APENAS UM GAROTO

 

Bill KONIGSBERG
Editora ARQUEIRO
2016
256 Páginas

SINOPSE: Rafe saiu do armário aos 13 anos e nunca sofreu bullying. Mas está cansado de ser rotulado como o garoto gay, o porta-voz de uma causa. Por isso ele decide entrar numa escola só para meninos em outro estado e manter sua orientação sexual em segredo: não com o objetivo de voltar para o armário e sim para nascer de novo, como uma folha em branco. O plano funciona no início, e ele chega até a fazer parte do grupo dos atletas e do time de futebol. Mas as coisas se complicam quando ele percebe que está se apaixonando por um de seus novos amigos héteros.

Seamus Rafael Goldberg é o menino gay assumido de Boulder, no Colorado. E ele não vê problemas em sua orientação sexual. Sempre se aceitou, não passou por processos difíceis com os familiares, mas, mesmo assim, está cansado de ser o garoto gay para todo mundo da cidade.


Opal e Gavin são, definitivamente, os pais mais incríveis do mundo. Quando Rafe se assumiu no oitavo ano, ambos receberam a noticia com euforia. Coisa que é difícil de imaginar hoje em dia, mas foi assim com Rafe. Sua mãe assumiu o PPAGL (Pais, Parentes e Amigos de Gays e Lésbicas), da cidade, o instruiu a ler livros sobre o tema e fez de sua saída do armário algo importante e sem preconceito.


Mas ser aceito não satisfaz Rafe. Ele tem uma melhor amiga, Claire Olivia, que traz ao livro uma dose de humor. Mas como é ser amigo dos meninos héteros? Como é viver sem rótulos? A ideia central da obra de Bill é questionar o tamanho do influenciamento que os rótulos causam.

E é por uma vida sem rótulos que Rafe convence seus pais a matricularem-no numa escola só para garotos em Massachusetts, do outro lado do estado. Com o intuito de não ser o garoto gay rotulado, Rafe deixa sua antiga vida de aceitação e entra em contradição consigo mesmo, afim de derrubar barreiras construídas ao saberem de sua orientação.

"Tenho que fazer minhas escolhas e aceitar as consequências. Sou livre para cometer meus próprios erros."

Rafe não conta para seus pais, nem para Claire, que decidiu entrar no armário de novo. Já que estaria longe, os mesmos não precisariam saber dos seus objetivos e nem mesmo entenderiam sua causa. E foi o que fez. Ao chegar na escola Natick, faz amigos héteros, entra no time de futebol, senta na mesa com os populares e não é tratado por meio de rótulos.


Seu colega de quarto, Albie, faz parte dos nerd's da escola. E seu melhor amigo, Toby, faz parte das pessoas não amigáveis, por ser autêntico demais e assumido homossexual. Rafe acaba fazendo amizade com os dois, mas também gostava do time de futebol, coisa que Albie e Toby renegam, por saberem o histórico não tão amigável dos mesmos.

Já do outro lado, Rafe tem Ben Carver, um dos jogadores do time que, por perder um antigo amigo, faz os laços de amizade com Rafe mais fortes e resistentes. E é por meio dessas amizades, com dois grupos diferentes, que surge a Gangue da Tortinha de Maçã.


Com o passar dos capítulos, observamos a auto-avaliação de Rafe sobre si mesmo, devido aos textos particulares que mantinha com seu professor de redação. Até que se vê preso novamente em sua orientação sexual.

"A culpa é sobre algo que você faz. A vergonha é sobre quem você é" A culpa, ela explicou, era útil, porque poderíamos aprender a lição e acertar da próxima vez. A vergonha, por outro lado, era inútil. O que eu poderia ganhar pensando que era uma pessoa ruim? Eu não era ruim."

As mentiras viram uma bola de neve, e acontecimentos levam Rafe a se questionar sobre ter entrado no armário de novo. Será que tudo aquilo que havia conquistado era somente por não ter divulgado sua orientação? Ou deixariam ele fazer parte do time de futebol e tomar banho no vestiário com todo mundo mesmo sendo gay? E as amizades deixariam de ser amizade?


