PIRATAS DO CARIBE: A VINGANÇA DE SALAZAR

SINOPSE: O capitão Salazar é a nova pedra no sapato do capitão Jack Sparrow. Ele lidera um exército de piratas fantasmas assassinos e está disposto a matar todos os piratas existentes na face da Terra. Para escapar, Sparrow precisa encontrar o Tridente de Poseidon, que dá ao seu dono o poder de controlar o mar.
DIREÇÃO: Joachim RONNING e Espen SANDBERG
DISTRIBUIÇÃO: Disney
ANO DA PRODUÇÃO: 2017
ELENCO: Johnny DEPP, Javier BARDEM, Brenton THWAITES e Kaya SCODELARIO, Geoffrey RUSH

Desde que o cinema se tornou uma indústria que rende bilhões para os bolsos dos produtores, 95% dos filmes produzidos são feitos apenas pensando no lucro final e, junto com isso, vem a exaustão de ideias. A franquia PIRATAS DO CARIBE foi praticamente fechada em 2007, foi reaberta em 2011 e rendeu mais 1 bilhão de dólares para a Disney. Agora, seis anos depois, temos o quinto capítulo desta série, onde fica claro, mais uma vez, a busca pelo retorno financeiro, entregando um filme pobre em conteúdo para o público. 


A trama segue dois jovens, os novos protagonistas, um busca livrar o pai de uma maldição e a outra encontrar o pai perdido. E onde Jack Sparrow entra nisso tudo? Jack está sendo caçado pelo comandante Salazar, que promete matar o pirata devido a problemas no passado de ambos. E como tudo isso está interligado? O roteiro mesquinho usa e abusa de fatos dos filmes anteriores e muitos flashbacks, tentando criar um contexto onde todas essas tramas fazem sentido. Na teoria, o objetivo foi alcançado, mas o texto é tão bobo e cheio de conveniência, que é difícil convencer alguém a acreditar neste circo de ideias mal ajustadas. 
 

O roteiro não é apenas uma desgraça nas tramas, também fracassa em todos os sentidos, com diálogos bobos e amadores. Logo na primeira cena, temos uma sequencia muito bem feita digitalmente, os efeitos são lindos e enchem os olhos do espectador, mas quando o personagem abre a boca, tudo vai por água abaixo. Exposição barata e diálogos redundantes estão aos montes aqui; não espere piadas boas, com exceção de uma tirada envolvendo uma guilhotina que é sensacional, o filme é extremante sem graça e forçado, ao ponto do público sentir vergonha alheia. 


No elenco, temos uma chuva de problemas, começando pelo próprio Johnny Depp, que está no piloto automático. Seu personagem é quase um traço de sua personalidade, ele o encarna com extrema facilidade; logo na cabeça do ator, ele pode fazer de qualquer jeito que vai estar bom. 

Brenton Thwaites, a grande novidade masculina do elenco, entrega um desempenho pavoroso, com o mesmo semblante o filme todo, seu personagem é provavelmente a coisa mais tediosa que você verá no cinema em 2017. 

A novidade feminina, Kaya Scodelario se esforça de corpo e alma para driblar uma personagem mal escrita no papel, mesmo com todas as dificuldades, a atriz entrega um desempenho respeitável, além de ter muita presença em cena. 

Geoffrey Rush continua sendo o melhor personagem desde o segundo filme da serie, ator com garra e sempre bota medo em quem está assistindo. 

Javier Bardem é o vilão da vez, bota muito, mais muito medo nos personagens e no público também, porém isso é apenas um mérito do seu maravilhoso design de maquiagem, efeitos e figurino. Em questão de motivações, ela até é válida, mas fraca demais e convence por pouco tempo. 


O que o filme tem de bom? Efeitos visuais, infelizmente produções com roteiro ruim são sustentadas por sua parte técnica, para onde foi todo o seu orçamento milionário; custava nada investir mais em trama do que apenas no visual. A trilha sonora vai arrepiar os fãs usando de acordes e trechos da trilha original. As cenas de ação são bem gráficas, faz bom uso da câmera lenta e cria conceitos novos interessantes, como a física envolta dos mortos vivos, o cabelo do capitão Salazar e de um novo navio, que tem uma habilidade: ele se abre como uma boca e come o navio dos inimigos. 


Para quem assistir dublado, vai estranhar a nova voz de Jack. O motivo é que a Disney se recusa a pagar um cachê justo para o dublador profissional, preferindo pagar quarenta vezes mais para um ator “da globo” ou “Youtuber” fazer a voz, mesmo que ambos não tenham nenhuma experiência na função. O personagem perde força, principalmente pra quem já está acostumado com a voz clássica e deixa um sentimento ruim no espectador. 

Infelizmente não vale o caríssimo ingresso cobrado nos cinemas brasileiros, procure outras opções se não quiser gastar dinheiro àtoa. 

OBS: para os fortes que assistirem, o filme conta com uma cena pós-créditos.

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Rafael Yagami

Cinéfilo compulsivo, amante de livros e musica. A leitura e os filmes sempre me ensinaram a confiar em mim e ter sonhos grandes e é com isso que me armo todos os dias para lutar pelos meus objetivos.

5 COMENTÁRIOS

  1. Poxa que pena que a ideia é melhor que o produto. Isso é triste, afinal nos acostumamos com outro tipo de filme com O Deep, aliás ele tem ficado muito caricato em suas apresentações. Depois de sua pequena aparição em Animais fantásticos e onde habitam fiquei com um pé atrás de ver algo com ele, mas mesmo assim sou teimosa e assisto. Vou ver no que dá esse daí sem muitas expectativas!

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  2. Gostava muito desses filmes quando era criança e por isso, por ter crescido vendo, eles acabam me chamando atenção. Mas é uma pena que não seja mais tão legal. O ultimo que vi não me animou tanto quanto os do começo e se esse tiver o mesmo efeito é triste =/
    Mas ainda assim queria ver...
    Gostei do elenco dele e se não pela história veria ao menos pra saber como estão nesse filme.

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  3. Rafael!
    Tem se tornado cada vez mais crítico, hein?
    Como não sou crítica e apesar de todas suas ressalvas em relação ao roteiro mal escrito, quero assistir, primeiro porque assisti todos os outros e depois, porque adoro oa atores que interpretam o filme. E ainda tem os efeitos especiais e a trilha sonora, então... cinema caro na certa.
    Bom final de semana!
    “A solidão é a mãe da sabedoria.” (Laurence Sterne)
    Cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA DE MAIO 3 livros, 3 ganhadores, participem.

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  4. Oi Rafael!
    Estou contando os dias pra ver o filme, sou fã incondicional de Johnny Depp, ainda bem q não assisto filmes dublados nunca...Seria uma frustração essa mudança de dublagem...
    Bjs!

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  5. Oi!
    Sou fã dessa franquia. Gosto muito da interpretação do Johnny Depp e sempre me divirto muito com esses filmes. Vou assistir, mas não será nos cinemas. É uma pena que o enredo seja fraco e deixe muito a desejar, mas de qualquer forma, vale pelos efeitos, trilha sonora e personagens divertidos.
    Ótima crítica.
    Abraços.

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