MEMÓRIAS DE UMA GUEIXA

SINOPSE: Olhos cinza-azulados. Muita água em sua personalidade, é o que diz a tradição japonesa. A água que sempre encontra fendas onde se infiltrar, cujo destino não pode ser detido. Assim é Sayuri, uma das gueixas mais famosas de Gion, o principal distrito dessa arte milenar em Kioto. Com um olhar, ela é capaz de seduzir. Com uma dança, ela deixa os homens a seus pés. O que ninguém sabe é que, por trás da gueixa de sucesso, há um passado de perdas e desilusões de uma mulher que, desde o dia em que o pai a vendeu como escrava, fez cada uma de suas escolhas motivada pelo amor ao único homem que lhe estendeu a mão. Neste livro acompanhamos sua transformação enquanto ela deixa para trás a infância no vilarejo pobre e aprende a rigorosa arte de ser uma gueixa: dança e música, quimonos e maquiagens; como servir o chá de modo a revelar apenas um vislumbre da parte interna do pulso; como sobreviver num mundo onde o que conta são as aparências, onde a virgindade de uma menina é leiloada, onde o amor é considerado uma ilusão. Já idosa, vivendo nos Estados Unidos, ela narra suas memórias com a sabedoria de quem teve uma vida longa e o lirismo de quem soube encontrar nela seu lado mais doce. Neste relato único, que reúne romance, erotismo e, muitas vezes, a dura realidade, Arthur Golden desenvolve uma escrita refinada e dá voz a uma personagem instigante e humana que conquistou milhões de leitores em todo o mundo - Arthur GOLDEN - Editora ARQUEIRO - 2015 - 448 páginas.

MEMÓRIAS DE UMA GUEIXA é narrado em primeira pessoa pela bela e incomum Chiyo Sakamoto, que retrata toda a sua vida, até o momento em que se torna uma das gueixas mais admiradas do Japão no século passado.


Logo no início da obra, há um prólogo chamado Nota do Tradutor, onde Chiyo autoriza o tradutor a transcrever para o papel todo o seu relato.

Tudo começa com Chiyo apresentando sua família e a localidade onde mora: Yoroido. De cara, percebe-se que é uma família simples de pescadores, tendo uma filha muito curiosa, de olhos incomuns. Chiyo tem olhos azuis cinzentos, que herdou da sua mãe. Diziam que elas duas possuíam muita água em suas personalidades, que vazaram para os seus olhos e diluíram a cor castanha, costumeira dos olhos asiáticos.


Quando Chiyo tem 7 anos, a mãe fica doente e não se recupera mais, mas a menina acredita fielmente que ela haverá de se recuperar, é uma inocência infantil tocante demais, que o próprio leitor é guiado a acreditar, também, que ela possa se recuperar.

Em uma ocasião, após cair e desmaiar durante uma tempestade, Chiyo é socorrida, e é quando conhece Tanaka Ichiro. Tal personagem é o homem que traz mudanças boas e negativas para a vida de Chiyo. É ele quem convence o pai de nossa protagonista a mandá-la para outro lugar, juntamente com sua irmã mais velha, Satsu.

E de uma hora para outra, Chiyo e Satsu são levadas de Yoroido e separadas em okiyas - casa de gueixas -, em distritos diferentes.


Enquanto Chiyo se adapta à sua nova realidade, vemos sua inocência ser destruída pouco a pouco, e os seus planos de fugir e voltar para a sua família, modificados. Acompanhamos o crescimento físico e mental de Chiyo, até o momento em que ela decide se tornar uma gueixa.

Diferente do que normalmente acontece, dessa vez consegui me apegar à protagonista. Chiyo tem uma inocência que, por vários momentos, me foi incompreensível, mas que, quando parava para refletir profundamente, percebia que atitudes diferentes não iriam condizer com uma criança de 9/12 anos. Ela era uma guria que quebrava a cara, mas que aprendia após o golpe, quase como um cão sendo domesticado. Fiquei por vários momentos surpreso ao perceber que Chiyo não pensava no futuro, mas no passado. A sua vida sofreu um tremendo baque, e ela queria voltar à sua vida antiga, em Yoroido. Doía o coração em saber que tal pedido não se realizaria. Chiyo poderia se desesperar com o passar dos anos e ser somente uma simples criada, mas um homem que ela vê somente uma vez, muda totalmente o seu modo de pensar, e, a partir de então, ela diz a si mesma que se tornará uma gueixa, para, um dia, voltar a vê-lo, ou conseguir entreter um homem do nível igual ao dele. Esse personagem é chamado de presidente.


Amo demais personagens secundários, e o autor soube criar bem as suas personalidades. Não é somente Chiyo quem tem um passado/presente/futuro. Abóbora, Titia e, a minha preferida, Mameha, são todas carismáticas à sua maneira.

