O PRIMEIRO E O ÚLTIMO VERÃO

SINOPSE: Escrito por Letícia Wierzchowski, autora de A casa das sete mulheres, “O primeiro e o último verão” conduz o leitor a reflexões sobre episódios vividos por Clara no passado durante um verão inesquecível na praia de Pinhal. Aos catorze anos, a garota se apaixonou e deu o primeiro beijo, mas foi também quando começou a descobrir todas as preocupações e decepções que existem nas relações de amor. No livro, a personagem revela como conheceu o amor e a morte, e viveu toda a dor e a poesia que há em deixar a inocência da infância para crescer, um processo melancólico e doloroso para todos nós - Letícia WIERZCHOWSKI - Editora GLOBO - 2017 - 152 páginas.

Uma história para ser boa, não precisa, necessariamente, de grandes reviravoltas, revelações, ações, personagens heroicos ou vilões insanos. Às vezes, as melhores histórias, são simples, mas bem escritas, muito bem escritas, tanto que conseguem transmitir mais emoções do que a melhor das aventuras.


Esse é o caso de O PRIMEIRO E O ÚLTIMO VERÃO. As lembranças de Clara, a personagem principal e narradora, sobre um de seus verões, aos 14 anos, na praia de Pinhal, no Rio Grande do Sul, é de uma simplicidade, de uma sensibilidade, que consegue fazer o coração bater mais rápido e as lágrimas rolares dos olhos, sem o leitor perceber. Cada um dos curtos 20 capítulos do livro, trouxe um misto de emoções que há muito tempo não encontrava numa leitura.


A história se concentra, principalmente, mas não só, nesse verão dos 14 anos, que acabou por ser o último da família de Clara na praia de Pinhal. A narrativa passa pelas recordações de uma época onde não existia a Internet, o Whatsapp, e-mail, quando as trocas de mensagens eram feitas por cartas, onde as conversas por telefone eram no meio da sala, ao ouvido de todos. Clara narra como eram os relacionamentos com os amigos, com os parentes, os passeios pela areia, os jogos em turma, as brincadeiras, as paqueras, o primeiro beijo, o primeiro namoro, a primeira traição. 

Mas Clara também narra o passado, como a casa da praia foi construída por seus avós, a importância que ela exercia como centro do encontro com os amigos de verão, e narra os problemas familiares, como a descoberta de que seu pai tinha uma relação extraconjugal e em como sua mãe encarava essa situação. E por fim, lá para o final do livro, ela narra como é ter contato com a morte.


A narrativa de Clara pode ser comparada a uma história de suspense, onde o clímax vai aumentando no decorrer da trama. No caso dela, não é o clímax, mas, sim, o crescimento de sua maturidade, aquela passagem da fase inocente da infância para uma adolescência mais pés no chão, de consciência mais ampla para o que acontece ao redor. É assim com as amizades, com seu primeiro relacionamento amoroso e, principalmente, com a quebra do sonho de que seus pais são perfeitos, não erram. Sua constatação de que eles são um homem e uma mulher, que possuem defeitos, fraquezas e sonhos, como quaisquer outras pessoas, é tão natural, tão crível, que é impossível não acontecer uma identificação imediata pelo leitor com a personagem.


E essa é uma das características mais marcantes da obra. A veracidade e a honestidade da narrativa de Clara. É algo tão singelo, com palavras cuidadosamente escolhidas, frases extremamente bem construídas, e situações tão corriqueiras e semelhantes a todas que nós vivemos em algum momento de nossa infância, que nos emocionamos com o que acontece no livro ao mesmo tempo que nos emocionamos com nossas próprias lembranças de nosso passado.

Essa ligação é tão forte, tão natural, que o leitor, quando percebe, está totalmente preso na história de Clara. Mais que isso, passa a considerá-la como sua amiga, como alguém que realmente pode ter conhecido, ou que, no fundo, reflete aquilo que o leitor é ou vivenciou.


