FUGITIVOS - AMOSTRA GRÁTIS


No momento em que as histórias dos jovens Caio, Fernanda, Jonas, Gabriel e da pequena Bianca se misturam, eles precisam fugir para salvarem suas vidas. Nessa corrida emocionante, iremos descobrir seus sonhos, seus medos, suas tristezas e suas alegrias. Tudo envolto por muito suspense, perigo, romance e reviravoltas surpreendentes.

Abaixo, separei alguns trechos do livro FUGITIVOS. Aproveitem! ;)

Amanhecia quando o ônibus azul e branco da viação Util, que vinha da cidade do Rio de Janeiro, chegou ao terminal da rodoviária de Belo Horizonte e parou em uma das dezesseis plataformas de desembarque, emitindo um som alto de ar sendo liberado pelos freios. Rapidamente, várias pessoas se aglomeraram na espera da descida dos passageiros para a calçada. A porta dianteira foi aberta pelo motorista, e o auxiliar saiu para ajudar no desembarque.

Uma senhora idosa, magra, de olhos pequenos, cabelos brancos e rosto marcado por traços profundos, mantinha-se afastada daqueles que se abraçavam e trocavam novidades, conforme abandonavam o ônibus. Trajava um vestido cinza, muito bem passado, e uma pequena bolsa de tecido, também cinza, formando um conjunto distinto, apesar da informalidade do ambiente. Ela observava, com atenção, cada passageiro que desembarcava. Conforme saíam, ficava mais ansiosa. No momento que viu descer uma mulher obesa carregando uma bolsa de viagem e de mãos dadas com um menino magro, de cabelos muito curtos e negros, rosto e braços cheios de cortes e machucados, com uma mochila nas costas, a senhora idosa sorriu e começou a abrir caminho por entre as pessoas, acenando para eles. Aproximou-se dos dois e, emocionada, segurou a face do menino com ambas as mãos, beijou sua testa e o abraçou apertado.

Ele fechou os olhos e ficou imóvel, de braços caídos, sem devolver o abraço recebido. Fazia nove anos que não via a avó. Apenas falava com ela nas épocas festivas, como Natal, Páscoa ou seu aniversário. Mesmo assim, trocavam poucas palavras. Por esse motivo, o laço de sangue não era suficiente para emocioná-lo pelo reencontro. Abriu os olhos quando ela se afastou e largou o seu rosto.

– Benção, vó – pediu ele.

Ela o fitava com ternura, e ele sentiu uma fatia de remorso por se comportar de forma tão distante.

– Deus te abençoe. Como você cresceu, Caio! Está tão bonito! – anunciou, com sua voz baixa e gasta pela idade. Na sequência, ficou séria, segurou as mãos do neto, como se escondesse uma caixa cheia de preciosidades, e tentou disfarçar a vontade de chorar pelos ferimentos presentes no rosto e braços dele. – Meu filho, me perdoa por não estar ao seu lado na semana passada.

– Não tem necessidade de pedir perdão, vó... sei que, se pudesse, a senhora tinha estado lá... comigo – respondeu, enquanto abaixava a cabeça e olhava para o chão. Sentia-se desconfortável, cansado, com sono e fome.

Aos quinze anos, Caio tinha estatura média em comparação com outros garotos da mesma idade. Os olhos eram pretos como os cabelos, que em contraste com a pele, demasiado clara para quem morava perto da praia, dava-lhe uma aparência misteriosa. O rosto expunha vários cortes contínuos já cicatrizados, mas ainda envoltos pela vermelhidão própria do processo de cura. Eram repetidos nos braços, com a diferença de serem mais extensos e profundos. À volta dos olhos, olheiras escuras denunciavam seu cansaço e uma urgente necessidade de dormir. Vestia uma calça muito usada, começando a rasgar nos joelhos, uma camiseta amarela desbotada, maior do que sua compleição requeria e que escondia um pingente suspenso por um cordão fino de ouro de extremo bom gosto, mais um tênis de sola gasta, bico furado e, a exemplo da camiseta, maior do que o seu número.