Conforme a protagonista crescia fisicamente de capítulo para capítulo, eu ficava espantado com a riqueza de detalhes que o autor jorrava em cada parágrafo. Foi uma tremenda pesquisa feita para trazer, tão cuidadosamente, o cotidiano de uma gueixa, assim como o funcionamento das okiyas, casas de chá e escolas de gueixas. A descrição dos quimomos é de uma riqueza tamanha, que me peguei a vê-los nitidamente em minha mente. Nada foi suavizado, e ver o autor mostrar que não é só de beleza e sorrisos que as gueixas são feitas, foi enriquecedor.


Gueixas foram feitas para entreter, mas, por baixo das pesadas mascaras brancas, existem mulheres que iniciaram essa vida forçadas e abandonadas por suas famílias. Tenho a certeza que se encontrassem relatos de gueixas do século passado - mais especificamente do início do século XX -, elas iram dizer que seus sonhos, quando crianças, não eram se tornar gueixas. Não é uma profissão que se escolhesse.

Por ser rico em detalhes, seja na descrição dos lugares, como nas aparências, e mostrar todo o crescimento de uma só pessoa, a leitura, em alguns momentos, tornou-se cansativa, mas percebo que isso foi mais por querer devorar várias obras, ao invés de ler poucas páginas a cada dia.


Concluí a leitura com um sentimento de que li a vida de uma personagem forte e fofa, que, mesmo sofrendo para se adaptar a um sistema cheio de regras e maneiras de se portar, conseguiu sobreviver e relatar a sua trajetória.

A capa da obra é linda demais, trazendo todo um mistério e desejo para saber como é Chiyo. As páginas são amareladas, e os capítulos e a fonte das letras, são medianas.


Para quem busca conhecer como era o aprendizado de uma gueixa, o passado de uma e ver além do que simples "acompanhantes de luxo" orientais, MEMÓRIAS DE UMA GUEIXA é a leitura que indico. Abra o seu coração e se entregue ao relato de Chiyo Sakamoto.

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Bruno Marukesu

Um guri que é apaixonado pela 7ª Arte. Desde cedo procurou abrigo nos livros e de lá não saiu mais. Quando está em momentos de dificuldade os livros são o seu porto seguro. Atualmente, ele vive em vários fandons. Tornou-se seriador, é bookaholic, dorameiro em hiatus, kpopper desatualizado. Ah, e que é apaixonado por pandas, zumbis, lasanha, pizza e farofa.

18 COMENTÁRIOS

  1. Bruno!
    Sempre bom poder ler um relato verídico de fatos relatados no livro e justamente a riqueza dos detalhes é que torna a leitura ainda mais interessante, porque podemos ver através dos olhos da protagonista, como tudo foi evoluindo em sua vida, além da cultura, performances, vestuários, etc... que é necessário para se tornar uma gueixa.
    “Eu quase que nada não sei. Mas desconfio de muita coisa.” (Guimarães Rosa)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    TOP Comentarista de FEVEREIRO, livros + KIT DE MATERIAL ESCOLAR e 3 ganhadores, participem!

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  2. Olá Bruno, fico impressionada com a quantidade de livros que saem e que eu de alguma forma desconhecia porque só havia tomado percepção do filme, como esse daí. Nem imaginaria que fosse um livro. Não assisti ao filme ainda, não sei me deu uma sensação de coisa meio estagnada, como se as coisas demorassem a acontecer. Acho que porque fico com a impressão de ser um longa muito longo! Adorei a descrição que você deu da personagem, mas pensei que ela era lago mais profunda e que havia mais dor e sofrimento na personagem e que seria uma leitura densa. Você já assistiu Adeus minha Concubina? tem bem a ver com esse ambiente do livro.

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  3. Oiii! não sabia que tinha um filme do livro, eu jamais tinha ouvido falar do livro tbm, não fiquei muito interessada pelo livro, mas gostei da descrição que você deu da personagem, e é tão ruim quando em algum momento da leitura, ela se torna cansativa. mesmo você dizendo que ela tem uma inocência que pra você muitas vezes é ate incompreensivel, me percebeu que mesmo pela idade dela, ela é uma personagem muito forte, e assim como ela eu n penso tanto no futuro kkk fico muito presa ao passado e isso é meio ruim, deve ser muito ruim ser separada de sua irmã e ser obrigada a enfrentar as coisas sozinhas, ainda mais na idade dela, o livro parece ser bom, quem sabe eu algum dia eu leia. E a capa é linda mesmo !!

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  4. Oi mano, olha pra ser bem sincera eu não me interessei muito pelo livro, histórias assim me deixam entediada e eu tenho a tendencia a abandonar o livro. Mas também não se pode negar que séria interessante ler o livro pelas discrições de uma cultural totalmente diferente da nossa e que serie no minimo interessante ver o que ela passou. Obrigada pela resenha.

