MEU AMIGO DAHMER

SINOPSE: MEU AMIGO DAHMER traz o perfil do psicopata Jeff Dahmer quando este ainda era um aluno do ensino médio. O autor do livro foi seu colega de turma nos anos 1970, e conviveu com o futuro “canibal de Milwaukee” com uma intimidade que Dahmer talvez só viesse a compartilhar novamente com suas vítimas. Juntos, Derf e Dahmer estudaram para provas, mataram aula, jogaram basquete. Os dois tomaram rumos diferentes, e Derf só voltaria a saber do amigo pelo noticiário, anos depois. Em 1991, os crimes de Jeffrey Dahmer vieram à tona: necrofilia, canibalismo e uma lista de pelo menos 17 mortos, entre homens adultos e garotos. O primeiro assassinato teria acontecido meses após a formatura no colégio. Além de remexer nos seus velhos cadernos e álbuns de fotografia, Derf consultou seus amigos de adolescência, antigos professores, os arquivos do FBI e a cobertura da mídia após a descoberta de seus crimes antes de roteirizar sua HQ - Derf BACKDERF - Editora DARKSIDE - 2017 - 288 páginas.

Entre os anos de 1978 e 1991, Jeffrey Dahmer matou, ao todo, dezessete pessoas. Teve relações sexuais com os corpos já sem vida, que guardava em um frigorífico para quando sentisse desejo novamente. Quando já não era mais possível, devido à decomposição, ele comia partes deles, com um prazer tão grande que sentia ereções. Depois, cortava as cabeças, tirava toda a carne, pintava os crânios e os colocava numa estante. Aquilo que não comia, ele dissolvia em produtos químicos, a ponto de ser possível se desfazer pelo ralo do banheiro.

Ele seduzia homens, na maioria negros, e os levava para seu apartamento, onde os drogava e matava. Sua última vítima, conseguiu escapar e procurar a polícia. O que encontraram no apartamente de Dahmer, vai além de qualquer noção de loucura. Corpos abertos no banheiro, pênis prontos para serem cozinhados, membros dentro da geladeira, toneis cheios de partes humanas em decomposição, cabeças dentro do congelador, entre outras barbáries.

Em seu julgamento, a defesa tentou provar que ele era insano. A acusação comprovou que Dahmer conseguia conter seus impulsos e que ele cometeu todos os assassinatos de forma premeditada. Ele foi condenado a 957 anos de encarceramento. Em 1994, ele foi assassinado na prisão por outro detento. Teve sua cabeça praticamente esmagada devido a pancadas.

Mas a HQ, MEU AMIGO DAHMER, não conta esses fatos. Ela se debruça sobre os anos que precederam o início dos homicídios, quando Dahmer frequentava o colégio. Através da visão do autor, Derf Backderf, que foi colega de Dahmer, e da visão de outras pessoas que conviveram com ele, o leitor percebe que era impossível adivinhar o que se passava pela cabeça daquele garoto. Fica evidente que ele precisava de ajuda, que era desajustado, que tinha uma família problemática e ausente, mas nada disso é justificativa, nem de longe, para o que ele se transformou.

Existe muita especulação sobre a responsabilidade dos pais em relação a Dahmer. Inclusive, em uma entrevista, o próprio afirma que é um erro jogar qualquer culpa para cima deles. Eu não concordo. Em MEU AMIGO DAHMER, fica evidente que o garoto vivia sozinho, mesmo morando com os pais, e, mais tarde, apenas com a mãe. Ele já possuía atitudes bizarras, como dissecar animais mortos que ele encontrava nas rodovias. Ele tinha um cemitério de animais no jardim de casa. Acontece que os pais dele não davam qualquer tipo de atenção ao filho, era como se ele fosse invisível. Com pais presentes, o comportamento errático de Dahmer teria sido percebido, tratado e, talvez, evitado de se transformar no monstro que transformou.

Mas essa displicência não se resume aos pais. Os professores do colégio, que viam o menino andando bêbado pelos corredores e nas salas, preferiram ignorar, uma vez que já o achavam esquisito. Os colegas de sala, a mesma coisa. O próprio Derf sabia que havia algo de errado com Dahmer, mas deixou para lá, não era responsabilidade dele. E esse é o problema do descaso: ele pode permitir o nascimento de monstros.