Caio não queria se lembrar de seus pais para não chorar. Também não queria pensar no esforço que sua avó fazia para deixá-lo à vontade, ou nas aulas que iriam começar na terça-feira, ou qualquer outro aspecto de sua nova vida. Não queria pensar em nada. Fechou os olhos e concentrou-se nos sons ao redor.

Os jogadores e a torcida gritavam no campo. Alguns carros e ônibus trafegavam nas ruas mais ao longe. Pessoas conversavam em uma das casas, cujos muros davam para o topo do morro onde estava. Jonas chamava alguém pelo nome, insistentemente. Uma sirene tocava ao longe. O vento batia nas folhas e galhos da árvore, fazendo-as dançar e criando um farfalhar suave. Um pássaro começou a chiar logo acima de onde estava.

Caio abriu os olhos e viu um pardal pequeno, de peito branco e asas amarelas, pousado em um galho da árvore. Virava a cabeça de um lado para o outro e pulava pelo galho como que procurando por algo. Caio o seguiu com os olhos. O pássaro passava por entre as folhas com rapidez. Às vezes, ficava oculto por alguma folhagem mais espessa, mas logo surgia em outra ponta do galho, como por magia. Foi indo para a esquerda, até desaparecer atrás de um par de olhos redondos, coloridos com um verde bem claro, de cílios compridos e encobertos, ocasionalmente, por fios de cabelo acobreados empurrados pelo vento. O pequeno nariz, rodeado por sardas, combinava com o rosto fino e apontava para um sorriso de lábios cheios, desenhados caprichosamente e com a parte inferior mais pronunciada. A luz do sol refletia nos fios de cabelo, criando um contorno brilhante e surreal. Caio piscou e tentou interpretar o que via, sem saber se sonhava por ter adormecido.

– Olá! – cumprimentou a menina, em pé, com a voz alegre, olhando por cima de Caio.

Ele se levantou todo apressado, com o coração acelerado, batendo as mãos na calça para tirar as folhas de grama agarradas.

A menina era três dedos mais baixa do que ele. O cabelo comprido, repicado, estava parcialmente preso, tipo rabo de cavalo. Vestia calça jeans, uma camisa xadrez de listras rosa e branca. Calçava tênis Converse All Star, também rosa.

Ele ficou de frente para ela sem conseguir pensar em nada, a não ser que se sentia envergonhado pelos ferimentos no rosto e pelas roupas amarrotadas que usava.

– Caio, está é a Fê... minha irmã – apresentou Jonas, abraçado a ela, com um sorriso traquina.

– Fê, de Fernanda – completou ela.

Quando o viu, a primeira coisa que Fernanda reparou foram os olhos tristes e cansados. Sabia que ele havia perdido os pais há pouco tempo. Sentiu um pesar pelo que ele devia estar sofrendo. Seus cabelos desarrumados, junto com os cortes no rosto e um pequeno arranhão no centro do nariz arrebitado, davam-lhe uma aparência desolada.

Fernanda achou-o mais bonito do que nas fotos que Teresa havia lhe mostrado. Ficou na dúvida se lhe dava os pêsames por causa dos pais ou esperava mais um pouco. Optou pela segunda alternativa, mesmo porque seu coração parecia querer pular do peito.

Caio pensou em estender a mão para cumprimentá-la ou aproximar-se para trocarem um beijo no rosto, mas não teve coragem de fazer a primeira coisa e muito menos a segunda. Desejava reparar nos detalhes do rosto dela, mas não conseguia olhar diretamente. Era como se um sol brilhasse na sua frente.


Quando Jonas e Caio chegaram, também se sentaram no banco, preenchendo todo o espaço. Jonas ficou ao lado de Bianca, e Caio ao lado de Fernanda.

– Quer provar? – perguntou Caio, estendendo o braço com a casquinha.

