STAR TREK: DISCOVERY

SINOPSE: A nave estelar da Federação, USS Shenzhou, encontra uma frota hostil, e a primeira-oficial, Michael Burnham, decide desafiar a atitude pacifista de sua capitã.
TEMPORADAS: 1
EPISÓDIOS: 15
GÊNERO: Ficção-científica
DURAÇÃO: 43 minutos
ANO DE LANÇAMENTO: 2017
CANAL: Netflix

Eu convivo com STAR TREK desde quando me lembro como gente. Sim, convivo, porque esse universo tem seu lugar em uma parte de meu caráter e da forma como vejo o mundo. Vocês podem achar que estou exagerando, mas vou explicar os motivos, assim compreenderão um pouco do que quero dizer.

A primeira característica de STAR TREK reside na sua diversidade. Em 1966, quando estreou a série clássica, uma época onde predominava o preconceito racial, a Guerra Fria, a Guerra do Vietnã, a luta pelos direitos femininos, a série de TV tinha em seus principais personagens, um japonês, um russo, uma afrodescendente, um alienígena de orelhas pontudas, além de personagens secundários de diversos outros países e planetas. Já tivemos um capitão aventureiro e galã, um capitão feio e careca, um capitão negro e uma capitã. Não existe descriminação por raça ou gênero sexual na série. Foi em um episódio de STAR TREK onde aconteceu o primeiro beijo inter-racial da história da televisão.

A segunda característica de STAR TREK reside na amizade construída através da confiança e do respeito. Os personagens ajudavam uns aos outros, independentemente do perigo ou do risco de colocarem as próprias vidas em risco, de forma fiel, inequívoca. Esse senso de família, passava a mensagem de como era importante existir união entre as pessoas.

A terceira característica de STAR TREK reside na mensagem de paz, de prosperidade, de esperança, que todos os episódios, HQs, desenhos e livros passaram. Não importava a civilização ou as raças que eles encontravam, a primeira frase sempre era sobre aceitação, sobre pacificação, sobre ajuda e compartilhamento. Não havia uma parede separando os mundos, mas apenas a chance de todos serem apenas um.

Após mais de 50 anos desde a estreia do primeiro episódio, STAR TREK conta com cinco séries de TV, uma série animada, treze filmes, dezenas de HQs e dezenas de livros, além de uma infindável gama de produtos distintos. É inegável a importância e a dimensão que o universo, iniciado com Kirk, Spock e McCoy, atingiu.

Feita essa introdução, o que mais me fascina em STAR TREK é justamente a relação de amizade entre personagens tão diferentes, e as mensagens de igualdade e de paz que são transmitidas. Eu tento levar em minha vida, esse tipo de conduta, para comigo e para com todos os com quem convivo. É algo que foi enraizado em meu caráter desde pequeno e parte desse plantio se deve a essa série.

Assim, foi com grande ansiedade que esperei pela estreia de STAR TREK: DISCOVERY na Netflix, desta vez com uma mulher afrodescendente como principal personagem. Esperava que a essência desse universo fosse mantida, da mesma forma como está sendo feito no cinema, e não me desapontei. Está tudo lá, com todas as suas mensagens de tolerância, de paz, de igualdade e com a costumeira diversidade racial dos personagens.

Os eventos ocorrem alguns anos antes do período de tempo dos últimos três filmes da franquia de Chris Pine, Zachary Quinto e Karl Urban, como Kirk, Spock e McCoy, respectivamente. Michelle Yeoh é a capitã, enquanto Sonequa Martin-Green é a primeira-oficial, uma humana criada em Vulcano. Os dois episódios iniciais giram em torno do relacionamento das duas e de como elas precisam lidar com o ressurgimento dos Klingons, inimigos declarados dos humanos, que estão dispostos a iniciar uma guerra.

Ainda não é possível prever o que virá nos próximos episódios, em um total de 15 nesta primeira temporada, uma vez que os acontecimentos não são totalmente concluídos e o destino das duas personagens fica incerto. Segundo fontes, apenas a partir do terceiro episódio é que a audiência poderá ter uma ideia do que vem por aí.

Todos os personagens estão bem representados, inclusive a dualidade do alienígena Saru, um oficial de ciências vivido por Doug Jones, que rouba as cenas onde aparece. Houve momentos em que achei que ele era covarde, outros, que era precavido, e outros em que era o melhor dos amigos. Os efeitos especiais, o som da ponte de comando, a movimentação das naves, o cenário dos corredores da nave, tudo bem caprichado, acima dos padrões de qualidade da maioria das séries do mesmo gênero.