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  5. Tenho uma certa curiosidade pra ler esse livro pela cultura apresentada. E parece que ele tem grande riqueza de detalhes, então deve ser fácil de imaginar e ver aquela situação acontecendo. Acho que fica fácil de acreditar na história.
    A protagonista parece quebrar muito a cara no começo, mas vai crescendo com o tempo, aprendendo a ser mais forte e isso é bem legal pra história.
    Gostei de saber que deixa a sensação de estar lendo sobre a vida dela também. Acho que dá certa sensação de proximidade com o leitor, como se a gente adentrasse no mundo dela. Deve ser uma leitura muito boa.

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  6. Nunca li nada sobre a cultura japonesa, é algo que não tenho muito contato, mas esse livro me deixou intrigada. Eu achava que ser gueixa era passar um pó branco no rosto, colocar um kimono, prender o cabelo e pronto, só que a sua resenha me fez ver que não é. Porquê, primeiro, elas tem um monte de regras a seguir, segundo, elas sofrem. São humanas usadas para entreter. A parte que mais gostei de saber foi que as coisas são detalhadas, adoro detalhes, principalmente aqueles sutis que tem a capacidade de nos transportar para dentro da história. E não vou mentir, adorei saber que os kimonos ganham atenção também, apaixonada por moda que sou minha mão está coçando pra ler esse livro (além de toda a trama que puxa a parte leitora do meu ser).

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  7. OOi!A cultura japonesa é rica , isso nós sabemos, mas sobre as gueixas muitas gente desconhece e confesso que sou uma dessas, esse livro me pareceu ser de emocionar mostrando a realidade dura que é ser uma gueixa e quantas obrigações isso deve envolver , mas não é o meu gênero!

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  8. Olá!
    Já ouvi muitos comentários positivos dessa obra mas confesso que nem imaginaria que envolveria um relato tão tocante quanto descreveu, me parece ser um obra sensacional. Colocando na listinha desde de já!
    abraços!

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  9. Apesar d ter me interessado porque amo a cultura japonesa, fiquei um pouco triste por ter sido uma realidade e a vida de uma pessoa real. Acho que preciso de atenção para ler o livro, devido aos detalhes que o autor fornece

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  10. Oi, Bruno! No inicio eu não tinha me interessado pelo livro, mas depois de ler que o livro nos mostra e realidade das Gueixas, fiquei super curiosa para ler. Deve ser uma experiencia incrivel ler esse livro. Beijos

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  11. eu fiquei meio pé atrás com esse livro, por causa da adaptação cinematográfica...
    mas lendo a sua resenha eu achei bastante interessante a questão dos detalhes, eu já conheço alguma coisa das histórias de gueixas e já li alguns relatos.
    o que mais me impressionou foi um mais antigo do que o dela, que além de tudo ainda há um relato de guerra.
    "acompanhantes" é um termo bastante educado para as gueixas
    então talvez deixe a raiva do filme de lado e dê uma chance ao livro

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  12. Oii!
    Já li outras resenhas do livro, bem diferente dos livros que costumo ler, mas bem interessante, qro tentar ler em breve...
    Bjs

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  13. Olá!!! Eu li Memórias de uma gueixa há muito tempo, com a outra edição ainda e é um dos meus livros favoritos, o filme também é sensacional, que bom que você também gostou.

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  14. Oi, Bruno
    Também senti o mesmo lendo o livro. Faz anos que o li e é um dos meus preferidos.
    Adoro essa riqueza de detalhes e a trajetória da protagonista, que realmente é forte e fofa. Adorei a resenha.

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  15. Oi Bruno, tudo bom?
    Gostei muito da resenha, o livro pelo visto é enriquecedor, com uma cultura totalmente diferente da nossa né, fiquei curiosa para saber mais sobe a vida das gueixas, e ver esse crescimento da Chiyo, espero ter a oportunidade de ler, pois não li nada parecido ainda.
    Beijos *-*

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  16. Eu já ouvi falar desse livro, e tenho bastante vontade de ler ele. Ele parece ser muito bem construído, e acho muito legal mostrar essa cultura que é bem diferente.
    Gostei muito de saber que o livro é bem detalhado, e que os personagens secundários também são bem construídos.
    O livro já está na minha listinha, só espero ler ele logo :)

    Beijos!

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  17. A trama até que é interessante!
    Já ouvi falar bem dele, mas não tenho vontade de ler!
    A capa eu achei bem feia e isso conta muito na hora em que eu pego um livro para ler!
    Beijosss

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  18. Oi!
    Sempre vi muitos comentários sobre o livro memorias de uma gueixa, parece ser um livro muito rico, e que nos trás uma visão diferente é também um relato, sempre tive curiosidade em conhecer um pouco mais dessa cultura e acho que esse é um ótimo livro, se tiver oportunidade quero muito ler essa historia !!

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