Ela aceitou e levou o sorvete à boca. Caio não conseguiu desviar o olhar enquanto ela inclinava a cabeça e passava a língua e os lábios nas partes mais derretidas pelo calor. Ela piscava demoradamente quando fazia isso, e nesses intervalos em que ela ficava de olhos fechados, ele tinha vontade de beijá-la.

– Você está babando – disse Jonas, batendo no braço de Caio, sorrindo de forma debochada, com a boca suja de sorvete, reparando em como ele olhava para a irmã.

Caio virou-se para ele com vontade de xingar e depois para Fernanda, tentando se explicar. Ela estava com as sobrancelhas arqueadas, esperando o que ele tinha para dizer. Como não conseguiu pensar em algo, retornou para Jonas com a intenção de se vingar. Deu uma tapinha por baixo da mão dele, que segurava a casquinha, empurrando-a para cima, até que um pouco do sorvete sujou o seu nariz. Jonas arregalou os olhos, surpreso, enquanto Bianca caia na gargalhada. Jonas olhou para a menina e fez a mesma coisa que Caio, também sujando o nariz dela de sorvete. Caio deu um tapa no pescoço de Jonas para vingar Bianca e saiu correndo. Jonas foi atrás, e Bianca atrás de Jonas, ambos segurando o resto de sorvete que tinham. Os três começaram a dar voltas no coreto, um tentando pegar o outro.

– Eles estão se dando bem demais... – observou Fernanda, mudando de posição, colocando as pernas esticadas no banco, onde antes estava Caio, continuando a comer o sorvete.

Quando eles se cansaram e desistiram de se pegar, Jonas voltou para o banco, enquanto Caio levou Bianca até uma bica próxima e limpou o sorvete do nariz e da boca dela com um pouco de água. Depois a levantou até que ficasse na altura do jato de água, para que ela conseguisse beber. Quando estava saciada, ela disse algo para ele e os dois subiram as escadas do coreto, indo até o parapeito para admirar a vista da praça.

Fernanda entregou o resto do sorvete para Gabriel, sem perguntar se ele queria, ou lhe dando chance para recusar, e foi se encontrar com Caio e Bianca. Chegou na hora que a menina fazia uma pergunta para Caio.

– Você pega uma flor para mim? – ela era da altura das grades do parapeito, por isso ficou na ponta dos pés para poder ver melhor enquanto esperava a resposta de Caio.

– Qual você quer? – perguntou ele, olhando Fernanda chegar e ficar ao seu lado, apoiando os braços no parapeito.

– As amarelas são bonitas... E as pequeninas brancas também – disse ela, apontando para as flores dos ipês e para as margaridinhas caídas no chão da praça.

– Quando a gente descer, pego sim.

Caio virou-se e sentou-se no chão com as costas encostadas na grade do parapeito. Fernanda fez o mesmo. Bianca continuou de pé, mas com a mão apoiada no ombro de Caio, que agora estava da sua altura. Caio abriu a mão na direção de Fernanda, ela a segurou, cruzando os dedos e apertando suavemente. O Sol batia no rosto dela, deixando seus olhos mais claros e com uma cor indefinida.

– Como vai? – perguntou Caio.

Ela riu da pergunta inesperada.

– Vou bem... e você?

– Não sei. Sinto que estou meio perdido.

– Mesmo? Por quê?

– Uma menina que conheci me deixou assim.

Novamente ela ficou surpresa. Seu coração acelerou.

– E como ela fez isso?

– Apenas sorrindo.

Fernanda sorriu.

– Viu? Fiquei perdido de novo.

– Bobo!

Ele inclinou a cabeça, até que se encostou no ombro dela.

– Ela também me deixou com medo.

Fernanda tocou em seu rosto e o levantou até que conseguiu ver seus olhos tristes.

– Não precisa.

– Promete?

– Juro.

Bianca sentou ao lado dos dois e puxou a blusa de Caio para chamar sua atenção. Depois que ele se virou, Fernanda soltou a respiração, sem acreditar no que ele havia dito para ela. Sentia vontade de correr, pular e gritar que ele gostava dela.

