THE HANDMAID’S TALE

SINOPSE: Depois que um atentado terrorista ceifa a vida do Presidente dos Estados Unidos e de grande parte dos outros políticos eleitos, uma facção catolica toma o poder com o intuito declarado de restaurar a paz. O grupo transforma o país na República de Gilead, instaurando um regime totalitário baseado nas leis do antigo testamento, retirando os direitos das minorias e das mulheres em especial. Em meio a isso tudo, Offred é uma "handmaid", ou seja, uma mulher cujo único fim é procriar para manter os níveis demográficos da população. Na sua terceira atribuição, ela é entregue ao Comandante, um oficial de alto escalão do regime, e a relação sai dos rumos planejados pelo sistema.
TEMPORADAS: 1
EPISÓDIOS: 10
GÊNERO: Drama/Distopia
DURAÇÃO: 50 minutos
ANO DE LANÇAMENTO: 2017
CANAL: Hulu

A série de TV, THE HANDMAID’S TALE, uma criação de Bruce Miller, com produção do site Hulu, um serviço de streaming igual à Netflix, não poderia ter vindo em melhor época, uma vez que ela trata da exploração feminina e da privação de liberdade, trazendo à tona, atitudes semelhantes no atual governo dos EUA.

Baseada no livro O CONTO DA AIA, de Margaret Atwood, publicado em 1985, mais de trinta anos atrás, e que você pode ler a resenha AQUI, a série acompanha os dias posteriores à queda do governo americano e a subida de um regime militarista totalitário e teocrático, onde ocorre a supressão dos direitos humanos e a escravidão das mulheres consideradas férteis, já que 80% da população feminina ficou estéril devido a doenças e à poluição.

June (Elisabeth Moss), que, após o golpe, teve seu nome alterado para offred (De Fred, literalmente), passa a ser propriedade de Fred Waterford (Joseph Fiennes), um influente comandante, cujo esposa, Serena Joy (Yconne Strahovski), é estéril. Offred vai para o casa do casal, para que Fred possa copular com ela e engravidá-la. As cenas em que isso acontece, um estupro parcialmente consentido, na verdade, são repugnantes e, ao mesmo tempo, dotadas de uma alegoria que deixa claro até que ponto o ser humano aceita situações em prol de continuar vivo.

E continuar vivo é a essência de toda a série. Existem as pessoas que são totalmente absorvidas pelo sistema, que não possuem voz e nem vontade, e existem aquelas que, apesar de terem voz, não têm vontade, porque se tiverem, sabem que serão caladas. São as duas classes principais, uma representada pelas Aias (as mulheres férteis que servem as casas dos ricos) e pelas Marthas (empregadas domésticas, cozinheias, etc.); a outra, pelas famílias que trabalham para o novo regime, mas que sabem o preço da desobediência. Embora de formas diferentes, ambas as classes não possuem vontades ou liberdades.

A relação sexual não é o único ato alegórico da série. O parto também é dotado de alegorias ofensivas e absurdas, mas não impossíveis de compreender ou temer que pudessem se tornar reais. E nesses atos, embora quem esteja em pior situação sejam as Aias, é necessário destacar o quanto as mulheres dos comandantes, as que não podem mais ter filhos, se sentem inúteis, abandonadas pela natureza e pela vida, por não passarem mais de objetos decorativos que servem para acompanhar quem realmente ainda cria vida.

A perplexidade pela barbárie humana vai além dessas situações. Não é difícil ficar revoltado quando Offred anda pelas ruas e descobrimos médicos, homossexuais, padres, sendo enforcados e tendo os corpos deixados em praças públicas como lição; ou quando estupradores são apedrejados; ou quando pessoas são raptadas por carros negros e nunca mais aparecem; ou quando as mulheres estéreis pobres são abandonadas em regiões cheias de doenças, ou levadas para palácios, onde trabalham como prostitutas. Sim, você conhecerá toda essa forma de vida, ou subvida, na série, pelos olhos de pura raiva de Offred.

