pois esta é a única chance de sobrevivência.

Mesmo vivendo no ano de 2044, Wade Watts é um garoto como qualquer outro de hoje em dia: viciado em vídeo games. No caso dele, o objeto de sua afeição é o OASIS, um console onde cada pessoa tem um avatar, que pode ter ou não a sua aparência, e participa de um universo de planetas com suas próprias características e funções.

Por exemplo, existem planetas de séries, de jogos, de desenhos ou educacionais, com escolas e universidades. Todos os integrantes são virtuais e é necessário um Tardis (a cabine telefónica que serve de nave do tempo para o Dr. Who), para viajar de um lugar para o outro. Wade é pobre, mora no trailer dos tios e se refugia no OASIS para fugir de seus problemas. Lá ele é popular, tem dinheiro e, dentro do possível, possui as coisas que nunca poderia ter na vida real.

“Na aula de astronomia, visitamos todas as luas de Júpiter. Subimos na superfície vulcânica de Io enquanto nossa professora explicava como a lua havia se formado. Enquanto ela falava, Júpiter crescia atrás dela, preenchendo metade do céu, com seu grande ponto vermelho aparecendo lentamente acima de seu ombro esquerdo.”

Mas tudo muda quando o dono do OASIS, Halliday, morre e não deixa herdeiros. Deixa, sim, um desafio: quem encontrar os cinco ovos de Páscoa (são partes de código que não fazem parte do jogo, mas executam alguma brincadeira), que ele escondeu dentro do OASIS, vira o dono de sua empresa.

Então, a corrida começa, uma vez que qualquer jogador do planeta tem chances de encontrar as pistas para os 5 ovos.

JOGADOR NÚMERO 1 é um livro de extremos opostos. Quem tiver menos de 30 anos, não vai entender ou aproveitar a maioria das referências que o livro faz, uma vez que elas se concentram na cultura pop dos anos 80. Quem tiver mais do que 30 anos, vai amar.

E como essas referências ocorrem?

Nesse ponto, o leitor terá que usar bastante de sua imaginação. Quem faz parte do primeiro grupo, recomendo que tenha um computador ou tablet ao lado para poder pesquisar. Como as pistas estão dentro do OASIS, e este é um mundo virtual, Wade precisa entrar nos episódios de séries e interagir com a ação como se fizesse parte daquela série.

Você lerá sobre os Caça-Fantasmas, Curtindo a Vida Adoidado, Caras e Caretas, Clube dos Cinco, Gatinhas e Gatões, Mulher Nota Mil, Star Wars, O Senhor dos Anéis, Matrix, De Volta para o Futuro, Indiana Jones, Mad Max, jogos do Atari, MegaDrive, entre muitas outras referências.

O final do livro é uma batalha de cultura pop. Você verá desde naves de Star Wars até monstros de Ultraman e Jaspion. Tudo em uma batalha para conseguir o último ovo de Páscoa. E esse é um dos dois pontos falhos do livro. Fica difícil distinguir o que acontece. O leitor acaba se perdendo no meio de tantos personagens e tantas referências que são jogadas a cada parágrafo do último capítulo. Ao invés do clímax, fica a sensação de uma grande dor de cabeça.

O segundo problema, é que o livro não se define com seu público. No início, acontece uma tragédia que mostra a seriedade que tem a busca dos 5 ovos de Páscoa. É uma fortuna que está em jogo. A própria diretoria da empresa não tem interesse que um estranho assuma o comando. Mas essa tragédia é logo esquecida. Fica uma sensação de que algo não ficou bem encaixado. A própria reação de Wade é fria e deslocada.

“Parei de me mover para a frente e o som de cascos também parou, mas apenas segundos depois eu me virei e vi de onde vinha o som. Não era de um cavalo. Era um homem batendo duas metades de coco. Então percebi onde estava. Dentro da primeira cena de Monty Python: em busca do cálice sagrado. Outro filme favorito de Halliday e talvez o melhor filme geek de todos os tempos.”

De qualquer forma, são dois problemas mínimos que não afetam a leitura. Mesmo se você tiver menos de 30 anos (e sei que 90% dos leitores fazem parte desse grupo), recomendo a leitura e a pesquisa paralela. Você vai conhecer um mundo pop que não pode participar. Os anos 80 foram uma máquina de cultura, tanto de filmes, jogos, livros, músicas e séries. Muita coisa de hoje em dia é reciclada dos sucessos dessa época. E a seleção feita por Ernest Cline só faz referência ao que de melhor existia e que deixou muita saudade.


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Carl

Tenho várias paixões: livros, gibis (muitos gibis), filmes, séries e jogos (muitos jogos de PC e consoles), fotografia, natação, praia e qualquer chance de viajar para conhecer novos lugares e pessoas. Lamento o dia ter apenas 24 horas - é muito pouco ;>) -, e não saber desenhar O.O

1 COMENTÁRIOS

  1. Distopia já me traz brilhos nos olhos, coloquei na minha lista de leitura pro ano que vem.

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