LOBO SOLITÁRIO

SINOPSE: Lobo Solitário não é uma obra qualquer. É um daqueles raros trabalhos que aparecem ocasionalmente e se consagram como marcos de um gênero. Ao criarem um mangá sobre Itto Ogami, um ronin que anda pelo Japão Feudal com o jovem filho, Daigoro, Kazuo Koike e Goseki Kojima estavam soprando vida em uma obra prima que influenciou toda uma geração de leitores e artistas, e conquistou uma incalculável legião de fãns. Itto Ogami, o Lobo Solitário, era o executor oficial do Xogum. Eximio espadachim, ceifou a vida de muitos para consagrar seu nome entre os mais famosos samurais da época. Porém, sua família foi vítima de uma trama orquestrada pela família Yagyu. O ápice dessa perfídia foi um massacre que levoua vida de todos, menos de Ogami e de seu pequeno Daigoro - Koike KAZUO - Editora PANINI - 2005 - 305 páginas.

É difícil escrever sobre LOBO SOLITÁRIO. A história de Itto Ogami e seu filho de três anos, Daigoro, que viajam pelo Japão da Era do Xogunato (1603 a 1868), em busca de vingança, é considerada a maior obra dos quadrinhos japoneses. Publicado pela primeira vez em 1970, o mangá foi adaptado para seis filmes, quatro peças de teatro, uma série de televisão e influenciou as gerações futuras. Toda a reconstituição da época é incrivelmente fidedigna, e fica facilmente compreensível por causa da narrativa clara, dos desenhos realistas, simples, que não escondem nada da ação e conseguem criar toda a emoção que cada um dos personagens sente.


Mas não é só por sua grandiosidade que pesa a responsabilidade de fazer uma resenha que tente passar uma pequena ideia das emoções que o leitor passa pelos vinte e oito volumes, mas pela incapacidade de poder explicar o quanto o final de LOBO SOLITÁRIO é magnífico, e o quanto esse mesmo final consegue elevar tudo o que foi lido a um novo patamar, muito mais alto do que já era.

No último quadrinho, a última frase dita por um personagem abraçado a outro, muda completamente tudo o que foi lido até então, e faz você chorar como se fosse uma criança. É assustador o impacto que uma frase, que revela algo, que em momento algum foi sequer imaginado, pode modificar todos os personagens e todos os atos cometidos por eles.


A narrativa de LOBO SOLITÁRIO não é totalmente linear. Cada volume reúne várias histórias, que podem ser sequenciais, ou não. Em quase todas, Itto e Daigoro são contratados por alguém para fazer algo ou matar alguém. O preço é sempre o mesmo: 500 ryos. A soma de todo o dinheiro que junta, seria para perpetuar uma vingança contra a família Yagyu, que tramou contra os Ogami, o que resultou na morte de todos, menos Itto e Daigoro.

No encalço dos dois, está Retsudô Yagyu, o patriarca da família rival, que não vai descansar enquanto não conseguir completar sua missão de assassinar todos os Ogami antes que Itto complete sua vingança. Em diversos volumes, alguns dos capítulos são armadilhas criadas por Retsudô contra Itto. Todas sempre são extremamente violentas e implacáveis, além de emocionantes! Outros capítulos, são as missões que Itto aceita para reunir o dinheiro que precisa. A variação é enorme, e são elas que permitem que o leitor conheça melhor a personalidade de cada personagem.


Mas o que há melhor em LOBO SOLITÁRIO não se concentra no enredo violento, mas em duas relações díspares: a primeira, a relação entre Retsudô e Itto. É incrível como o ódio que um sente pelo outro vai crescendo com o avançar da trama, a um ponto que o próprio leitor não consegue mais distinguir um final onde eles não se matem. Também é admirável a forma como um respeita a capacidade do outro. Retsudô aumenta gradativamente cada uma de suas ameaças, testando e avaliando até onde Itto consegue ir.


A segunda relação, que além de mais forte, é mais emocionante, é a relação entre Daigoro e Itto. O menino de três anos é um dos personagens mais interessantes que já conheci. Existe um capítulo dedicado inteiramente a ele, que é de uma sensibilidade e uma simplicidade que faz chorar. Para Daigoro, Itto não é apenas seu pai, mas seu mundo. E para Itto, Daigoro é tudo o que lhe resta. Mas mais que isso: os dois têm uma relação simbiótica, eles se completam como arma. Em diversos momentos, Itto luta com o filho no colo, ou usa o carrinho, onde carrega Daigoro, como arma, ou o próprio filho se torna uma arma. Simplesmente, em algumas partes, não é possível visualizá-los como dois indivíduos separados, mas como um só.


E nos momentos finais, o leitor tem a visão do quanto eles se amam. Mesmo exaurido, ferido, Itto não larga o filho; e Daigoro, desesperado, lambe as feridas do pai para que ele se cure. O sofrimento do garoto é transmitido em cada quadro, em cada risco que forma suas feições. E é de Daigoro o momento final de toda história, é ele quem resolve a questão decisiva, tornando-se responsável por uma das maiores reviravoltas que já li em um quadrinho, em um livro ou mesmo em um filme.


LOBO SOLITÁRIO é uma obra prima obrigatória para qualquer pessoa, seja leitora, ou não, de quadrinhos e mangás. Todos os volumes estão sendo republicados pela PANINI, e o primeiro ainda está nas bancas de todo o país. Faça um favor a si próprio: leia!