– Você disse que ia pegar uma flor para mim... – ela o olhou como que implorando.

Caio beijou a testa dela e ficou de pé.

– Esperem por mim lá no banco, junto do Gabriel e do Jonas, que já volto – avisou e saiu correndo do coreto.

Fernanda puxou Bianca pela mão e fez o que ele pediu.

– Onde o Caio foi? – quis saber Jonas.

– Acho que procurar uma flor para Bianca.

– Ele não errou de garota? – perguntou Gabriel, com sarcasmo.

Fernanda mostrou a língua para ele e fez uma careta.

Os quatro ficaram olhando em volta, procurando por Caio. Não conseguiam vê-lo em lugar nenhum, até que, poucos minutos depois, ele apareceu vindo do outro lado da alameda com a frente da blusa dobrada, como uma sacola, carregando alguma coisa dentro e andando depressa. Conforme se aproximava, Fernanda percebeu que ele estava com um sorriso maroto e tomava cuidado para não deixar cair o que carregava na blusa, que, por estar dobrada, deixava seu abdômen à mostra. Quando Caio parou na frente deles, Gabriel espantou-se com os cortes na barriga dele. Pensou em dizer alguma coisa, mas, como os outros não demonstraram interesse, preferiu ficar calado.

Caio ajoelhou-se na frente de Bianca e começou a tirar de dentro da sacola improvisada pequenas margaridas e flores azulinas.

– Ajuda a colocar no cabelo dela? – perguntou ele para Fernanda.

Ela pegou uma flor branca e prendeu em uma das fitas do cabelo de Bianca. Depois pegou uma azul e fez a mesma coisa. Como eram pequenas, pareciam prendedores enfeitando o cabelo. Gabriel juntou-se a eles para ajudar. Jonas sentou no encosto do banco com os pés no assento, segurou o rosto com as mãos, apoiou os braços nos joelhos e ficou observando os três cuidarem da menina. Quando ela já estava com todas as fitas do cabelo com flores, Caio soltou a blusa e deixou cair o restante no chão, menos uma pequena rosa, meio aberta, muito vermelha, com o caule parecendo ter sido cortado às pressas. Entregou-a para Fernanda, ainda ajoelhado. Tentava manter-se firme, mas sua mão tremia, sua garganta estava seca e seus olhos piscavam mais rápido do que o normal. Fernanda ficou imóvel, sem saber se pegava a rosa ou se chorava.

Atrás de Caio, de forma que ele não enxergasse, Gabriel fazia gestos e mexia a boca, em silêncio, dizendo para ela o beijar. Jonas, também em silêncio e ao lado de Gabriel, abraçava seu próprio corpo e mandava beijos para o ar. Fernanda perdeu a concentração e qualquer vontade de chorar. Na verdade, queria mandar uma pedra na cabeça dos dois.

– Nossa... ela... ela é... muito linda – disse gaguejando.

Pegou a rosa e cheirou o seu perfume.

– Obrigada, Caio!

Ele se sentou ao lado dela, admirando-a cheirar a rosa. Ela estava verdadeiramente emocionada. No lado direito dele, Bianca passava as mãos nas flores presas no cabelo, e Gabriel e Jonas o encaravam de forma estranha.

– O que foi? – perguntou Caio.

– Estou com vontade de beijar você – disse Jonas, descendo do banco e abraçando Caio à força, fingindo que queria beijá-lo na boca. – Só um beijinho, vai...

– Sai fora, Jonas!

Caio o empurrava, mas ele não soltava seu pescoço. Fernanda saiu do banco para que eles não esbarrassem na flor. Agora, Caio estava deitado e Jonas em cima dele, ainda tentando beijá-lo. Gabriel colocou as mãos na cintura de Jonas e, com os dedos, fez cócegas até que ele soltou Caio. Jonas ria sem parar.