O PRIMEIRO E O ÚLTIMO VERÃO é uma obra que faz um passeio por aqueles breves momentos felizes que alguns de nós conseguiram viver em algum momento da vida. Ela também mostra que esses mesmos momentos são poucos e limitados, que eles terminam, por bem ou por mal, e que, por isso mesmo, devemos aproveitá-los ao máximo, mesmo, na maioria das vezes, não tendo consciência de que eles estão acontecendo. Normalmente, só ganhamos essa consciência muitos anos depois. Por isso, ficam marcados em nossas lembranças e servem para moldar nosso caráter e nossas escolhas futuras.


Tudo isso é narrado por Clara, através de constatações que ela mesma faz sobre tudo o que aconteceu naqueles e em outros verões anteriores. E ela termina, mostrando o óbvio: é impossível voltar neles para consertar as escolhas erradas; que as consequências de algumas ações, levam anos para aparecerem; que o amadurecimento é doloroso, impiedoso, mas necessário; que o amor não é eterno, como muitos pensam; que as pessoas são finitas, por isso, devemos ter a sabedoria de escolher quem realmente são nossos amigos, e aproveitar sua convivência da melhor forma possível, enquanto temos tempo; e que, mesmo quando uma pessoa nos deixa, por escolha própria ou porque chegou sua hora, dependendo da marca que ela fez em nossos corações, ela ficará para sempre com a gente, para bem ou para mal.


Aproveite a leitura de O PRIMEIRO E O ÚLTIMO VERÃO para avaliar suas próprias lembranças e, quem sabe, compreender aqueles sentimentos presos há tempos dentro de seu peito.

Aproveite e compre o livro:

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Carlos H. Barros

Tenho várias paixões: livros, gibis (muitos gibis), filmes, séries e jogos (muitos jogos de PC e consoles), fotografia, natação, praia e qualquer chance de viajar para conhecer novos lugares e pessoas. Lamento o dia ter apenas 24 horas - é muito pouco ;>) -, e não saber desenhar O.O

20 COMENTÁRIOS

  1. Achei linda a maneira com que você descreveu a história que com certeza poderia ser a de qualquer um de nós leitores. Quando li a ideia central pensei: nossa, como ela conseguiu escrever minha história? E me vi ali naquela trama como a adolescente de catorze anos (no meu caso treze), de um primeiro contato forte com a morte(perdi uma grande amiga, na adolescência) e essas coisas que ela passou. As primeiras e erradas noções de amor e as amizades do caminho! Super me identifiquei

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  2. Achei a historia super reflexiva referente a vida da protagonista mostrando tudo o que ela vivenciou, ou certas atitudes que ela tomou e realmente é impossível voltar ao tempo e concertar as coisas, uma idade maravilhosa em uma época sem celular com internet, Facebook entre outros.
    Até mais!!!

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  3. Preciso ler esse livro, fiquei muito interessada. Sua resenha está maravilhosa!!!

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  4. Carl!
    Que livro inspirador!
    É fácil se identificar co Clara através de suas narrações, pelo simples fato de contar com emoção, momentos vividos em sua adolescência, suas experiências e a decepção sobre o casamento dos pais. Não tem como não nos identificarmos de alguma forma.
    “Compreender que há outros pontos de vista é o início da sabedoria.” (Campbell)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    TOP COMENTARISTA ABRIL especial de aniversário, serão 6 ganhadores, não fique de fora!

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  5. Já li um livro dessa autora que gostei bastante e por ter esse tom mais normal, de vida, aquele jeitinho de história que você imagina acontecendo. Uma coisa que não precisa de grandes reviravoltas mas tem sua graça. Achei interessante esse pelo jeito de fazer a gente pensar naqueles pequenos momentos da vida. Acho que pode nos deixando pensando em coisas que vivemos e relembrando, etc. Acho isso legal.
    Gostei do livro. Acho que adoraria ler essa história.

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  6. Deve ser muito bom e inspirador!
    Sobre a Clara narrando seus acontecimentos aos 14 anos!
    Ainda não tinha lido nada da autora, então acho que começarei por esse!

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  7. Ainda não conhecia a autora, e é a primeira resenha que leio sobre este livro.
    Assisti à minissérie "A casa das sete mulheres" e gostei muito, não sabia que tinha sido originada de um livro.
    É muito bom encontrar estórias bem contadas, com narrativas que nos prendem ao enredo. E também de podermos voltar a um passado de uma geração que não cresceu online (como foi a minha) e teve oportunidade de passar alguns verões no litoral.
    Com certeza vou guardar bem o nome da autora.

