PLANETA DOS MACACOS: A GUERRA

SINOPSE: Humanos e macacos cruzam os caminhos novamente. César e seu grupo são forçados a entrar em uma guerra contra um exército de soldados liderados por um impiedoso coronel. Depois que vários macacos perdem suas vidas no conflito e outros são capturados, César luta contra seus instintos e parte em busca de vingança. Dessa jornada, o futuro do planeta poderá estar em jogo.
DIREÇÃO: Matt REEVES
DISTRIBUIÇÃO: FOox Film do Brasil
ANO DA PRODUÇÃO: 2017
DURAÇÃO: 2H20
ELENCO: Andy SERKIS, Woody HARRELSON, Steve ZAHN e Amiah MILLER.

Uma das características mais marcantes nessa série de filmes, além é claro do seu lado estético, é a forma como os humanos se encaixam no contexto. É um filme sobre homens contra macacos, mas será que é só isso? Muito das nossas diferenças, preconceitos e medos são explorados aqui. Será que realmente toda a humanidade está presa num círculo e sempre destinada a cometer os mesmos erros do passado?

Encerrando a trilogia de filmes iniciada em 2011, PLANETA DOS MACOS: A GUERRA, infelizmente colhe os frutos negativos que foram deixados no desfecho do último capítulo. César, líder do bando, precisa lutar para se esconder, não só a si mesmo, mas a todos os macacos. Uma última resistência busca a total destruição dos macacos inteligentes, pois depois que o vírus foi liberado, ele teve duas consequências: a primeira foi que os macacos desenvolveram inteligência; e a segunda foi que os humanos contraíram um vírus que mata seu cérebro e seus meios de se comunicar. No inicio do filme, temos alguns esclarecimentos que tornam possível a compreensão desse último filme, não sendo obrigatoriamente necessário ter visto os anteriores.

Tanto a direção quanto o roteiro foram comandados pela mesma pessoa, Matt Reeves, e com isso temos uma produção muito concisa e direta ao ponto. Logo na sequencia inicial, provamos um pequeno pedaço do espetáculo que nos espera. Um ataque surpresa num esconderijo onde os macacos vivem está sendo posto em prática pelos homens. O caos é controlado e manuseado com extrema perfeição, sabemos o que está acontecendo e sentimos na pele o medo dos personagens. Se no segundo filme tivemos uma pegada mais emocional no lado dos macacos, neste filme, vemos a continuidade dessa perspectiva. Eles apenas querem viver em paz e negociam com paz. A trama dos macacos é a que tem mais tempo em cena e, na sua busca por vingança pessoal, Cesar abandona todos e segue uma jornada sozinho. Mas o nosso herói jamais está sozinho, acompanhado de amigos e personagens novos, ele trilha seu caminho pelo frio e devastado Estados Unidos do futuro.

O roteiro abre várias tramas, e as conecta de forma pouco satisfatória. O arco envolvendo uma menina é de fato intrigante, e a personagem tem seu proposito para estar em cena, mas tudo foi criado rápido demais e fica a sensação de que foi meio que jogado no filme. O arco que envolve César e o Comandante é emoção pura, seu desfecho precisa de bastante atenção para ser compreendido, mas quando todas as fichas caem, seu rosto vai junto e cai também no chão.

A joia do filme se chama Andy Serkis. Para quem não sabe, o ator é um dos mais respeitáveis e cultuados, quando o assunto é atuação por captura de movimentos. Dentre seu trabalho mais conhecido e amado, está o Gollum, um personagem importante da série de filmes O SENHOR DOS ANÉIS. Com uma roupa especial e a magia dos efeitos visuais, o ator vive o personagem com os movimentos e expressões faciais, e tudo isso, depois, é transformado no incrível macaco César. O tom de realidade empregado nessa técnica é sem igual, extremamente detalhista e impactante, resultado de um desempenho excepcional feito por um mestre nessa arte complicadíssima de se realizar.

O gigantesco elenco que cria seus personagens através dessa técnica, merecessem elogios sem fim, é perfeição para te hipnotizar. O vilão da vez é vivido pelo maravilhoso Woody Harrelson, que você conhece como Haymitch de JOGOS VORAZES. O Comandante tem muita autoridade e força em cena, seus olhares intimidam até quando você não fez nada. Todo o contexto em volta do personagem, motivações e seu desfecho, fazem você refletir até onde vai a maldade e se tudo tem uma justificativa.

Os efeitos visuais são extraordinários, se não forem lembrados no Oscar ano que vem, será o fim da picada. As batalhas, o clima e até as cicatrizes são de tamanha realidade que você jamais questiona sua existência. A trilha sonora tem muito destaque no filme, melodias tensas e dramáticas acompanham seus personagens até o fim. Destaque extremamente positivo para o 3D do filme, funciona em muitos momentos e ajuda a te jogar no meio desse caos, arrasaram.

Uma das melhores trilogias desse século se encerra, entregou três capítulos grandiosos e competentes, neste terceiro e último a intensidade está nas alturas. Mesmo com pequenas falhas no roteiro e uma duração um pouco extensa demais, PLANETA DOS MACACOS: A GUERRA é, sem duvidas, um dos melhores filmes do ano voltados para o grande público, basicamente o mais importante. É entretenimento para toda a família e ação para deixar qualquer um arrepiado.