Jonas não esperou ele repetir. Abriu a porta e pulou para o banco traseiro, com os cobertores no colo. Caio e Fernanda trocaram um olhar, em dúvida, mas acabaram aceitando. Ela foi para o lado de Bianca, que não conseguia esconder a alegria de tê-los por companhia, enquanto Caio ficava ao lado de Fernanda. Jogou a mochila no chão e fechou a porta. Encostou-se no banco, sem conseguir esconder o quanto estava aliviado. Fernanda abriu a mão para que ele a segurasse e olhou agradecida. Não disfarçavam a tristeza que sentiam, que só não era maior porque estavam juntos.

Bianca puxou o braço de Caio e entregou-lhe sua almofada. Ele aceitou, surpreso.

– Fica com o Trigue um pouquinho – pediu a menina.

– Por quê?

– Ele me ajuda a não sentir medo. Quero que ajude você também.

– Obrigado, pequena – disse Caio, colocando a almofada entre ele e Fernanda.

Ela ficou satisfeita, cruzou os braços, as pernas e desviou a atenção para fora da janela. Caio olhou para a mão de Fernanda, segurou e conseguiu sorrir.

Gabriel acelerou a Kombi e seguiu pela avenida do colégio até a entrada da BR 262. Conforme suspeitava, o caminho estava livre, embora o trânsito fosse intenso no sentido contrário à sua faixa, devido às pessoas que voltavam do feriado de Carnaval. Quando entraram na BR 381, a rodovia Fernão Dias, já estava escurecendo. Gabriel olhou pelo retrovisor, estranhando o silêncio que reinava há algum tempo, e não conseguiu deixar de sentir um aperto no coração.

Fernanda estava agarrada ao corpo de Caio, com a cabeça em seu ombro. Jonas, que havia saído do banco traseiro, estava abraçado a Fernanda, com a cabeça apoiada no braço dela. E Bianca estava deitada no banco, encolhida, com as pernas na lateral da Kombi e a cabeça em cima de sua almofada, no colo de Jonas. Os quatro dormiam profundamente. Dentro de uma ou duas horas, faria uma parada para que eles jantassem.

Voltou a prestar atenção na estrada. O caminho era longo, estava escuro e não sabia o que podia encontrar pela frente.


Parou quando ouviu a porta da sala balançar. Olhou e viu um rapaz do outro lado da grade. Ele usava os cabelos com dread compridos, estava com a barba por fazer e tinha tatuagens nos braços. Seu coração pareceu pular para fora do peito. A garganta secou. As mãos tremeram tanto que deixou o pilão cair no chão. As pernas ficaram fracas e pensou que também poderia cair.

Wander sorriu para ela e acenou.

– Abre aqui, Fê – pediu ele.

Ela não respondeu. Tinha dificuldade em encontrar ar para pronunciar qualquer palavra. Lembrou-se de Bianca. Olhou para a porta do quarto. Ela poderia sair a qualquer momento. Não podia deixar que ele a visse.

– Então? – perguntou Wander, subindo os degraus e ficando em pé do outro lado da porta, parecendo um pouco impaciente. – Abre aqui para eu entrar. Quero conversar com você, garota. Qual o problema? O que acha que vou fazer?

Fernanda apoiou a mão na parede e deu dois passos na direção do corredor.

– Abre aqui, piranha! – gritou Wander, empurrando a porta com força. – Que merda! Quer que eu derrube? É mole! Por enquanto tô de boa, mas se tiver que fazer isso, você vai se arrepender!

Fernanda correu e entrou no quarto. Trancou a porta e encostou-se nela. Curvou o corpo. Sua barriga doía por causa do nervosismo. Não sabia o que fazer. Não havia como pedir ajuda para Caio. Para ninguém. Bianca parou de ajeitar as almofadas e olhou assustada para Fernanda, sem entender o motivo da expressão de terror de seu rosto.

As duas deram um pulo quando ouviram algo bater forte na porta da sala.

