ANA CRISTINA MASSA, AUTORA DE O SEGREDO DO COLECIONADOR


ANA CRISTINA MASSA é jornalista e escritora. Estreou na literatura juvenil com o livro MISTÉRIO DO MUSEU IMPERIAL. Recebeu o selo ACERVO BÁSICO PARA JOVENS da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil/2004. O livro foi selecionado para o PNLD/SP/2004 e para a Feira de Bolonha em 2004. Na mesma série, OS INVENCÍVEIS, publicou mais três livros, sendo um deles, O SEGREDO DO COLECIONADOR, cuja resenha, você pôde conferir ontem.

ENTREVISTA


GETTUB: Pesquisando sobre a Ana, reparei que você é apaixonada por nossa literatura clássica, da infantil à adulta. Mas e quanto aos escritores atuais? Você lê, conhece ou é fã de algum?

ANA C. MASSA: Sim! Sou curiosa demais! Estou sempre relendo meus favoritos e buscando a nova geração de autores. Sou fã do Raphael Montes, que escreve suspenses psicológicos de tirar o fôlego. Li todos. Estou lendo essa semana Daniel Galera, “Barba ensopada de sangue”, também ótimo. Li recentemente o infantojuvenil “a bailarina Fantasma”, de Socorro Acioli e amei!

GETTUB: Nota-se na sua escrita, a paixão que sente pela história e pelo Rio de Janeiro, em especial. É impensável, para você, viver em outra cidade? Qual sua maior paixão no Rio, aquele lugar que não se cansa de visitar, que acha que é um complemento seu?

ANA C. MASSA: É verdade, sou apaixonada pelo Rio de Janeiro. É uma cidade com uma natureza exuberante, moderna, e ao mesmo tempo guarda tanta história... Fui a Portugal ano passado, e Lisboa me encantou muito. Passaria longas férias lá, mas quero viver aqui! Mesmo com todas as dificuldades, essa cidade é minha casa. O lugar que não me canso de visitar é o Jardim Botânico. Parece que o relógio desacelera quando estou lá!


GETTUB: É uma pergunta que já deve ter respondido dezenas de vezes, mas preciso perguntar: como foi criar Sofia, Isa, Gênio, Goma e Jonas? Se baseou em crianças que conhece, ou são totalmente ficcionais?

ANA C. MASSA: O mais incrível da arte de escrever é a possibilidade de criar o que quisermos! Cada um dos Invencíveis tem um pouco de mim, dos meus filhos, Gabriel e Isabela, dos amigos deles. Adoro observar o jeito de falar das pessoas, de andar, pequenos gestos, me aproprio um pouco do que enxergo, mas os personagens também passam a ter características próprias. Acho que Gênio, Isa, Sofia, Goma e Jonas já existiam muito na minha imaginação.

GETTUB: Uma das coisas que mais gostei na sua escrita, é que você consegue conversar com o público jovem, mas sem deixar de lado a parte educacional, o aprendizado, a moral, ao contrário de livros de grande sucesso, que não se preocupam tanto com isso, principalmente com a arte de saber escrever corretamente. Em um mundo em que os jovens passam mais tempo na Internet, conversando através de uma linguagem de siglas, emoticons, sem qualquer regra gramatical, até onde acha que livros como os seus conseguem alguma influência?

ANA C. MASSA: Penso muito sobre isso. Se por um lado os jovens escrevem mais, trocam mensagens o tempo todo, e isso é bom, eles escrevem de outra maneira. O escritor pode e deve ter seu estilo, por exemplo: Saramago pouco usava o ponto final nas frases. Era um estilo de narrativa, mas a língua era escrita de forma correta. Um personagem pode sim falar de um jeito próprio, mas a narrativa tem que seguir ortografia certa. O autor tem essa responsabilidade. Acho que a série Os Invencíveis mostra que o texto pode ser fluido, seguindo as regras gramaticais e sim, pode influenciar a escrita dos leitores. Se eles gostarem do livro, vão absorvendo a escrita. Importante perceber que o mundo virtual “permite” essa linguagem de siglas, entre grupos, amigos, mas os jovens vão entrar no mercado de trabalho, e aí eu acho que as regras da gramática são importantes. Um profissional precisa e vai se destacar se escrever corretamente.

GETTUB: As aventuras dos cinco garotos acontecem no nosso mundo, de forma real, em locais conhecidos por muitos e com ações que são possíveis de acontecer em qualquer lugar. Quando começou a imaginar Os Invencíveis, cogitou a hipótese de fazer o contrário, de criar uma história de fantasia, em mundos novos, com criaturas e magias?

ANA C. MASSA: Ótima pergunta! Até o quarto livro, não tinha pensado nisso. Mas estou escrevendo o quinto livro da série, e me vi diante dessa questão. Intuitivamente eu e os Invencíveis (rs) estamos seguindo por um caminho com algo surreal, místico. O curioso é como será que os personagens vão lidar com essa nova situação. A possibilidade de criar é imensa, e isso me anima!

GETTUB: Como escrevi na minha resenha, seus livros lembram muito a antiga série Vagalume. Chegou a ler algo dessa coleção? Houve alguma influência criativa? Se leu, quais eram seus favoritos?

ANA C. MASSA: Ah!!! O Escaravelho do Diabo! Li menina e fiquei impressionada! O Mistério do Cinco estrelas, do Marcos Rey também. São os que vieram primeiro na minha memória. Adorava essa coleção! Mas também tive influência de Luis Carlos Marinho, com o Gênio do Crime, Monteiro Lobato, com As Aventuras de Pedrinho, Marcelo, Martelo, Marmelo, de Ruth Rocha, e os livros da Lygia Bojunga.