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Rafael Yagami

Cinéfilo compulsivo, amante de livros e musica. A leitura e os filmes sempre me ensinaram a confiar em mim e ter sonhos grandes e é com isso que me armo todos os dias para lutar pelos meus objetivos.

13 COMENTÁRIOS

  1. Olá!
    Gostei muito dos seus comentários.
    Gostei muito dos dois primeiros filmes e estou bem animada pra assistir esse.
    Estava um pouco preocupada com as criticas, porque geralmente as sequencias são inferiores. Mas ainda bem que nesse caso esse filme é tão bom quanto <3
    Beijos

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    1. Pode ver sem medo de ser feliz, ta aprovadíssimo e espero que você goste também!

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  2. Não me lembro de ter assistido ao primeiro filme da guerra dos macacos, mas quando saiu o trailer deste filme, fiquei completamente anestesiada e entusiasmada, pois me pareceu que os efeitos especiais, a forma como foi desenvolvido me pareceu muito real, e palpável, com atores e atrizes com uma atuação maravilhosa. Estou super ansiosa por assistir esta estória.

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    1. Esse é o bom desse capitulo, poder assistir sem ter visto os anteriores, hoje em dia fica difícil acompanhar todos os lançamentos né, se gostar desse terceiro, pode depois ver os anteriores em varios serviços de Streaming ou até mesmo na tv, reprisa bastante.

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  3. Nunca vi muita graça nesses filmes e nem sei porque. Só não chamou a menor atenção pra ver, sabe? Ahh sei lá...
    Deve ser bom demais porque é bem elogiado mesmo, mas ainda não deu aquela vontade de assistir...
    Ele tem muita coisa legal, de efeitos e umas coisas pra refletir até. Mas o que achei bom foi de elenco mesmo. Se fosse ver seria pelo elenco.
    É bom ver que esse novo filme tem muita coisa que agrada, mesmo podendo ter umas falhas. No geral é uma história interessante e deve valer a pena assistir. Só preciso arrumar aquela vontade pra ver mesmo.

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    1. Sempre tem aquele filme que temos um pé atras né? acontece muito comigo também. Mas de uma chance, vai que vc gosta né?

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  4. Oi, Rafael!
    Adorei sua crítica, como sempre muito bem construída. Gosto muito dessa série de filmes. Sempre assisti a todos, inclusive os mais antigos.
    Infelizmente não poderei assistir nos cinemas, mas imagino o impacto que deve ser: trilha sonora, efeitos, interpretações, figurinos...adoro tudo! Mas com certeza irei ver depois, no sossego do meu lar!
    Muita expectativa.
    Obrigada por dividir suas impressões, foram muito motivadoras.
    Sempre é um prazer ler suas críticas, pois amo cinema e séries, assim como livros, e estar informada é muito bom.
    Abraços.

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    1. Em casa também podemos sentir toda a intensidade de um filme, tenho certeza que você vai gostar vendo em casa tanto quanto indo no cinema, nem sempre temos tempo ou recursos pra ir né, faz parte, espero que goste do filme quando puder assistir!

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  5. Rafael!
    O Andy Serkis esteve aqui no Brasil para o lançamento do filme e mostrou como eram feitos os efeitos das expressões de César e achei fenomenal o uso da tecnologia a favor do filme.
    Fato é que, como acompanhei todos os anteriores, não posso deixar de assistir esse que traz os conflitos e questionamentos entre macacos e humanos.
    Desejo uma semana de muita luz e paz!
    “Para cultivar a sabedoria, é preciso força interior. Sem crescimento interno, é difícil conquistar a autoconfiança e a coragem necessárias. Sem elas, nossa vida se complica. O impossível torna-se possível com a força de vontade.” (Dalai Lama)
    Cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA DE AGOSTO 3 livros, 3 ganhadores, participem.

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    1. Sim, o Andy veio aqui no nosso Brasil e amou demais, realmente esse terceiro capitulo esta imperdível! Espero que goste!

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  6. O filme se mostra incrivelmente depressivo (mesmo com momentos descontraídos), é praticamente um Noir em sua vibe. O olhar de Caesar em sua primeira aparição passa toda a insatisfação daquele momento e toda a tristeza por ver o destinos dos Macacos cada vez mais tomando um rumo desolador por conta de uma ordem militarizada liderada por um líder (Woody Harrelson em ótima perfomance) com características fascistas e nacionalistas, que escravizavam eles de uma forma bem semelhantes ao que os Nazistas fizeram com os judeus. Levando a um confronto cheio de twistes na história e mais momentos dolorosos na vida de Caesar e dos Macacos.

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    1. Verdade, apesar de tudo o filme é muito triste e depressivo, aquela cena do ataque na casa do César é pesadíssima.

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  7. O que realmente me motiva a conferir este filme - vi apenas o primeiro! - é a atuação do Andy Serkis. Ouvi muitas críticas positivas e que seu trabalho está digno de um Oscar. Vi alguns momentos dele em sua passagem pelo Brasil e não pude deixar de notar o quão carismático e atencioso esse profissional foi!

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