Os traços de Derf são retos, geométricos, frios, que somados à inexpressividade que ele coloca no rosto de Dahmer, causa arrepios. Todo em preto e branco, com quadrados espaçosos, poucos diálogos, a leitura avança de forma rápida. Eu comecei e terminei enquanto almoçava.

Na edição, no fim, temos uma relação das pessoas que depuseram para a construção de cada página, cada quadrinho da obra, além de observações do autor sobre cada um desses depoimentos. Temos, também, algumas páginas mostrando esboços, como tudo foi desenhado, além da foto de formatura da classe de Dahmer. Sim, bem bizarro!

MEU AMIGO DAHMER virou filme, que irá estrear ainda este ano. Iremos ver nas telonas, as histórias que Derf conta, e é incrível a semelhança do ator principal com o assassino. Tanto, que o Derf, ao conhecê-lo, pediu que ele tirasse os óculos, porque se sentia incomodado.

Ah, para quem quiser saber mais da história, existem vídeos da entrevista que Dahmer deu para uma rede de televisão. Sugiro que assistam, porque é assustador como ele é calmo e indiferente diante do que fez.



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Carl

Tenho várias paixões: livros, gibis (muitos gibis), filmes, séries e jogos (muitos jogos de PC e consoles), fotografia, natação, praia e qualquer chance de viajar para conhecer novos lugares e pessoas. Lamento o dia ter apenas 24 horas - é muito pouco ;>) -, e não saber desenhar O.O

19 COMENTÁRIOS

  1. Quero muito ler essa HQ, gosto de ler, assistir filmes e séries que falam sobre serial killers. É interessante a mente humana, o que temos capacidade de fazer, como no caso de Dahmer. O fato dos pais dele serem ausentes é um dos fatores dele ter se tornado um serial killer, porém, além disso, deve haver mais coisas que desencadearam esse comportamento, essas coisas aparecem desde a infância e ao longo dos anos vai se aprimorando. Eu vi um trecho da entrevista dele outro dia e realmente ele fala como se nada do que ele fez fosse monstruoso. Vi o trailer do filme que se inspirou nele, com certeza vou assitir!!

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  2. Oi Carl! Muito interessante essa HQ, aborda uma outra fase do serial killer até então desconhecida para nós. Não sabemos ao certo o porquê de alguém virar um psicopata, mas acho que nenhum dos fatores citados, ausência dos pais, amigos etc, são justificáveis, talvez como você falou, se alguém tivesse percebido esse comportamento dele desde a infância poderia ter sido tratado, o que não foi o caso. Os fatores apenas contribuíram sim para que chegasse ao ponto que chegou.
    Quero além de ler essa HQ, ver o filme também! Fiquei curiosa para saber mais.

    Beijos

    Vivian

    Saleta de Leitura

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  3. Olá, a obra chama atenção por mostrar como são moldados os psicopatas, pois eles não nascem predispostos a serem insanos, o meio no qual vivem os corrompem. Não sabia que terá um filme, mas com certeza vou conferir. Beijos.

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  4. Olá Carl, tudo bem:
    Que livro mais assustador! Muito triste quando vemos pessoas que cometem atos horríficos e se mostram totalmente indiferente à eles. Isto porque a HQ não trouxe todos os detalhes mais macabros. Outra coisa triste é verificar como a criação e a nã0-atenção dos pais podem influenciar negativamente a vida e as escolhas de um ser humano. Um pouco de atenção por parte dos pais ou dos professores poderia tornar esta estória pelo menos em parte diferente.
    Não sabia que iria sair um filme, estava curiosa para verificar uma HQ da Darkside.

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  5. Carl!
    Primeira vez que vejo uma Grafic Novel relatar fatos reais e ainda mais voltado para um enredo de psicopata.
    Difícil na adolescência principalmente, tentar identificar os 'sintomas' de um possível psicopata, principalmente no caso de Dahmer que era uma pessoa excluída e mesmo que todos os sintomas estivessem ali, a mostra, quem perceberia em fase tão turbulenta?
    Acredito mesmo que a HQ traz um questionamento importante.
    “O primeiro passo para a cura é saber qual é a doença.” (Provérbio Latino)
    Cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA DE SETEMBRO 3 livros, 3 ganhadores, participem.