APENAS UM GAROTO é um livro que briga com os rótulos levantados pela sociedade e questiona tanto a importância de se ter um tipo, como de não ter. Bill, por meio de palavras, introduz o leitor numa situação realista tão revigorante, que faz você pensar muito sobre o mundo atual. Ninguém precisa ter um tipo para fazer parte da sociedade, basta ser uma pessoa. Sem tipo, sem rótulos, sem orientação exposta.

APENAS UM GAROTO, além de mostrar como o público LGBT pensa, prega humanidade diante de uma sociedade viciada em rótulos.

Você não precisa ser gay, lésbica, bissexual, trans, etc., para ler um livro com temática LGBT. E sabe? Eu vou respeitar muito você, hétero, que ler este livro, não como obrigação, ou um desafio, mas por curiosidade mesmo. Pra você, pelo menos pensar como é viver taxado de rótulos e como é sofrer pelo mesmo.

Bill Konigsberg escreveu duzentas e cinquenta e seis páginas sobre quebras de tabu.


RESENHA ESCRITA PELO LUCAS LUHRAN PARA O GETTUB!

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Carl

Tenho várias paixões: livros, gibis (muitos gibis), filmes, séries e jogos (muitos jogos de PC e consoles), fotografia, natação, praia e qualquer chance de viajar para conhecer novos lugares e pessoas. Lamento o dia ter apenas 24 horas - é muito pouco ;>) -, e não saber desenhar O.O

27 COMENTÁRIOS

  1. Pela sua resenha essa história me parece ser maravilhosa. Imagino que o livro tenha uma leve pegada de drama já que o protagonista irá se apaixonar por um garoto hétero, mas ainda assim me parece ser uma história incrível e espero lê-la em breve.

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  2. OOi! Até hoje eu não li nenhum livro sobre homossexuais, ou lésbicas, apesar de eu ter uma certa curiosidade sobre esses livros, espero poder ler em breve, fiquei curiosa com a história , e é bom ler coisas novas, a sociedade está precisando abrir mais a mente, então acho muito importante livros tratando desse assunto, valeu !!

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  3. Adoro livros sobre este tema e gosto bastante de saber que este tema está se tornando cada vez mais frequente na literatura.
    Este livro já está na minha lista de desejado e assim que eu puder quero conferir.

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  4. Que bela resenha, Luhran. Eu confesso que há um tempo atrás, eu não tinha vontade de ler livros com essa temática. Sabe aquela coisa de "é muito diferente do que eu costumo ler", daí esses livros incríveis e maravilhosos passavam despercebidos por mim. O que era uma pena. Até que um dia li, por acaso e sem saber que era LGBT, um livro da A.S. King, Os Dois Mundos de Astrid Jones. E adivinha só? AMEI. O livro virou um dos meus favoritos e a autora também. Quebrei aquele tabu e a ideia boba de que livros LGBT são só para LGBT. São livros pra todo mundo, isso sim! Eu li Apenas Um Garoto no mês passado e gostei bastante. Ri muito com as aventuras do Rafe, com os pais dele que são hilários kkk e ainda aprendi lições e reflexões que vou levar para o resto da vida. É incrível o poder da literatura, e é mais incrível ainda quando mergulhamos numa história de mente aberta, sem preconceitos, sem rótulos e sem medos. Torço muito para que as pessoas tenham a mesma experiência boa que eu tive.

    Bjs,
    Jess Ferreira

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    1. Jéssica! Li suas palavras com um sorriso enorme no rosto! Sinto uma alegria enorme por você quebrar um tabu ao ler um livro com temática LGBT. Muitas pessoas ainda pensam como você pensava, e é por experiências como a sua, que vemos o resultado da literatura na vida das pessoas. Obrigado por me fazer sorrir hoje <3 Sim! Os pais deles são hilários.

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  5. confesso que nunca li um livro com essa temática , é muito importante esse livro para entendermos melhor sobre esse universo . gostei do livro brigar contra rótulos que muitas vezes são impostos pela sociedade . o melhor parte da resenha foi o final , parabéns ao autor

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  6. Oi.
    Adorei a resenha, mesmo porque ainda não li esse livro, mas já estava na minha lista. E saber mais sobre a história, me deixou mais ansiosa pela leitura! Para ser sincera, não li nenhum livro com esse tema, mas por falta de oportunidade, pois tenho vários deles na minha lista de desejados e quero muito ler. Assim como também gosto de filmes. Fora preconceito, a vida é muito curta para manter esses sentimentos. E ao mesmo tempo, a vida é tão bela e deve ser vivida da melhor forma que pudermos, independente das outras pessoas gostarem ou não. Obrigada pela dica. Beijos.

