LEGEND, PRODIGY e CHAMPION

SINOPSE: O que antes for a o Oeste dos Estados Unidos é agora o lar da República, uma nação perpetuamente em guerra com seus vizinhos. Nascida em uma família de elite em um dos distritos mais ricos da República, a adolescente de quinze anos June, é um prodígio prometida ao sucesso no mais alto círculo militar do país. Nascido nas favelas, o adolescente Day é o criminoso mais desejado do país. Mas sua motivação pode não ser tão maliciosa quanto parece. De mundos muito diferentes, June e Day jamais cruzariam o caminho do outro, até o dia em que o irmão de June, Metias, é assassinado e Day se torna o principal suspeito. Presos em um jogo de gato e rato, Day está correndo para salvar a vida de sua família, enquanto June deseja vingar a morte de Matias. Mas em uma chocante reviravolta, os dois descobrem a verdade sobre o que realmente os uniu, e até onde seu país está disposto a ir para guardar seus segredos - Marie LU - Editora ROCCO - 2014 - 256 páginas.

LEGEND

LEGEND é ambientado em Los Angeles, na atual República da América. O Primeiro Eleitor é o homem que comanda a República, que, por sua vez, possui um inimigo: os Patriotas. Além, é claro, da praga que assola a sociedade.

June é a menina prodígio da Republica, já que foi a única pessoa a conseguir atingir a pontuação máxima na Prova que todos devem fazer aos 10 anos de idade, e atualmente com apenas 15 anos, ela estuda na melhor Universidade da República, a Drake. A pontuação que você obtém na Prova irá definir o seu futuro. Aqueles que alcançam as melhores notas, ganham o direito de ir às Universidades.

Já Day, também com 15 anos, reprovou na Prova e, atualmente, é conhecido por ser o criminoso mais procurado da República. O problema é que a República não faz ideia de qual a aparência de Day. Os destinos de Day e June se cruzam quando Day é acusado de assassinar o capitão Metias, irmão de June. Agora, June quer vingança e depositará todas as suas energias em encontrar Day.

LEGEND é um livro que demorou para conseguir me conquistar. A narrativa é bastante lenta e me entediou em alguns momentos. Quando leio uma distopia, sempre espero conhecer os mínimos detalhes dessa sociedade que está sendo proposta, desejo poder visualizar seus cidadãos, a forma como é organizada e o estilo de vida que levam as pessoas. E LEGEND me frustrou nesse quesito, pois a sociedade não foi bem construída.

Se pegarmos exemplos clássicos de distopias, como 1984 e ADMIRÁVEL MUNDO NOVO, conseguimos enxergar todos os detalhes dessas sociedades, mas isso não acontece com LEGEND. As distopias atuais se utilizam de um molde pronto para caracterizar suas supostas sociedades distópicas: desigualdade, pobreza, autoritarismo, alienação e muita violência. Enfim, infelizmente, LEGEND não é diferente.

O que diferencia LEGEND da maioria das distopias, é que aqui, a alienação está em toda parte, em todas as classes e não apenas na população menos favorecida, como é de costume.

Sobre os personagens: eu simpatizei com ambos os protagonistas. Day e June são fortes e determinados, ambos estão dispostos a tudo por suas famílias. June é especialmente inteligente e observadora, enquanto Day, não menos inteligente, é muito protetor e carrega muita raiva dentro de si. O romance proposto é um tanto quanto inverossímil, por conta da rapidez com que acontece, mas, mesmo assim, não é nada que comprometa a leitura. A narrativa é feita em primeira pessoa, alternando o ponto de vista entre Day e June.

O ritmo vai ficando mais dinâmico conforme a leitura progride, e a partir da metade do livro, a leitura se tornou realmente envolvente. LEGEND não é exatamente inovador, mas, mesmo assim, cumpre com o que foi proposto, e o final garante que o leitor sinta vontade de ler a continuação.