Silêncio.

Ficaram imóveis, esperando pelo que pareceu ser uma eternidade.

Outra batida, mais forte, seguida do som de metal retorcendo.

Fernanda sentiu seus olhos se encherem de lágrimas. Alcançou Bianca e ajoelhou-se na sua frente. Segurou-a pelos braços. Olhou-a direto nos olhos.

– Bianca... presta muita atenção – pediu, tentando controlar o medo. – Tem um homem que vai entrar aqui no quarto... ele...

Parou de falar quando ouviu mais uma batida.

Barulho de vidro quebrando e caindo no chão.

Precisava ser rápida.

– Você vai se esconder debaixo da cama... – ela piscou e uma lágrima escorreu pelo seu rosto. – Vai ficar quietinha... muito, muito quietinha. É importante, Bianca! Você não pode fazer nenhum barulho, entendeu?

Bianca escondeu o rosto na almofada.

– Esse homem... ele não pode saber que você está aqui, senão vai levar você embora e você nunca mais vai ver o Gabriel. Por isso é importante ficar quietinha... para que ele não descubra que você está no quarto.

Fernanda afastou a almofada do rosto de Bianca.

– Ouviu?

Ela fez que sim e seus olhos se encheram de lágrimas.

As duas tremeram quando ouviram a porta da sala bater de encontro à parede.

Passos pesados pelo corredor.

A fechadura da porta do quarto girou.

Wander empurrou, mas a porta não abriu. Ele começou a chutar, forçando a entrada.

Bianca abraçou o pescoço de Fernanda e começou a chorar.

– Escuta... – pediu Fernanda, sem soltar a menina. – Quando ele entrar... ele vai me machucar... eu vou chorar... vou gritar bem alto para alguém ouvir... mas você não pode sair do seu esconderijo... por favor... não importa quanto ele me machuque... você precisa continuar escondida... promete?

Bianca não respondeu.

A madeira da porta fez um estalo por causa dos chutes de Wander.

– Vai... debaixo da cama... agora! – mandou.

Antes de se esconder, Bianca entregou o tigre para Fernanda. Depois, deitou-se no chão e arrastou-se para debaixo da cama.

Fernanda segurou a almofada com as duas mãos, tremendo. Apertou os lábios para não chorar.

Levantou-se.

A porta cedeu, abriu, bateu com força na parede.

Wander entrou no quarto.

Fernanda soltou o tigre sem perceber. Encarou Wander, tentando não demonstrar o medo que sentia. Decidiu ameaçá-lo.

– Sai daqui, senão vou chamar...

Ela não conseguiu terminar de falar. Wander levou o braço para trás e deu-lhe um tapa no rosto com o dorso da mão. Fernanda girou no ar e caiu de frente. Viu algumas gotas de sangue escorrem de seus lábios para o chão. Sua face latejava e a visão do olho esquerdo ficou turva. Tentou se levantar, mas seus braços fraquejaram e ela voltou a cair.


Bem, esta foi uma pequena amostra do que vai encontrar em FUGITIVOS. Restam poucos exemplares para venda. Apenas R$ 25,00 e já tem o frete nesse preço, para qualquer lugar do Brasil.

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Carlos H. Barros

Tenho várias paixões: livros, gibis (muitos gibis), filmes, séries e jogos (muitos jogos de PC e consoles), fotografia, natação, praia e qualquer chance de viajar para conhecer novos lugares e pessoas. Lamento o dia ter apenas 24 horas - é muito pouco ;>) -, e não saber desenhar O.O

21 COMENTÁRIOS

  1. Oi Carlos! Parabéns pela resenha! Mto legal esse livro, ainda nao consegui ler mas assim que der qro começar, adorei a sinopse! Bjs!

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  2. Gostei da resenha, entretanto, o livro não me interessou muito. Quem sabe mais pra frente eu leia. Beijos!