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  7. Oi Luhran.
    Eu gosto bastante de livros que abordam questões diferentes. Eu li "Eu te darei o sol", no qual fala sobre o Noah e June, que são irmãos. Com Noah vemos acompanhamos a sua decisão de sair do armário, entre outras coisas.
    Quero muito ler Apenas um garoto! A família de Rafe parece ser ótima, apoiando-o desde o início. Infelizmente é muito difícil a família apoiar logo de cara a orientação sexual diferente do que eles e a sociedade consideram "normal".

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  8. Oii Luhran!
    Excelente sua resenha, parabéns! Esse livro está uma fofura! Estou louca pra ler e conhecer mais de perto essa história que pelo que venho lendo está mto boa! Infelizmente existem ainda família que não apoiam qdo o assunto é abordado dentro da própria casa...Espero q isso um dia mude e possamos flar abertamente d qqr assunto sem preconceito...
    Parabéns mais uma vez!
    Bjs!!

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  9. Olá!
    Adorei a temática do livro, acredito que falar sobre homossexualidade sem preconceito é extremamente necessário. Sua resenha está incrível.

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  10. Achei bem interessante a temática do livro e leria ele sim.
    Apesar de não curtir muito esse gênero, daria uma chance a obra.
    Parece ser uma história envolvente, com uma questão bastante realista.
    Quem sabe num futuro próximo eu tenha a oportunidade de ler?
    Parabéns pela resenha e obrigada pela dica.
    Beijos,
    Caroline Garcia

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  11. Achei o livro bem interessante, ainda não li nenhum livro sobre essa temática mas é um assunto muito importante, nessa sociedade em que vivemos que é extremamente viciada em rótulos é bem interessante e muito necessário para pelo menos passar empatia e as pessoas aprendam a respeitar as diferenças.

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  12. Resenha simplesmente maravilinda! Super ansiosa para ler este livro, apesar de não ser o meu gênero fiquei mais curiosa depois da sua resenha.
    Parabéns!!
    Bjs

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  13. Muitas pessoas costumam ter ainda o tabu de não não ler esses livros pelo simples fato deles conterem algo diferente do que o próprio lê, mais eu fico muito feliz quando as pessoas elas entendem que as diferenças são muito importantes para o nosso mundo, porque se todo mundo fosse igual nos não conseguiríamos aprender com o próprio, o que consequentemente não nos tornaria melhores. A resenha está maravilhosa, e o livro parece ser super interessante, já havia visto a capa antes mas nunca havia ouvido falar, esse é um dos livros que vai para minha lista de desejados

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  14. Muitas pessoas costumam ter ainda o tabu de não não ler esses livros pelo simples fato deles conterem algo diferente do que o próprio lê, mais eu fico muito feliz quando as pessoas elas entendem que as diferenças são muito importantes para o nosso mundo, porque se todo mundo fosse igual nos não conseguiríamos aprender com o próprio, o que consequentemente não nos tornaria melhores. A resenha está maravilhosa, e o livro parece ser super interessante, já havia visto a capa antes mas nunca havia ouvido falar, esse é um dos livros que vai para minha lista de desejados

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  15. Gostei muito da resenha. Achei bem interessante o fato de personagem querer ver o outro lado, ou seja, querer entrar no armário. Não li nada ainda desse gênero, mas quero ler.E acredito que todos deveriam ler... preconceito não está com nada.
    Um beijo
    Paulinha S

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  16. Oi Luhran, eu leio de tudo, e achei essa resenha maravilhosa. Gostei da maneira tão profunda com que o livro questiona os padrões que nós mesmos nos colocamos. è muito fácil ficar com raiva dos julgamentos alheios, porque não temos domínio sobre eles, mas esse livro fala de julgamentos sobre nós mesmos. Isso faz a diferença, quando tudo o que lutamos, dizemos e acreditamos entram em conflito dentro de nós. Isso é muito louco. Concordo com você sobre lermos sem preconceitos, sem falsos moralismos e ainda lermos esse livro sem ficar "na modinha". Gosto de opiniões como a sua, sinceras, despidas de falso levante de bandeiras às causas A, B ou C. O ser humano é pleno em todas as suas vertentes. Amei amei amei! E que venham mais e mais não apenas um garoto, mas que venham mais pessoas como você! bjos!