GETTUB: Eu ri bastante em alguns momentos de seu livro, por causa das atitudes dos cinco garotos em situações de perigo, onde eles não se importavam com eles próprios, mas apenas em ajudar os amigos. Muitos autores sentem dificuldade em criar esses trechos engraçados. Como é para você?

ANA C. MASSA: Que bom que você se divertiu!! É difícil, mas muito prazeroso. Escrever é um ato solitário, então muitas vezes tenho que enfrentar a falta de imaginação, ou o exagero de criatividade para realmente colocar no papel o que quero dizer. Mas para eu divertir o leitor, tenho que me divertir também! O engraçado é que, quando escrevo, me transporto para junto dos personagens, vivo as emoções com eles! Os Invencíveis tem um pacto de amizade, e eu acho que é isso que mantém eles tão unidos! Quando estou inspirada, nem sinto as horas passarem! Mas quando não estou, escrevo, apago, reescrevo! Faz parte do processo.

GETTUB: Pretende escrever mais livros com os garotos? Se sim, existe a chance de criar algo com eles mais velhos?

ANA C. MASSA: Acho que sim! As vezes imagino eles mais velhos, o que estarão fazendo rs.. Eles podem se separar por um tempo, e se reencontrar. Vou amadurecer essa idéia!

GETTUB: Aproveitando a pergunta anterior, já pensou em escrever para o público adulto?

ANA C. MASSA: Já! Tenho algo já escrito, ainda não finalizado. É outro desafio, vai acontecer!

GETTUB: Muitos jovens são relutantes quanto à leitura, principalmente de autores nacionais. Como você convenceria um deles a ler seus livros?

ANA C. MASSA: Sabe aquela questão: você não gosta de espinafre? Nunca provou! Digo que se o livro for bom, te “pega” no primeiro capítulo, “na primeira mordida”, e ai a gente quer ir até o fim. Peço que experimentem! Os Invencíveis tem essa “pegada” de aventura, de mistério, e cada um dos personagens pode ser seu vizinho, seu melhor amigo. Sentem como nós, são próximos, parecem reais, parecem com a gente!

GETTUB: Poderia deixar uma mensagem para os leitores do nosso blog?

ANA C. MASSA: Acho que o que me encanta como escritora e leitora voraz, e que levo para minha vida, é a forma de olhar o mundo. A leitura abre a visão, nos permite ver outras experiências, e assim viver com menos preconceito. Nas palestras que faço, sempre digo isso: olhem em volta admirando as diferenças, o mundo é cheio de possibilidades, e o livro com certeza um grande parceiro de vida!


Para acompanhar o trabalho da Ana, podem seguir o Instagram:

@os_invenciveis e @anacris_massa

Para comprar os livros, podem acessar o site da editora BIRUTA, ou pelos links abaixo:

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Carl

Tenho várias paixões: livros, gibis (muitos gibis), filmes, séries e jogos (muitos jogos de PC e consoles), fotografia, natação, praia e qualquer chance de viajar para conhecer novos lugares e pessoas. Lamento o dia ter apenas 24 horas - é muito pouco ;>) -, e não saber desenhar O.O

5 COMENTÁRIOS

  1. Carl parabéns pela entrevista, gostei mto de conhecer a autora, já virei fã de suas obras, qro mto ler!
    Bjs!!

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  2. Boa essa entrevista, deu pra saber bem mais da visão da autora sobre escrever e o que ela gostaria de passar com isso, com esses livros da série e tudo mais. Escrever para o público jovem deve ser uma tarefa um tanto difícil, ainda mais por querer ter esse cuidado com a escrita, de usar uma linguagem correta mas que não seja cansativa ao mesmo tempo. Também achei legal esse detalhe das partes engraçadas porque pra ter esse equilibro, de não exagerar e fazer coisas mais naturais a pessoa tem que estar inspirada mesmo. É bacana imaginar que ela se imagina com os personagens pra poder fazer isso, que sente o que eles sentem e escreve as cenas assim. Também gostei de ver que a autora é fã do Raphael Montes, também gostaria de ler mais livros dele.
    Ficou bem legal a entrevista =)

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  3. Aplausos para essa entrevista, conseguiu me manter grudada em cada resposta com atenção dobrada, e quando ela comentou sobre os livros da série vagalume que ela leu me deixou com aquela sensação nostálgica de que poderíamos ter conversado sobre eles por horas a fio! Gosto da simplicidade e da forma de trazer coisas da atualidade para os livros

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  4. Carl!
    Gosto demais de entrevistas, porque podemos aprender e conhecer mais com a entrevistada e também com o entrevistador que tem de ser inteligente para não fazer sempre as perguntas mais comuns.
    Adorei ver a forma como ela pensa em seus personagens e de onde tira suas inspirações.
    “A sabedoria dos homens é proporcional não à sua experiência mas à sua capacidade de adquirir experiência.” (George Bernard Shaw)
    Cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA DE MAIO 3 livros, 3 ganhadores, participem.
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/

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  5. Oi!
    Parabéns por essa maravilhosa entrevista. Adorei conhecer um pouquinho da autora, pois já estou encantada com suas obras. Só de saber que remetem a um estilo da série Vagalume, que eu tanto amava, já quero muito ler.
    Desejo sucesso a ela e que venham muito livros.
    Abraços.

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