A BELA E A FERA - PARTE 2 DE 6


Prontos para a segunda parte do conto de A BELA E A FERA nos tempos de hoje? Leiam! Leiam!

Leia a PARTE 1

PARTE 2

Assim que Bela passou pela porta de entrada da mansão, parou e ficou espantada com o tamanho e a riqueza da sala de recepção. Ela nunca havia visto móveis tão finos, quadros tão belos, lustres mais brilhantes, tapetes mais felpudos ou pisos que refletissem como espelhos. Ao contrário do que imaginou, o lugar não era assustador, mas, sim, lindo, apesar de vazio e um pouco escuro, uma vez que a maioria das luzes estavam apagadas. Ela olhou ao redor, procurando pelo homem assustador que mandou prender seu pai, mas não o encontrou.

– Olá! – gritou, Bela.

Ela ouviu apenas o eco. Deu alguns passos, e tentou novamente.

– Olá! Tem alguém aí? – Desta vez, ela ouviu murmúrios ao longe. Distantes demais para conseguir compreender.

Bela suspirou, já um pouco impaciente, e andou a passos largos até o meio da recepção, perto da escada que levava ao andar superior. Foi quando olhou para cima, para a bancada, que viu o contorno de alguém alto e forte. Ele estava oculto pelas sombras, por isso não era possível ver seu rosto, apenas parte de seu tórax, que a luz iluminava.

– Você é o dono deste lugar? – perguntou, Bela, colocando a mão no corrimão e o pé no primeiro degrau, pronta para subir.

– Fique aí onde está – disse o homem.

Bela parou no mesmo instante. A voz dele era forte, um pouco rouca, pausada. Ou cautelosa. Mas era decidida. Ela obedeceu e parou de subir.

– Foi você quem mandou prender meu pai? – ela perguntou, inclinando-se um pouco para o lado, tentando ver o rosto de seu interlocutor.

– Seu pai é o ladrão de rosas? – perguntou, ele, de forma provocadora.

– Meu pai não é ladrão de nada!

Irritada, Bela resolveu subir as escadas e confrontar aquele homem, olhando em seus olhos, para que ele soubesse que ela não tinha medo de pessoas que se escondiam atrás de sombras, ou de posturas teatrais.

– Eu mandei você ficar aí embaixo! – disse ele, quase gritando, de forma ameaçadora.

Bela parou novamente. Aquele tom de voz foi suficiente para que ela compreendesse que não adiantaria enfrentá-lo dessa forma. Na verdade, temeu por seu pai. Não seria de nenhuma ajuda se brigasse com o dono da mansão.

– Meu pai só pegou sua rosa para me dar de presente. Acha mesmo que meu pai merece estar na cadeia por pegar apenas uma rosa de um jardim lotado de flores?

– Se ele tivesse pegado qualquer uma das outras flores, não haveria problema. Mas as rosas... elas são especiais, elas têm um significado para mim. Cada uma delas.

– Você tem dezenas lá fora. Dezenas! Que falta faz apenas uma?

– Você é órfã de mãe, não é?

A pergunta deixou Bela surpresa. Como ele sabia da morte de sua mãe, anos antes, devido a uma doença que a levou em poucas semanas?

– Você tem dezenas de memórias de sua mãe. Dezenas! Se alguém roubasse uma delas, você sentiria falta? – perguntou, ele.

– Eu...

– Eu retiro a queixa, para que seu pai saia da cadeia, mas exijo algo em troca.

– O quê?

– Que você trabalhe para mim, nesta casa, junto com meus outros empregados, até que a dívida de seu pai seja paga.

Bela se encostou na parede, sentindo ódio por aquele homem arrogante.

– Qual o valor dessa sua rosa? Por quanto tempo teria que trabalhar?

– Qual o valor da liberdade de seu pai? Por quanto tempo você aceitaria trabalhar para mim?

– Meu pai é tudo para mim. A liberdade dele não tem valor. Eu trabalho para você, até que uma nova rosa nasça e cresça no lugar da que ele pegou.

Ele saiu das sombras, andou até o topo da escada e olhou para baixo, na direção de Bela. Ela desceu alguns degraus, assustada. Ele usava um terno preto de passeio, sem gravata, amarrotado, velho. A camisa branca, para fora das calças, estava igualmente amarrotada. Sua barba era longa, e seus cabelos compridos, abaixo dos ombros, despenteados, escondendo o pouco do rosto que seria possível ver.

– Vá para sua casa. Quando chegar lá, seu pai já estará solto. Espero você amanhã, bem cedo. Ficará aqui, sem sair, até que a nova rosa desabroche.

Dizendo isso, ele voltou para as sombras e desapareceu.

No mesmo instante, Bela ouviu, novamente, várias vozes murmurando. Desta vez, conseguiu perceber que elas discutiam sobre algo. Conseguiu perceber uma das palavras que pronunciavam. Palavras, não. Um nome. Bela.

Chorando, ela saiu correndo da mansão.

CONTINUA SEMANA QUE VEM...

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Carl

Tenho várias paixões: livros, gibis (muitos gibis), filmes, séries e jogos (muitos jogos de PC e consoles), fotografia, natação, praia e qualquer chance de viajar para conhecer novos lugares e pessoas. Lamento o dia ter apenas 24 horas - é muito pouco ;>) -, e não saber desenhar O.O

9 COMENTÁRIOS

  1. Até que enfim essa continuação! *0*
    Adorei a primeira parte e essa está tão....ah não sei, me lembrou demais a sensação do conto de fadas, aquele mistério pela "Fera" e a arrogância dele, a injustiça do que ele ordena que ela faça pelo pai...ficou bem legal essa parte do conto.
    Gostei também dessa sacada com ela ser órfã de mãe e a comparação das rosas. Foi bem interessante.
    Quero só ver o que vem em seguida ^-^

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  2. Estava ansiosa pela continuação *_*
    Gostei demais do conto e quero mais do Fera S2

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  3. meu Deeus, cara que continuação foi essa, eu quero mais kkkkk <3 adorei, adorei, você manda muito bem!! fiquei super curiosa pra saber oq vai acontecer, e como vai ser essa convivencia com a fera !

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  4. adorei!!!!
    gente essa "releitura" do conto está ótima!
    sem falar na comparação das memórias com as rosas e o quão importante só uma é
    quero continuação!!

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  5. Carl!
    Bela é bem destemida, hein? E não se deixa intimidar.
    A descrição da casa ficou perfeita, deu para imaginar direitinho tudo por dentro da mansão.
    Continuo curiosa por saber porque a tal rosa é tão importante...
    “O saber é saber que nada se sabe. Este é a definição do verdadeiro conhecimento.” (Confúcio)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    TOP Comentarista de FEVEREIRO, livros + KIT DE MATERIAL ESCOLAR e 3 ganhadores, participem!

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  6. Aaaaaaaiiiin q lindooo!
    Não via a hora de ler a continuação!
    Qroooo mais!
    Bjs

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  7. Carl como já falei anteriormente tenho um sério problema com adaptações de contos de fadas, mas confesso que estou gostando sim do seu conto, aliás dessa contagem aos pedaços. E até que está bem fielzinho à história como me lembro! Você bem que poderia fazer de outros contos. hihih

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  8. Ahhhh eu quero mais hahaha, estou gostando muito dessa versão, curiosa para saber como vai se desenrolar a historia, e quero só ver como sera a relação dela com os empregados e com a Fera.
    Beijos *-*

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  9. Eu estou adorando o conto, sou apaixonada pela história da Bela e a Fera *-*
    Já estou ansiosa pela continuação :)

    Beijos!

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