A BELA E A FERA - PARTE 1 DE 6


Inspirados pela nova versão cinematográfica de A BELA E A FERA, resolvemos criar um pequeno conto, dividido em SEIS partes, narrando como seria a fábula na nossa realidade, nos dias de hoje, com pessoas normais, sem magia, mas com a mesma intensidade do amor. Espero que apreciem!

PARTE 1

Era uma vez, uma família que sofreu um grande perda. Não se sabe como, mas todos, com exceção do filho mais novo, morreram. A criança cresceu sob os cuidados de um tutor e de uma babá até atingir a maioridade, quando passou a gerenciar os negócios do pai. Talvez devido à perda, ou à solidão, ou à algum outro fator desconhecido, o menino, agora homem, tornou-se recluso em sua mansão, de onde saía raras vezes. As poucas vezes em que foi visto, ele usava uma barba de fios de cor marrom, iguais aos seus cabelos compridos, que ocultavam praticamente todo o rosto. Era alto, físico forte, vestia sempre um sobretudo e usava um chapéu. Não se conhecia sua voz. Mas se conhecia sua avidez e severidade no gerenciamento de seus negócios, o que ocasionou um apelido, reconhecido por alguns como um reflexo de seu dono: Fera.

No mesmo bairro onde ficava a mansão, morava uma outra família. Um viúvo recente, pai de uma jovem de dezoito anos, Isabela, ou Bela, como era mais conhecida. Dono de um supermercado, após a perda da esposa, o homem se deixou abater e, aos poucos, seu estado de espírito refletiu nos seus negócios, precipitando para a falência. Sua única alegria, sua única razão de continuar vivo, era a filha, que o ajudava nos negócios e sempre o olhava com um sorriso, o mesmo sorrido da esposa perdida.

Em uma noite chuvosa, a caminho de casa, o pneu do carro do pai de Bela furou, e ele teve que parar para trocar. O fato ocorreu bem na frente da suntuosa mansão do órfão recluso. O pai de Bela pensou em pedir abrigo até a chuva passar, mas mudou de ideia quando reparou que apenas as luzes dos postes do jardim estavam acesas, as da mansão, todas apagadas.

O imenso jardim da parte da frente, separado da rua por um muro alto e portões de ferro, possuía uma vasta gama de flores, todos lindas e bem cuidadas. Mas o ramalhete que chamava mais atenção, era o de rosas. Muito vermelhas, como sangue, de pétalas enormes e cheias de vida.

A chuva cessou pouco antes do pai de Bela terminar de trocar o pneu. Já conformado por estar todo molhado, antes de entrar no carro e ir embora, ele não se conteve e aproximou-se do portão para admirar aquelas flores. Para seu espanto, descobriu que o portão não estava fechado, mas apenas encostado. Num impulso, ele abriu e entrou no jardim. Começou a caminha pelo meio dos arbustos, até chegar no centro, onde ficavam as rosas. Lembrou-se da filha. Bela, com certeza, ficaria feliz se ele levasse uma daquelas rosas para ela. Esticou a mão, segurou o caule com os dedos, cuidadosamente, por causa dos compridos espinhos, dobrou até quebrar e pegou a rosa.

Nesse momento, ele ouviu passos sobre o gramado, bem atrás de suas costas. Virou-se assustado, e deparou-se com um homem alto, forte, rosto escondido por cabelos e barba, o dono da mansão.

Naquela mesma noite, mais tarde, Bela recebeu um telefonema da polícia, informando que seu pai havia sido preso por invadir a mansão e tentar roubar uma das rosas premiadas do jardim. Como havia sido preso em flagrante, ele precisaria de um advogado para defendê-lo e pleitear ao juiz uma fiança. Para ambos os casos, eles não tinha dinheiro.

Desesperada e com muita raiva, afinal era apenas uma rosa, no dia seguinte, Bela foi até os portões da mansão e tocou repetidamente no interfone. Queria ouvir da boca do dono, o motivo de tanto alarde, a ponto de colocar seu pai na cadeia. Após minutos de insistência, ela ouviu o som elétrico de uma tranca, e o portão abriu mecanicamente, dando livre passagem pela estrada de cascalho até a porta da mansão, que foi aberta pela sombra de alguém muito alto, que logo desapareceu dentro da escuridão da mansão. Bela respirou fundo, percorreu o caminho e entrou.