Uma das coisas que me surpreendeu, foi a maquiagem. Extremamente bem feita para uma série de TV, o diretor não economizou tomadas em que os rostos dos alienígenas ocupavam toda a tela, deixando perceber cada detalhe das feições, e tudo me pareceu muito, muito natural, real, bem feito de verdade. E outra coisa de aplaudir é que a produção manteve os Klingons conversando entre eles na própria língua de origem e não em inglês. Inclusive, a Netflix disponibilizou uma legenda toda em Klingon O.O!!!!!

Os episódios seguem a tendência serializada atual, ou seja, eles são como capítulos dentro de uma história maior, da mesma forma como DEMOLIDOR, JESSICA JONES, WALKING DEAD, GAME OF THRONES, etc. Isso é algo inédito em STAR TREK, uma vez que em todas as outras séries, os episódios se fechavam neles próprios, com algumas exceções para episódios duplos, de finais de temporada, ou um fato ou outro que se completava durante a temporada.

Bem, acho que não preciso dizer que recomendo assistir a nova série, mesmo para quem não é fã de ficção-científica, mesmo para quem nunca assitiu ou leu algo de STAR TREK. A narrativa de DISCOVERY pode ser compreendida por qualquer pessoa, sem se sentir perdida. Mas mais importante, enxergue STAR TREK pelas mensagens que ela passa, pelo relacionamento entre os personagens e pela qualidade das histórias. Tenho certeza de que conseguirá abstrair algo de importante e útil para sua vida ;)

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Carl

Tenho várias paixões: livros, gibis (muitos gibis), filmes, séries e jogos (muitos jogos de PC e consoles), fotografia, natação, praia e qualquer chance de viajar para conhecer novos lugares e pessoas. Lamento o dia ter apenas 24 horas - é muito pouco ;>) -, e não saber desenhar O.O

5 COMENTÁRIOS

  1. Eu particularmente sou leiga no assunto e nunca tinha ouvido falar neste título, ou na obra em HQ, no entanto a forma como você a descreveu de forma tão plena, envolvente, e cativante, me deixou bastante curiosa para ver esta diversidade dentro da obra, onde nos depararemos com mensagens reflexivas, por isto lhe digo que sua resenha foi convincente o bastante para que eu pudesse dar uma chance e assistir a nova série. Espero gostar e me surpreender.

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  2. Então eu já gosto desse universo apesar de não me considerar uma fã aficionada pela série, sempre que surge uma oportunidade assisto e assim quero sim ver essa produção da Netflix e se já não estivesse interessada com certeza estaria depois do seu apaixonado post, gostei de todas as razões que você deu pra se curtir esse universo que vem fazendo sucesso há tantos anos e ganhando novas adaptações. A diversidade, o pioneirismo com o primeiro beijo inter-racial (não sabia disso), a amizade e as mensagens de paz, de prosperidade, de esperança que você citou fazem de Star Trek imperdível :)

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  3. Não vi Star Trek: Discovery na Netflix, mas sem dúvidas irei dar uma conferida!
    Eu acho bem diferente este universo, e para você que é fã, deve estar sendo muito bom acompanhar esta série, é bom acompanhar histórias que a gente convive e acabam moldando nossa forma de pensar sobre determinados assuntos.
    Pretendo assistir esta série.

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  4. Carl!
    Como você Star Trek permeou minha infância, adolescência e vida adulta. Tive oportunidade de assistir as primeiras séries e filmes (mas não conta para ninguém que tenho mais de meio século de vida, viu?).
    Gostaria demais de poder acompanhar essa nova série e pelo vito, vou ter de assinar a Netflix, não tem jeito.
    Meus valores são iguais aos da série e isso me estimula a cada vez mais assistir.
    Desejo um ótimo final de semana!
    “Saber quando se deve esperar é o grande segredo do sucesso.” (Xavier Maistre)
    Cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA DE OUTUBRO 3 livros, 3 ganhadores, participem.

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  5. Depois de tantos elogios a série, vou ter que procurar para ver!rs
    Nunca fui fã de Star Trek, Star Wars..(não me condene).
    Não foi por falta de tentativas, já que procurei todos os filmes e tentei na época, fazer eles me prenderem..mas foi em vão!
    Já vi uns trechos da série,mas tinha pulado(admito).
    Vou tentar dar uma nova chance!
    Beijo

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