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  3. Não me interessei pela história que o livro aborda, mas desejo sucesso ao autor! Beijos

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  4. Já tinha lido uma resenha sobre esse livro, e achei bem interessante, porque amo aventuras, quem sabe em breve eu não compre! Valeu Carlos!!

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  5. Que história bacana, gostei da escrita e dá vontade de conferir mais. Não tinha visto muito do livro ainda e achei legal mostrar tanto da narrativa dele.

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  6. Parabéeeens pela resenha Carlos, achei muito legal a história, amo aventuras.. Pensando seriamente em comprar!

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  7. Esse nacional tá bombando no instagram, que bom que pode conhecer um pouco mais sobre ele aqui Carlos. Aventuras são meu tipo favorito de leitura.

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  8. Oi!

    O livro pareceu interessante, mas mesmo assim estou meio receosa de ler. O último nacional que eu resolvi ler me decepcionou bastante...E eu só tinha lido comentários positivos a respeito. Pelo trecho esse parece ser bem escrito, mas ainda não tenho certeza se leria.

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  9. Oi!
    Gostei do livro, já tinha visto ele antes e achando interessante e lendo os trechos já deu para ter uma ideia do que podemos encontrar me deixando curiosa para poder ler !!

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  10. Adorei a Amostra Gratis! Os trechos que tu disponibilizou do livro são bem interessantes e me despertou curiosidade para ler, gostei da tua escrita. Parabéns!

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  11. Amei a amostra grátis!
    Gostei muito da sua escrita!
    Fiquei muito feliz com o seu trabalho!

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  12. Oi Carlos,
    Eu sou muito curiosa pra ler fugitivos, e preciso adiantar essa leitura, gosto muto do estilo da sua escrita e atemática da obra é fabulosa. Você merece o sucesso que tem feito!

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  13. Eu sempre vejo divulgações sobre o livro, mas não tive a oportunidade de ler uma amostra de Fugitivos (até agora).
    Gosto de histórias com aventuras e sabendo que a mesma se passa em um cenário nacional, me deixou bem curiosa em relação a obra.

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  14. Legal o livro, mas não me interessou muito, acho que é porque fiquei meio confusa com essa postagem rsrs... Isso porque ficam pulando algumas partes, e claro, tem momentos que a pessoa consegue perceber que os assuntos mudaram, mas tinha hora em que eu tava lendo uma parte, ai quando ia pra outra, meu pensamento ainda estava no assunto anterior, ai ficava "han? como? e isso aconteceu quando?" kkkkk

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  15. Nossa, o livro me interessou muito! O preço está ótimo, eu fiquei bem interessado. Vou tentar comprar, a capa é linda e a história parece ser muito boa. Abraços, amei a amostra!

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  16. Não consigo entender essas pessoas que não se interessam por Fugitivos, só dou um conselho pra vocês: leiam, não irão se arrepender. A história, a trama, a escrita e os personagens são perfeitos. Não fiquem receosos por alguns nacionais não serem bons, porque esse é otimo ❤
    Queria ter dinheiro pra pra adquirir todos os exemplares e ir distribuindo por ai, pra mostrar pras pessoas essa história maravilhosa.

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  17. Eu tenho esse livro e não vejo a hora de poder ler <3
    Parabéns CARL.

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  18. Já li vários comentários sobre esse livro, mas ainda não tinha me interessado.
    Com essa amostra, o livro além de interessante, traz personagens bem cativantes, pelo jeito.

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  19. Nossa, amei a edição! Só a capa já dá esse climão de suspense maravilhoso, e eu como amante de suspense com certeza espero ler essa obra.

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  20. Uma resenha ótima, mas a história não me interessou muito. Quem sabe algum dia eu leio e não mudo de opinião?

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  21. É um livro MA-RA-VI-LHO-SO! Tenho ele só que nunca li ( por falta de vergonha na cara e por falta de tempo), mas, sou fã dele a mais de um ano já. Amo ele mesmo. Ahhh,deixar claro que não estou puxando saco do Carlos não tá. kkkk

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