CONTINUA SEMANA QUE VEM...

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Carl

Tenho várias paixões: livros, gibis (muitos gibis), filmes, séries e jogos (muitos jogos de PC e consoles), fotografia, natação, praia e qualquer chance de viajar para conhecer novos lugares e pessoas. Lamento o dia ter apenas 24 horas - é muito pouco ;>) -, e não saber desenhar O.O

12 COMENTÁRIOS

  1. Ahhh não, como assim só semana que vem? :'(
    Eu tava dando uma olhada na minha lista de leitura do blogger e o título me chamou a atenção imediatamente (Yes, eis aqui uma fã do conto A Bela e a Fera e estou ansiosa para o novo filme!). Quando vi a explicação de algo contemporâneo e sem magia logo fiquei pensando como seria a dinâmica pai - fera - bela indo para a casa da fera... Arrasou! Gostei muito mesmo e vou estar aqui semana que vem.

    Até lá.

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  2. AMO A Bela e a Fera, tenho várias edições, uma mais linda que a outra e quanto ao conto, A-D-O-R-E-I, só não gostei que vou ter que esperar mais cinco semanas para ler ele inteiro, quando vi que é um conto sem magias, a primeira coisa que pensei é como vão ser os objetos da mansão, porque eles são meus amorezinhos, e como seria a explicação para a Fera ser a Fera, mas amei, achei bem criativa e uma ótima ideia de releitura.
    Bjs!

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  3. Como assim você escreve esse texto e termina ele dessa forma? O que vai acontecer com a Bela quando depois que ela entrou? Eu não vou aguentar até semana que vem Carl!
    Adorei a ideia de fazer um conto com base nos dias de hoje.
    Beijos
    [SORTEIO] Aniversário de 1 Ano: Livro - Perdida
    Quanto Mais Livros Melhor

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  4. Carl!
    O conto de fadas que mais amo é a Bela e a Fera.
    Gostei demais das adaptações contemporâneas que fez nessa introdução e estarei no aguardo da continuação na próxima semana e bem curiosa por saber como será o encontro de Bela com a Fera.
    Desejo um ótimo final de semana!
    “Um saber múltiplo não ensina a sabedoria.” (Heráclito)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    TOP Comentarista de FEVEREIRO, livros + KIT DE MATERIAL ESCOLAR e 3 ganhadores, participem!

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  5. Ahh, não acredito, continua pelo amor de Deus, como você termina o texto dessa forma ??? justo nesse momento ?? estou adorando, e estou muito curiosa pra saber como a bela vai se sair nessa situação, e ainda mais no dia de hoje, e pelo jeito com um homem arrogante como esse, que colocou o pai dela na cadeia por causa de uma Rosa !!!! eu amo o conto da Bela e A Fera, e pleo jeito vou adorar esse mesmo que não tenha magia .

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  6. Amei a ideia Carl!!!
    Amo esse conto e espero ansiosamente o primeiro encontro com a Fera S2

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  7. Carl que lindo!!
    Não faz issso não corre aki pra contar mais!!!
    rsrs
    Bjs

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  8. Gostei do conto, acho interessante poder fazer mais alguma coisa a respeito dessa obra que tanto tem agregado fãs, mas eu especificamente sou muito resistente à releituras de contos de fadas, mesmo que sejam bem parecidos ou completamente diferentes das originais eu simplesmente não consigo gostar!

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  9. Adoro essa história e a ideia do conto ficou bem legal. Às vezes a gente acaba pensando em como algumas daquelas histórias de infância seriam nos tempos modernos..
    Mas caramba, isso lá é jeito de terminar!?! Agora que a coisa ficava interessante! xD
    Quero ver o que vai acontecer no próximo.

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  10. eu adoro essa história!!!
    e essa versão está super legal!
    um rico recluso, dono de supermercado
    amei sua versão!

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  11. Eu amooo A Bela e a Fera, e amo toda história relacionada ao conto. Amei sua história, mas como assim você termina desse jeito?? hahaha
    Já estou ansiosa pela próxima parte.

    Beijos!

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  12. Primeiramente que ideia maravilhosa, amei, e gente amei a parte 1 do conto, preciso saber o que vai acontecer em seguida, gostei da nossa Fera ter cabelos longos e a barba grande, curiosa para saber como vai se desenrolar as outras partes.
    Beijos *-*

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