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Carlos H. Barros

Tenho várias paixões: livros, gibis (muitos gibis), filmes, séries e jogos (muitos jogos de PC e consoles), fotografia, natação, praia e qualquer chance de viajar para conhecer novos lugares e pessoas. Lamento o dia ter apenas 24 horas - é muito pouco ;>) -, e não saber desenhar O.O

16 COMENTÁRIOS

  1. Oi Cral, tudo bem?
    Que linda história e relação entre pai e filho. Não conhecia esses quadrinhos ainda, e mesmo não sendo muito fã de Mangás eu leria sem dúvidas. Essa ilustração do filho lambendo as feridas do pai é muito impactante, tenho certeza de que ficaria emotiva lendo esta história. Adorei!
    Beijos

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  2. Parece bem interessante por não ser só violência, ele parece muito bonito quando mostra esse lado da relação deles. Fica interessante ver isso nos personagens. Não só uma história de lutas e brigas e muita violência, mas também um lado mais humano e sentimental. Por isso acho que valeria muito a pena ler mesmo. Acho que iria gostar.
    Só que não acabo lendo esse tipo de história mais pelo negócio de ter vários volumes pra acompanhar do que qualquer outra coisa. Acho muito complicado, desanima mesmo pra conseguir todos =/
    Sei lá, coisa minha mesmo.

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  3. Oi, Carl!!
    Adorei a indicação desse quadrinho e devo confessar que não conhecia esse história. Achei bem interessante a relação de pai e filho e também gostei muito das ilustrações do mangá sem dúvida é uma história bem instigante!!
    Beijoss

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  4. Carl!
    Que resenha emocionante e dica fabulosa.
    Muito me interessa essa época da dinastia dos xoguns e vê-la transcrita na íntegra através dos quadrinhos é fenomenal.
    Adorei saber que a relação de pai e filho é como se fossem uma só pessoa, é muito amor.
    Preciso ler.
    “Não basta conquistar a sabedoria, é preciso usá-la.” (Cícero)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    TOP Comentarista de MARÇO, livros + KIT DE PAPELARIA e 3 ganhadores, participem!

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  5. Adorei a dica ainda mais sendo um Mangá, achei uma linda relação entre pai e filho e com uma historia bem forte, e vindo da PANINI só pode ser coisa boa de qualidade, adorei conhecer um pouco da coleção.
    Até mais!!!

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  6. Adorei a resenha. Fico feliz em saber que a reconstituição da época é fidedigna e que possui uma narrativa clara, com desenhos simples e realistas. Gostei muito do traço utilizado e dessa relação tão verdadeira e intensa entre Itto e seu filho Daigoro. Também gostei do fato da história não se concentrar no enredo violento e que Retsudô e Itto, apesar de todo ódio e sede de vingança, possuem respeito pela capacidade um do outro. Obrigada pela indicação.

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  7. Oi!! Eu não sou fã de histórias em quadrinhos, apesar de me parecer uma história bastante emocionante onde a família luta pelo seu ideal e vai em buscar da vingança eu não leria porque não gosto de histórias japonesas, mais pra quem gosta é uma boa opção! Obg!

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  8. Acho que a tal frase que faz a gente chorar feito criança e que muda tudo é: Luke, eu sou seu pai!
    UIEHEIUHEUIHEIUH nem sei se a frase original é essa, mas foi disso que lembrei com sua resenha.
    Desculpa, Carl, mas mesmo com toda essa resenha apaixonada eu não consigo me interessar por quadrinhos :p a não ser que você queira enviar um desses aqui pra casa, aí juro que leio hahaha

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  9. Oi Carl!
    Adorei conhecer mais um Mangá...Pelo jeito tá ganhando espaço o gênero, qro mto começar minha aventura nessas histórias..
    Vai pra listinha!
    Bjs!

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  10. Toda vez que leio suas resenhas sobre mangas, eu penso no quanto eu tenho que voltar a le-los,nunca tinha ouvido sequer falar do lobo solitário e agora já estou com vontade de ler,tudo culpa sua!!! Hahahaha obrigada pela dica <3

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  11. Olá!!! Tenho que confessar que não gosto muito de mangas de maneira geral, mas tenho muita curiosidade de conhecer o Lobo Solitário, a relação entre pai e filho parece ser bem bacana e emocionante, vou tentar dar uma chance para essa série.

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  12. Olá, bom eu não sou muito fã de mangas porém acho super legal, deve ser bem interessante e também bem trabalhado...a historia me deixou curiosa e me pareceu bem legal..eu não sei se leria mas quem sabe né!

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  13. Adorei a resenha, admito que não costumo ler mangás, mas achei muito linda essa relação de pai e filho, a história da vingança não é uma coisa que me atrai muito, claro que o personagem possui seus motivos, mas não é um tema que sinto prazer em ler.
    Beijos!

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  14. Oi carl, tudo bem?
    Nossa, a historia deve ter sido bem construída mesmo para conseguir despertar no leitor, com uma única frase, uma carga emocional tão grande assim. Acho que essas histórias acabam sendo as melhores né. Já fiquei com vontade de ler.
    Beijos
    Quanto Mais Livros Melhor

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  15. Legal o posts, em que voluntarios itto ogami encontra o samurai executor?

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  16. Oh Carlos,
    eu falei que adorava Blade, mas porque não conhecia O lobo solitário! Gosto dessas histórias de samurais, são muito boas! O que eu falaria para vc é me empresta?! rs Lendo a resenha lembrei bastante das animações da Ghibli que são maravilhosas, recomendo O cemitério de vagalumes, excelente, depois me conta o que achou! Um beijo

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