JUSTICEIRO

SINOPSE: Depois de se vingar dos responsáveis pela morte da sua esposa e filhos, Frank Castle (Jon Bernthal) desvenda conspiração mais profunda que submundo do crime em Nova York. Conhecido agora na cidade como Justiceiro, ele precisa descobrir a verdade sobre as injustiças que afetam mais do que apenas sua família.
TEMPORADAS: 1
EPISÓDIOS: 13
GÊNERO: Drama/Ação
DURAÇÃO: 55 minutos
ANO DE LANÇAMENTO: 2017
CANAL: Netflix

Criado por Gerry Conway, Ross Andru e o famoso John Romita Jr., o Justiceiro apareceu pela primeira vez na revista do Homem-Aranha, em 1974. Inicialmente, ele seria um dos vilões dos quadrinhos, mas seu carisma e a sua história, marcada por tragédias, aos poucos, transformaram-no em um dos personagens mais admirados dos quadrinhos. Depois de vários fracassos em transportar o personagem para o cinema, finalmente, na série do Demolidor da Netflix, surgiu sua versão mais fiel e definitiva, com o excelente John Bernthal no papel.

A aceitação do público foi tão positiva, que seria inevitável criar uma série apenas dele. Mesmo assim, ficava a dúvida se o personagem, o ator e os roteiristas conseguiriam entregar algo com qualidade suficiente para dar continuidade a mais temporadas. Felizmente, posso dizer que sim, JUSTICEIRO, da Netflix, é tudo aquilo que os fãs queriam: uma história bem amarrada, fidelidade aos quadrinhos, interpretações excelentes, muita violência e ação.

John Bernthal é um ator que consegue expressar toda a selvageria do personagem, dando uma credibilidade a todas as cenas em que aparece. É curioso ver como em um momento ele consegue entrar em uma batalha cheia de sangue, e no momento seguinte, nos flashbacks, convencer como um bom pai, alguém capaz de carinho e atenção. Mas são nos momentos de conflito, quando ele grunhe ao mesmo tempo que luta com alguém, quando arregala os olhos e torce a boca, com as veias inchadas do pescoço, que demonstra o quanto é mortal e consegue transmitir todo o medo que o Justiceiro causa.

Uma grande surpresa é a participação intimista de Ebon Moss-Bachrach como Microship. Nos quadrinhos, ele é um personagem secundário que serve apenas de apoio para Frank. Na série da Netflix, o personagem vai muito além disso. Ele é muito bem construído, tanto que serve como um espelho dos mesmos dilemas que Frank sofre, mas sem a carga de violência e psicose. O ator consegue transmitir toda a dor, angústia, impotência e medo por ter que viver escondido, dado como morto, para poder manter sua família a salvo, que não sabe que ele está vivo.

Amber Rose Revah, como Madani, a agente que tenta encontrar e prender Frank para que ele testemunhe sobre o assassinato de um policial, é impactante e demonstra toda a força que uma mulher precisa ter, além das paredes que precisa derrubar, para se provar igual, ou superior, às contrapartes masculinas. A atriz mostrou um vigor e entregou uma interpretação tão visceral quanto a de Bernthal.

Por fim, Bem Barnes, como Billy Russo, mais tarde, o Retalho, é competente no papel de melhor amigo que vira o pior inimigo. A origem do vilão não é igual aos quadrinhos, mas ela é bem construída durante toda a série, e ao final, quando finalmente vira o Retalho, e da forma que vira, consegue apagar qualquer descontentamento pela falta de fidelidade com os gibis.

Não existe nenhuma menção ao Demolidor, ou qualquer outro herói da Marvel, mas temos a participação de Deborah Ann Woll, a Karen Page. A personagem tem uma função ativa e importante na trama, então não é apenas um adereço. Ela continua com a missão de conseguir emergir o que Frank tem de melhor, e Frank demonstra cada vez mais que Karen é a pessoa com quem ele mais se importa na vida. Os dois tem uma boa química e convencem como par romântico sempre que aparecem juntos.

Quanto ao roteiro, ele se estende pelo necessário para construir e destruir todo o cenário da série. Existe vários pontos que chegam a levantar questões para discussão, como o porte de armas, o desarmamento, a influência da CIA, o abandono dos soldados pelo governo, a deterioração mental devido a missões desumanas, o vício da guerra sobre quem participou, as cicatrizes de batalhas, entre várias outras. Entretanto, a série nunca entra a fundo em qualquer uma dessas questões, apenas apresenta exemplos e fatos, de ambos os lados, e deixa que o espectador tire suas próprias conclusões. Isso pode ser bom, essa liberdade de escolha, mas também pode ser ruim, porque pode parecer que os roteiristas não tiveram coragem de sair de cima do muro. De qualquer forma, as questões estão todas lá, não foram escondidas ou mascaradas, bem como a violência, que chega a ser extrema nos episódios finais, sem com uma trilha sonora que acelera o coração e impressiona pela dureza.

JUSTICEIRO é uma das melhores séries da Netflix e da atualidade. Não é para qualquer público, principalmente para aquele que se sente incomodado com cenas fortes, mas é para o público que gosta de uma boa história, com interpretações impecáveis e que deixa a sensação de dever cumprido diante dos fãs.

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Carl

Tenho várias paixões: livros, gibis (muitos gibis), filmes, séries e jogos (muitos jogos de PC e consoles), fotografia, natação, praia e qualquer chance de viajar para conhecer novos lugares e pessoas. Lamento o dia ter apenas 24 horas - é muito pouco ;>) -, e não saber desenhar O.O

5 COMENTÁRIOS

  1. Segui as indicações de um outro blog que sigo e não vi esta série de um fôlego só.rs Fui vendo capítulo a capítulo, sem aquele desespero de terminar logo. Cada episódio é denso demais, precisava deste tempo para absorver e curtir todo o peso e a dor do personagem.
    Os dois últimos episódios são um tapa na cara de tanta dor e sofrimento. A gente fica numa agonia que dá gosto.
    Super série sim e diria eu, uma das melhores do ano com certeza!
    Beijo

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  2. Olá!
    Eu vi o trailer mas ainda não assisti, tô com bastante séries acumuladas, mas assim que der qro conferir!
    Bjs!

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  3. Não entendo de nada desses quadrinhos de coisa do tipo, esses heróis e tudo mais xD
    Tem muita série do tipo saindo e confesso que não é lá meu estilo. Mas que bom que ela tá boa. O ator me chamou atenção por ter visto em TWD, achava ele bom. Se tem uma interpretação legal e cai no personagem tão bem isso é ótimo pra quem queria assistir. Vi tanto sendo falado da série antes de sair...
    Agora, toda a violência e esses troços de ação e coisa assim...humm, não sei se iria gostar tanto. Talvez adore ao ver, mas ainda reluto em assistir essa série. Só não é meu estilo mesmo. Mas se sobrar um tempo do monte de série acumulada que invento de ver, quem sabe né? Se tá boa deve valer a pena.

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  4. Oi Carl!
    Meu namorado está acompanhando a série, e gostando bastante. Eu gosto de heróis, mais me adaptar com ele é complicado ... De fato, o pessoal gosta bastante do Justiceiro. Entrando de férias começarei a assistir, espero gostar.
    Beijos

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  5. Carl!
    Já anotei aqui, agora que tenho Netflix, fico em busca de boas séries e depois de toda explanação que fez, fiquei doidinha para assistir. Estou terminando Outlander e em seguida assistirei essa, obrigada pela dica.
    Do jeitinho que gosto.
    “A poesia contém quase tudo que você precisa saber da vida.” (Josephine Hart)
    cheirinhos
    Rudy

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