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  17. A sua é a primeira resenha positiva desse livro que leio. Confesso que fiquei interessado na obra, devido ao tema polêmico e a edição linda da Arqueiro, mas desanimei porque li algumas resenhas que falaram que a autor tratou tudo com muita superficialidade, sem aprofundar os sentimentos do protagonista. E também falaram de passagens que parecem fugir demais da realidade e forçar a barra para que a vida dele seja mais fácil. Não sei, quero ler, mas fico com um pé atrás sabe. Acho que só conferindo pra ter minhas próprias visões.

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  18. É a primeira vez que leio uma resenha desse livro e já quero muito, achei ele com uma temática super diferente sem aquele drama clichê sobre "sair do armário" e muito interessante, essa coisa da quebra de rótulos, também acho que é um livro pra todos os públicos, um livro para PESSOAS e não para héteros, bissexuais nem homossexuais, só passa pessoas. Já adicionei na minha lista e adorei a resenha.

    Ana Carolina
    https://leitureira-filmeserie.blogspot.com.br/

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  19. Oi :)
    Nunca tinha ouvido falar desse livro, o que é uma pena pois parece ser muito bom. Também nunca li um livro que o foco dele é sobre LGBT mas sempre tive curiosidade de ler algo assim. Adorei a estória do livro e já gosto muito dos pais do Rafe, porque todos os país não são assim né?! To com muita vontade de ler esse livro e tenho certeza que vou amá-lo.
    Beijos.

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  20. Oi tudo bem..
    Tenho lido muitos bons comentarios e resenha sobre esse livro e fiquei muito curiosa ,acho bobagem das pessoas acharem que ate mesmo livro e pra um determinado tipo de pessoa,pra mim se o livro for ,eu gostar da capa,sinopse eu embarco e é assim tb na vida com as pessoas que me rodeiam ,se eu gostar,me fizer bem pode ser o que for,pra mim é simplesmente um ser humano que vai fazer parte da minha vida.
    Adorei a resenha.
    um abraço e muito sucesso :)

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  21. Que fotos maravilhosas
    Nunca li livros com essa temática, mas acho super necessários e por isso logo me interessei pelo lançamento, achei bacana o autor explorar isso de rotular as pessoas, o que é muito errado mas acontece com frequência em nossa sociedade, não li o livro mas na minha opinião acho que o autor deveria colocar conflitos familiares também, para ter uma história mais real

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  22. Amei a resenha, esse livro me conquistou desde que lançou, gosto dessa quebra de rótulos impostos pela própria sociedade, a resenha só veio como uma confirmação que essa temática precisa ser explorada na literatura, contudo acho que faltou a parte dos conflitos familiares e a falta de preconceito que a sociedade exerce logo em que o personagem sai do armário, pois sabemos que nem tudo são flores na realidade infelizmente.

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  23. Amei sua resenha Luhran. Apenas um Garoto ja esta na minha estante de futuras leituras a um bom tempo,mas vou sempre adiando e colocando outros em prioridade com aquele pensamento de "não é meu gênero preferido,leio quando estiver no clima" e esse clima nunca tinha chegado. Pelo menos ate eu ler sua resenha :) .

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  24. Apesar de ainda não ter lido nenhum do tipo, gosto muito de livros que têm como tema os diversos preconceitos que existem. Livros como esses combatem rótulos e padrões impostos pela sociedade. É interessante estar na pele do protagonista e saber como ele se sente, acho que isso nos faz compreender melhor os outros. Ah, e as fotos ficaram lindas =)!

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  25. Oi!
    Achei esse livro diferente e a proposta do autor de discutir sobre os rótulos bem interessante, trazendo um olhar diferente ao livro e achei bem legal como os pais do Rafe o abraçam e o aceita, me deixando curiosa para poder ler esse livro !!

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  26. Esse livro pulou toda a lista e ficou em primeiro lugar, assim q terminar minha leitura atual, esse é o próximo.

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