E neste ponto, preciso falar da atuação de Elisabeth Moss como June (Offred). O foco da câmera não hesita em ser preenchido totalmente pelo rosto e olhos da atriz. Suas expressões de nojo, de medo, de ódio, de desespero, todas devidamente controladas, uma vez que se a personagem se pronunciar, pode ser morta, são de uma competência, uma veracidade que emociona. Através de sua atuação, é fácil o expectador conseguir sentir uma pequena fração do que sentiria numa realidade daquelas. E mais impressionante ainda quando, através dos flashbacks da vida anterior ao golpe, quando June era livre, casada, tinha uma filha, assistimos a atriz atuar de forma completamente diferente. Em diversos momentos da série, existe apenas o rosto de June e o expectador como testemunha do que ela sente e demonstra através dos olhos e da boca trêmula.

Não é por acaso que THE HANDMAID’S TALE está arrebatando todos os prêmios aos quais concorre, bem como Elisabeth Moss. Um trabalho primoroso de produção, direção e atuação, que nos transmite o quanto nossa sociedade é frágil, como somos seres que nos adaptamos às leis mais desumanas apenas para nos mantermos vivos, e de como podemos ser cruéis com o próximo em troca de benefícios.

A série é bastante fiel ao livro, O CONTO DA AIA, e eu falo mais um pouco da história na resenha, não deixe de ler. Ela ganhou os principais prêmios para séries dramáticas no EMMY: melhor série dramática, direção, roteiro, atriz, atriz coadjuvante, atriz convidada, além de outros prêmios técnicos. A PARAMOUNT CHANNEL já comprou os direitos de exibição, e a data provável de estréia é algum dia de outubro. Fiquem atentos para não perderem ;)

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Carl

Tenho várias paixões: livros, gibis (muitos gibis), filmes, séries e jogos (muitos jogos de PC e consoles), fotografia, natação, praia e qualquer chance de viajar para conhecer novos lugares e pessoas. Lamento o dia ter apenas 24 horas - é muito pouco ;>) -, e não saber desenhar O.O

7 COMENTÁRIOS

  1. Melhor serie nova do ano, o nível de perfeição e talento do elenco é sensacional. Torcendo muito para levar tudo no Emmy, no Brasil a serie foi adquirida pela Fox Premium, canal fechado de tv, ainda sem data para a exibição, bem provável que seja exibida depois do hype do Emmy, o mesmo que rolou com a serie This is Us.

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  2. Oi, Carl. Eu tinha visto o poster dessa série só não sabia do que se tratava. Acho que não seria uma série que eu assistiria porque acho que tem cenas pesadas, mas apesar disso achei fantástica a história.

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  3. Olá Carl,
    Não posso perder esta estréia. Estou louquinha para ver, feliz em saber que está ganhando vários prêmios.
    Muito legal também a série ser fiel ao livro. Pretendo ler antes de assistir!

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  4. Já tinha ouvido falar dessa série , mas não sabia que tinha sido baseada em um livro. ( mesmo não conhecendo a estória gostei de saber do fato da série ser bem fiel ao livro. Um amigo me indicou essa série, ele disse que era boa e um pouco perturbada tbm.
    Talvez eu de uma chance a série, mas acho que vou tentar ler o livro primeiro.

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  5. Olá, essa é a melhor série do ano, sem dúvidas. Tudo converge para entregar ao espectador um entretenimento inteligente, ácido e reflexivo. Estou louco para ler a obra que deu origem a essa arte. Beijos.

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  6. Carl!
    Não tive oportunidae de ler o livro que dá origem a essa série e apesar de achar que o tema é forte e um tremendo absurdo, fiquei interessada em ver como tudo acontece, porque a sociedade é obrigada a aceitar o que é imposto, principalmente as mulheres.
    A série parece que captou bem a essência.
    Que o final de semana seja de alegria e paz!
    “Conhecimento sem transformação não é sabedoria.” (Paulo Coelho)
    Cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA DE SETEMBRO 3 livros, 3 ganhadores, participem.

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  7. Não sabia que essa série é baseada no livro Conto da Aia, lembro que li a resenha do livro alguns das trás e gostei muito. Acho que vou dar uma chance a essa série, pois gostei de sua premissa. Adorei os detalhes da resenha, beijos.

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