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  6. Caramba, que assustador!
    Não é o tipo de leitura que procuro, acho que eu não teria nem estrutura emocional para fazer esta leitura. Nas primeiras páginas e eu já estaria fechando o livro de tanto medo.
    Mas de certa forma é um gesto bonito que Derf tente mostrar que Dahmer não é um completo monstro. Que houve motivos e descasos para que ele tivesse chegado naquele ponto.
    E também achei interessante ele ter feito em forma de HQ, acho que desta maneira perde um pouco do horror. Ou não.
    Ótima resenha, Carl.

    Abraços

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  7. Bem legal!! Não curto histórias sobre serial killers, mas essa mostra o que está por trás de tanta frieza e maldade. Mostra o porque dele ter se tornado assim. E isso acontece frequentemente. Infelizmente. Muitas crianças e adolescentes, são tratados com indiferença e sem receber a devida atenção e educação. E sim, isso acaba afetando o psicológico da pessoa. A falta de atenção, de cuidado, de carinho e zelo, faz com que a pessoa tenha seu psicológico que as vezes já é frágil, torne ainda mais afetado. E eles acabam fazendo coisas que não deveriam. Infelizmente essa é a realidade de muitos. E é interessante trazer, como dizem, "o outro lado da moeda."

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  8. Mas gente, eu nunca tinha ouvido falar dessa história! Sem palavras para o que ele fazia. Fui pesquisar entrevista no youtube mesmo, e a que achei ele já começa dizendo que a culpa não é de seus pais e que as pessoas tentam culpar seus pais de alguma forma.
    A HQ deve ser muito boa, a história do serial killer mais novo e contado por um amigo da turma deve ser muito mais interessante do que uma contando as coisas que ele fez.

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  9. Acho que finalmente vou me render a um HQ. Tinha que ser da Darkside.
    Adorei a resenha, a fã aqui de Hannibal Lecter ficou extremamente interessada. Já quero ver o filme. Vou procurar as entrevistas agora mesmo! Obrigada!

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  10. Este comentário foi removido pelo autor.

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  11. Oi, Carl!!
    Gostei muito da resenha e estou curtindo muito esses HQs lançados pela Darkside, ainda não li nenhum mais adoraria ler essa Hq!!! E por sinal a edição está linda!!
    Bjoss

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  12. Que gostoso ler essa HQ enquanto almoça hahahahaha
    Eu sou muito fresca pra HQ, não gostei do traço. Se fosse livro confesso que gostaria de ler (apesar de ser o 'outro lado' da história e eu gostar mais da parte das investigações, do que ele fez e tal).

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  13. Meu senhor, que HQ louca!
    Amo historia que aborda Serial Killer, é sempre tão bom saber o que se passa na mente de um e porque de fazer aquilo. Adorei muito essa HQ e vou atrás pra saber!
    Valeu pela dica, adorei mesmo!
    Beijos.

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  14. Eu estudei um pouco da história do Dahmer em uma cadeira da faculdade, e realmente ele age com tanta indiferença perante ao que ele fez que é assustador.
    Eu ainda não li a HQ, mas eu vejo que muita gente está lendo. O abandono por parte dos familiares e as pessoas próximas é um verdadeiro impulsionador da psicopatia, mas quando a pessoa tem esse distúrbio, é muito difícil a psicologia ou a psiquiatria conseguir resultados positivos. É algo além da compreensão.

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  15. Este comentário foi removido pelo autor.

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    Respostas
    1. TOP COMENTARISTA!!!
      Nossa o tema com certeza é bem forte,
      Ilustra a convivência com alguém que você
      Conheceu e chamou de amigo e que depois
      Descobriu que era um assassino deve ser assustador
      Pensar que poderia ter tomado alguma atitude para mudar as coisa.
      Eu não sei se leria essa HQ porque sai bastante da minha zona de conforto
      Mas daria um bom filme, que eu assistiria kkkkkkkk

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  16. Ta ai uma HQ que eu não quero ler.
    Nao gostei da sinopse e depois de ler a resenha me interessei menos ainda.
    Acho que um um dos fatos que contribuíram e que foi baseado em fatos reais, mesmo que seja antes de descobrirem sobre todas as coisas loucas que ele fez.

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  17. Oi! Meu Deus, quando comecei a ler a resenha achei que fazia parte do livro, mas saber que essa pessoa realmente existiu é assustador. Pode parecer estranho, mas fiquei super ansiosa para ler a obra haha Beijos

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  18. Apesar de gostar muito das publicações da editora e de como ela é diversificada em seu leque de publicações, esta GN não me conquistou de cara.

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