PRODIGY

Em PRODIGY, segundo livro da TRILOGIA LEGEND, Day e June estão mais sozinhos do que nunca. Após fugirem e evitarem a execução de Day, o irmão mais velho do protagonista acabou morrendo em seu lugar, enquanto que o irmão mais novo continua nas mãos da República.

Machucado e determinado a encontrar seu irmão, Day, acompanhado de June, acaba recorrendo aos Patriotas. Porém, os Patriotas não são um grupo de caridade e, obviamente, eles querem algo em troca. O Primeiro Eleitor acaba de morrer e quem assume o posto é seu filho. Os Patriotas, por sua vez, escalam Day e June para o elaborado plano de matar o novo Primeiro Eleitor.

Eu gostei bem mais de PRODIGY do que havia gostado de LEGEND. Gosto da forma como o livro nos mostra que nem tudo é preto no branco, que nem sempre há certo e errado, o bem e o mal. A história coloca, não só os protagonistas, mas também os leitores em uma situação de não saber em quem confiar, que caminho seguir ou quais escolhas fazer. O livro todo nos causa essa sensação de incerteza.

A história demora um pouco para tomar forma, assim como ocorreu no primeiro livro, e por isso foi difícil me envolver. Porém, quando as coisas começam a ficar mais claras, o livro se torna muito envolvente.

Ao contrário do que aconteceu no primeiro livro, aqui o relacionamento de Day e June está mais maduro e, portanto, mais verossímil. Em momento algum, a autora fez desse relacionamento um conto de fadas. O relacionamento é complicado e real.

O segundo livro corrige as falhas do primeiro ao dar mais atenção às questões políticas e não apenas ao romance. Aqui, a formação da República é explicada e inclui, não só fatores políticos e econômicos, como também fatores ambientais e climáticos. Além disso, as relações internacionais também são exploradas.

O fato de o livro ser narrado em primeira pessoa, alternando pontos de vista entre Day e June, torna a leitura ainda mais incrível, pois ficamos a par dos sentimentos e dúvidas de ambos os protagonistas, o que faz muita diferença nessa história. Porém, esse é também o maior defeito do livro. A narrativa fortemente introspectiva, cheia de pensamentos, reflexões e dúvidas, torna o livro maçante em alguns momentos.

Os conflitos entre Day e June são muito envolventes e, cada vez mais, as origens diferentes que eles possuem os afastam um do outro. Como a menina prodígio da República que nasceu na nobreza e nunca precisou lutar por comida pode compreender os objetivos e as motivações do menino pobre, marginalizado e vítima dessa sociedade altamente desigual.

Enfim, por todos esses fatores, PRODIGY é melhor que LEGENDPRODIGY é uma distopia de verdade, enquanto que LEGEND era um romance ambientado em uma sociedade distópica. Por fim, apesar de ter gostado bastante do livro, sinto uma dúvida crescente dentro de mim: Será que eram necessários três livros para contar essa história?

CHAMPION

CHAMPION é o terceiro e último livro da TRILOGIA LEGEND. No final do segundo livro, PRODIGY, Day e June se despediram de forma emocionante, e Day conseguiu resgatar seu irmão mais novo, Éden. Agora, meses após a despedida, Day cuida de seu irmão e luta contra sua doença, enquanto June treina para a posição de Primeira Cidadã, ao lado de Anden.

No entanto, os protagonistas se reencontram quando Anden convence June a contatar Day. Porém, Day não ficará nada satisfeito com o motivo de ter sido chamado. Os Patriotas estão ameaçando atacar a República, pois um vírus está se alastrando e a cura pode estar em Éden. Diante disso, Day terá que escolher entre salvar as pessoas do vírus e ter de entregar seu irmão para servir de cobaia (de novo), ou proteger seu irmão e deixar que pessoas morram.

Mais uma vez, o ponto forte do livro é colocar os leitores frente a frente com dilemas morais que não possuem soluções simples. Ao longo de todo o livro, assim como aconteceu nos dois primeiros volumes, são apresentadas questões tensas, pois são questões que não possuem uma resposta certa.