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  8. Oi Carl...
    Concordo com você que 'as melhores histórias, são simples, mas bem escritas'... Ainda não tive a oportunidade de ler nada da autora, mas já estou doida para ler "O Primeiro e o último verão"... Um livro que promete emocionar muito com a história de Clara e suas vivências ao longo de sua vida... Momentos bons e inesquecíveis e momentos ruins que servem de aprendizado... E tenho certeza que temos muitas lições para tirar dessa leitura...
    Abraços...

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  9. Oi!
    Que linda resenha,parabéns!
    O livro parece ter uma leitura inspiradora e reflexiva. Espero ter a oportunidade de conferir e me encantar com a mensagem do mesmo.
    Abraços.

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  10. Oie! Achei um enredo lindo, qria tanto ler uma resenha desse livro, me encantei, qro mto conhecer a escrita tbm.
    Bjs!

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  11. Oi Carl!
    Gosto muito da narrativa da Letícia e, dos livros mais recentes dela, esse foi um dos que mais me despertou interesse. Quero conferir assim que possível. Adoro histórias com esse quê de melancolia.
    Beijos,
    alemdacontracapa.blogspot.com

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  12. Oi Carl, achei incrível e inspiradora sua resenha. Veracidade e honestidade são duas coisas que hoje em dia estamos precisando mesmo. Quero ler, eu me identifiquei muito com toda a narrativa da autora... difícil não se identificar. Reflexivo e verdadeiro. Um beijo

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  13. Essa resenha mexeu comigo olha e nem li o livro ainda :( gosto de livros assim com drama e todo esse pensamento reflexivo,mais um livro da lista dos livros-que-nunca-tinha-lido-e-nem-ouvido-falar. Mas uma ótima dica,só fiquei triste por ele ser bem fino,né? espero ler em breve!
    Abraços <3

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  14. Olá!!! Não conhecia o livro, mas achei inspiradora a história, deve ser encantador poder acompanhar o amadurecimento da personagem e seu relacionamento com familiares e amigos.

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  15. Olá, tudo bem?
    Eu vi esse livro sendo bem comentado em um grupo de leitores, mas não tinha lido nenhuma resenha, até agora.
    Parece ser uma história bem leve, e amo livros com certo "excesso de drama", quanto mais drama, melhor!
    Um beijo.

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  16. Oi ! Livros reflexivos e que nos trazem lembranças boas da nossa vida são sempre bem vindos, eu amei a capa, to apaixonada por essa história e quero ler em breve, obrigada Carl!

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  17. Oi, Carl!!!
    Adorei a premissa do livro!! A história parece um daqueles filmes da sessão da tarde!! Fique encantada com tudo no livro e principalmente pela edição!!
    Beijoss

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  18. Oie *-*
    Esse primeiro paragrafo da resenha está tão perfeito, super concordo <3
    Só pela sua resenha eu senti a intensidade que o livro trás, com certeza é um livro que vai mais a fundo e faz o leitor pensar em tudo e em todos, em momentos bons e momentos ruins.
    Gostei de saber que o livro vai narrando o amadurecimento, e mostrando como as coisas são na vida real mesmo, e mais legal ainda a questão de se comunicarem por carta.
    Esse parece ser aquele livro que mostra que o menos é mais, e que conquista o leitor, anotado aqui. Vou ler <3
    Beijos!
    Lost Words!
    Têm sorteio de um e-book lá no blog, participe!

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  19. Nossa que amor Carl, fiquei com uma vontade imensa de ler o livro, e conhecer o quanto antes a história da Clara. Você escreveu essa resenha de uma forma tão linda, que já fiquei apaixonada.
    Como sempre arrasando, e me fazendo gastar. 😊

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  20. Oi! Gosto de leituras assim, leves que fazem a gente pensar no que a gente é, e nos momentos felizes que tivemos em nossa vida, me parece ser linda a história!! Já quero, bj!

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