E-MAIL


Oi! 

Sei que você deve estar se perguntando: o que havia na minha cabeça quando comecei esse e-mail? 

A resposta é simples: você. 

Sei que é tarde e sei que fui eu quem lhe pediu para ir embora, mas nunca imaginei que você partiria tão facilmente, sem lutar. Ironicamente, ao pedir para partir, desejava que lutasse. 

Por mim. 

Por nós. 

Desejei e deixei escrito nas entrelinhas o quanto não queria que me desse as costas. Esqueci, naquela ocasião, que você nunca foi bom em ler nas entrelinhas, assim como nunca soube interpretar minhas palavras. Já te vi tentar muitas vezes e, depois de muitas falhas, te vi desistir. Eu deveria ter aprendido que você nunca fora um homem muito insistente. 

Não pedirei que volte. 

Mesmo odiando dormir sozinha todas as noites, não lhe pedirei que esqueça nossas falhas e ignore o quão injusto fomos um com o outro. Por um curto período de tempo, nós éramos calmaria, risos e carinhos, mas na maior parte do tempo, éramos tempestade, provocações e copos quebrados. 

A verdade esteve sempre clara: não éramos bons juntos. Foi por isso que fingi ser forte, fiz suas malas e te mandei embora. Você não viu, mas meu coração estava tão destruído e cansado quanto o seu. A única diferença é que eu soube esconder isso. E agora, estou aqui, colocando para fora palavras que talvez você não entenda e que talvez te façam me odiar um pouco mais. 

Eu não te culparia por isso. 

Soube que terminaria com o coração partido no segundo em que você realmente me olhou. Nunca havia te visto olhar realmente alguém. Você as via, mas não as enxergava. Mas abriu uma exceção para mim. Pelo menos por um tempo. Tenho muito para falar, na verdade, mas as palavras soam fracas e sem o significado que eu gostaria que tivesse, portanto não vou prolongar isso por muito mais tempo. 

Lamento que nossa última conversa tenha sido daquela maneira. Lamento ter chorado e tê-lo feito chorar. Lamento os gritos e o coração partido. Mas não lamento o fim. Você merece ser feliz. Ambos merecemos. Infelizmente, não seriamos felizes juntos. 

Fingimos ser na esperança que a mentira tornasse as coisas mais fáceis e reais. Fingimos para não admitir a verdade que tanto nos assombrou. Somos como água e óleo: incompatíveis. Não sou mais assombrada por essa verdade e espero que você também não seja. Passou-se tempo suficiente para que meus cortes cicatrizassem para que eu conseguisse lhe escrever. Sou grata pelo tempo finito que passamos juntos; sou grata por tê-lo amado. 

Quero que saiba que, entre uma tempestade e outra, eu fui feliz contigo. Você fez por mim algo que eu nunca pedi e jamais quis que fizesse. Você me mudou. Tornou a mulher marrenta, de humor negro, em alguém mais amável, mais apaixonada pelas pequenas alegrias que a vida pode proporcionar. Espero que, de alguma forma, você tenha guardado um pouco de mim em sua personalidade, assim como te guardei em mim. 

 Onde quer que esteja seu coração, espero que ele esteja curado e feliz.

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Carl

Tenho várias paixões: livros, gibis (muitos gibis), filmes, séries e jogos (muitos jogos de PC e consoles), fotografia, natação, praia e qualquer chance de viajar para conhecer novos lugares e pessoas. Lamento o dia ter apenas 24 horas - é muito pouco ;>) -, e não saber desenhar O.O

4 COMENTÁRIOS

  1. Nossa Senhora, que texto lindo *-*
    Amei! :D

    Beijos

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  2. Que coisa mais linda, fiquei muito emocionada lendo.

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  3. Eu sou completamente apaixonada por contos e esse ficou perfeito.
    Quem nunca teve vontade de mandar um e-mail dizendo tudo o que sentia, não é mesmo?

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  4. Por algum motivo esse conto me deixou triste... Mas ainda assim amei

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