Eu gostei de conhecer a Antártida e senti falta de saber mais sobre essa outra sociedade que a trilogia nos apresenta, pois acho que a forma como eles se organizam renderia até um novo livro. Eu gostei muito do final, é triste na medida certa, agridoce e condizente com a realidade desse mundo em que Day e June vivem. Ao mesmo tempo, o final oferece ao leitor um resquício de esperança. Seria inconsistente dar um final de contos de fadas para uma distopia. Portanto, achei coerente.

Enfim, de modo geral, a TRILOGIA LEGEND é mediana. O sucesso do casal é bastante improvável, a sociedade é pouco explorada, os cenários não são bem construídos e a autora abusou de clichês, como o já ultrapassado triangulo amoroso.

Por outro lado, os conflitos são muito bem elaborados, e Marie Lu consegue colocar o leitor em uma posição extremamente delicada e difícil de se posicionar. Ficamos o tempo todo “em cima do muro”, sem saber o que faríamos se estivéssemos no lugar dos personagens. Quando a autora resolve se preocupar com a construção da sociedade, a trilogia ganha um novo tom e se torna uma distopia de verdade.

Finalizando, não posso deixar de falar das edições da Editora Rocco, que estão realmente lindas e muito bem trabalhadas.

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Priscila

Sou psicóloga, casada e a leitura sempre foi parte essencial em minha vida, assim como a escrita e o cinema.

14 COMENTÁRIOS

  1. Mesmo com livros tão lindos, só consegui ler o primeiro livro :/ Não sei entender os motivos, mas a história não me prendeu. Parece que os personagens não me fizeram querer imaginá-los ou querer conhecê-los!
    As capas são maravilhosas e prometo a mim mesma, dar uma segunda e terceira chance a história!
    beijo

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  2. Putz, mas adorei esses livros quando li. O primeiro foi meio arrastado, demorei um pouco pra ver a graça de tudo e o que estava acontecendo, entrar nesse mundo e conhecer os personagens. Mas gostei das possibilidades do que poderia vir em seguida. O segundo me deixou bem mais animada pelo mundo de coisa que começou a explorar e mostrar. Um pouco mais desse mundo deles, de como as pessoas agem nele e a coisa política e a luta dos dois personagens. Foi bem legal e teve muita coisa ali que me envolveu e fez ler bem rápido naquela ânsia de saber onde iria parar. No terceiro as coisas começam a se resolver, complicam, novas dificuldades e tudo mais que a gente espera em final de série assim.
    Ahh, gostei. Foi uma história que me envolveu, os conflitos e coisas morais, a sociedade deles e tudo mais me deixou interessada e presa. E com vontade de ler mais da autora.
    Acho que se você já leu muita coisa do tipo pode ter várias coisas que soam clichê ou até mal feitas, que lembram demais outras e etc. Depois de um tempo acaba sendo inevitável ver algo mais do mesmo. Mas se estiver procurando algo do tipo pela primeira vez ou sem ler muitas coisas assim é uma boa pedida. São livros fáceis, pequenos e que prendem.

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  3. Oi Priscila!
    Eu tenho a trilogia há algum tempo mas ainda não li acredita?
    Tô tomando coragem pra ler ainda rsrs
    Quem sabe na próxima meta eu consiga...
    Bjs!

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  4. Olá Priscila!
    Esta trilogia está entre as minhas favoritas. Concordo que a ambientação da sociedade não foi tão bem construída como em outras distopias, mas esta ganha em mistério e alienação!
    E é muito legal ver que representantes de diferentes setores da sociedade vão se unir e compartilhar seu descontentamento e sua vontade de lutar por um lugar melhor.
    Como você, o fato que sempre me irrita é a presença do triângulo amoroso, mas neste caso ele até que se mostra verdadeiro, assim como toda a estória. É uma distopia "possível" e menos mascarada e alegre do que as outras mostradas nos demais livros (por isso que me fascinou, pela idéia de ser algo que ainda iremos vivenciar).
    Gostei muito de ver a resenha da trilogia aqui! Acredito que apesar dos problemas, ela não deve faltar na nossa estante!

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  5. Priscila!
    O bom de ver a resenha de uma série todos juntos, é que podemos acompanhar o desenrolar de cada história, a melhora ou não do desenvolvimento das personagens e no caso aqui, o que mais me chamou atenção, foi o fato da dominação ser feita para todos e não apenas para os menos favorecidos, como em outras distopias.
    Desejo um ótimo domingo!
    “A poesia contém quase tudo que você precisa saber da vida.” (Josephine Hart)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA novembro 3 livros, 3 ganhadores, participem!

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  6. Para quem gosta de distopias, acho que é uma boa pedida, os livros devem mostrar um mundo que apesar de diferente do nosso, as regras e as pessoas querendo poder e conflitos socias e políticos são os mesmos. Acho que o último livro parece ser o mais envolvente, com o vírus que pode matar as pessoas e o fato de Day ter que decidir o que fazer, acho que tanto ele quanto June apresentam personalidades distintas que no final se completam.

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  7. Olá, eu só li o legend até agora,e achei razoável, como você mesma disse Pri, ele não tem nada de inovador mas cumpre o que foi proposto.
    Eu achei que ele é mais um daqueles romances distópicos de young adults. Esperava ser do nível dos jogos vorazes. Este romance é mediano, mas irei ler a continuação só por curiosidade.

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  8. Não conhecia a trilogia até ler sua resenha, mas não é do tipo que eu queira ler. A resenha ficou ótima e muito bem explicada me causando curiosidade, mas não é aquela coisa "NOSSA, PRECISO LER" é mais algo mediano como "interessante, mas não". Talvez pelo fato de nunca ter lido livros do tipo e já ter visto filmes do estilo (muitos, por sinal), tenha dado aquela enjoada do clichê que aparece e torna aqui sempre a mesma coisa [ou quase].

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  9. Olá! Confesso que também fiquei um pouco desanimada no decorrer da leitura do primeiro livro, a história, para mim, foi meio arrastada e senti falta dos detalhes como você disse, mas não desisti. O segundo livro foi bem melhor, tive que lê-lo de uma vez só, por causa dessa sensação de incerteza que ele nos causa, e não me arrependi, já o terceiro livro, cumpriu seu objetivo, apesar dos clichês, só achei a história meio corrida no final.

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  10. Olá,

    Não conheço a trilogia, e infelizmente não é a leitura que me chame muito atenção. Mas gostei da resenha pelo fato de traz um enigma e um tanto de suspense, pois conforme descrito não sabemos em quem confiar e para June é difícil a situação assim como para o Day. Se eu tiver oportunidade de ler a trilogia eu dou uma chance!
    Bj :*

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  11. Olá, faz muito tempo que li essa trilogia, mas ela continua sendo uma das minhas preferidas. Confesso que não senti falta de uma melhor caracterização do universo criado pela autora, sem contar que a mesma consegue prender o leitor com seus plot twists surpresas. Beijos.

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  12. Oi Priscila!
    Faz um tempo que não leio distopias, e apesar da trilogia estar na lista de desejados a um tempo ainda não consegui comprar. Acho interessante que todos as distopias que li até hoje fazem a gente encarar esses tais dilemas morais, na verdade acho que um pouco do foco deles é exatamente isso.
    O enredo é maravilhoso, é claro, apesar de alguns pontos parecem fracos, acho que a autora trabalhou mto bem a escrita! Espero ler logo.
    Beijos

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  13. Oi, Priscila!
    Finalmente consegui comprar o primeiro livros dessa trilogia e espero gostar dessa estória!! Amei a resenha da trilogia!!
    Bjoss

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  14. Oi, Priscila!
    Gosto quando a resenha de uma série, e dos três juntos e mais fácil de acompanhar .
    tenho a trilogia mas ainda não li

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