CIDADES DE PAPEL

SINOPSE: Nesse romance do premiado escritor John Green, o adolescente Quentin Jacobsen tem uma paixão platônica pela magnífica vizinha e colega de escola Margo Roth Spiegelman. Até que, certa noite, ela invade sua vida pela janela de seu quarto, com a cara pintada e vestida de ninja, convocando-o a fazer parte de um engenhoso plano de vingança. E ele, é claro, aceita. Assim que a noite de aventuras acaba e um novo dia se inicia, Q vai para a escola e então descobre que Margo desapareceu. No entanto, ele logo encontra pistas e começa a segui-las. Impelido em direção a um caminho tortuoso, quanto mais Q se aproxima de Margo, mais se distancia da imagem da garota que ele pensava conhecer - John GREEN - Editora INTRÍNSECA - 368 páginas.

NOTA: Esta resenha foi escrita em 16/07/2015, mas resolvemos resgatar para o presente alguns textos de obras mais conhecidas, para aqueles leitores que não leram nas datas de publicação do post. Faremos isso regularmente ;)

No início de CIDADES DE PAPEL, Quentin, o personagem principal e narrador da história, diz o seguinte: 
“Na minha opinião, todo mundo tem seu milagre. (...) Meu milagre foi o seguinte: de todas as casas em todos os condados em toda a Flórida, eu era vizinho de Margo Roth Spiegelman.” 
Acho que a maioria das pessoas, se não todas, já encontraram alguém em suas vidas que consideraram seu pequeno milagre pessoal. Aquela garota ou garoto que você acha que nunca esquecerá, por ser seu amor ou por ser sua melhor amiga ou amigo. A moral de CIDADES DE PAPEL acaba por ser essa: até que ponto uma pessoa é assim tão especial, tão importante? 

Após negar ajuda a Margo em uma situação, logo no início do livro, a amizade dos dois quebra, e eles seguem caminhos separados. Nos anos seguintes, Quentin apenas idealizou o que Margo estava se tornando, uma vez que não sabia de verdade o que ela pensava nem por que fazia o que fazia, como fugir constantemente de casa para viver aventuras estranhas. No fim do colegial, Margo, do nada, decide pedir ajuda a Quentin novamente, num plano de 11 etapas que irá acertar as pendências da garota com vários desafetos. Quentin, desta vez, não consegue recusar. 

Toda a primeira parte de CIDADES DE PAPEL, que termina no desaparecimento de Margo após a aventura noturna ao lado de Quentin, manteve meu interesse. Em determinados momentos, como na parte em que os dois estão no alto de um edifício, é romântica e conseguiu me fazer sentir empolgação pelo que eles estavam vivendo. 

Entretanto, após o desaparecimento de Margo, quando Quentin convence os dois amigos, Ben e Radar, a participarem da busca por pistas do paradeiro da garota por quem é apaixonado, eu senti apenas tédio. Tudo transcorre de forma tão extensa, maçante, com diálogos sem interesse para prender minha leitura, que, em diversos momentos, senti vontade de dormir. E tudo complica ainda mais quando os três amigos, mais Lacey, a melhor amiga de Margo, começam a desconfiar que a moça não é assim tão especial quanto imaginavam. 

Ao descobrirem o paradeiro de Margo, os quatro (Quentin, Ben, Radar e Lacey) inciam uma viagem de 21 horas para chegarem até o local. Mas, a exemplo dos capítulos anteriores, o que acontece não chega a empolgar. As situações são narradas de forma mais apressada, o que alivia um pouco a falta de interesse. E quanto encontram Margo, eles se defrontam com uma explicação que é decepcionante. 

O que consegui abstrair de CIDADES DE PAPEL, e que é destacado de maneira bem contundente em diversas partes do livro, sem necessidade, uma vez que bastava apenas uma vez, são duas coisas: a superficialidade da vida da maioria das pessoas, que se entregam a uma rotina e a uma falsa ideia de que são felizes; e a decepção ao se descobrir que aquela pessoa que você idolatra tem todos os defeitos e faltas de qualquer outra. 

Quentin, apesar de quase perder a amizade de Ben e Radar por causa de sua fixação, consegue se soltar e aprender que a vida pode ser muito mais do que aquilo que nos limitam desde a infância. Que nós podemos ir além dos muros que achamos que existem ao nosso redor, e que nos mantém numa falsa segurança e num conforto de limitações. Mas ele aprende algo mais importante: ninguém é um milagre para ninguém. Os relacionamentos são baseados em interesses ou em dependências emocionais. Não existe aquela pessoa feita exclusivamente para você, para sua felicidade. Isso não aparece na sua frente, mas se constrói através de respeito, lealdade e amor verdadeiro.

Ah, e tem o filme.

Bem, eu achei a versão cinematográfica muito superior. Aquilo que não encontrei nas páginas do livro de John Green, encontrei no cinema. A química entre Quentin, Ben, Radar e Lacey existe, é convincente, é engraçada e faz você rir em diversos momentos. A viagem deles empolga e entretém. E a aventura noturna ao lado de Margo é mais romântica e enigmática. Isso sem mencionar o final, que dignifica Quentin e esclarece que, apesar da decepção, existiu, sim, um enorme aprendizado e um fortalecimento da amizade dos quatro amigos. 

Também existe, nos últimos segundos do filme, todo um diálogo em off de Quentin, enquanto acompanhamos o final do colegial e a partida para a faculdade, deixando na saída do cinema uma vontade de acompanhar os próximos anos dos quatro amigos.

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Carl

Tenho várias paixões: livros, gibis (muitos gibis), filmes, séries e jogos (muitos jogos de PC e consoles), fotografia, natação, praia e qualquer chance de viajar para conhecer novos lugares e pessoas. Lamento o dia ter apenas 24 horas - é muito pouco ;>) -, e não saber desenhar O.O

23 COMENTÁRIOS

  1. Todos estão dizendo que a versão cinematográfica é superior e isso me consola, pois o livro não me impressionou, assim como o outro título do autor, Teorema de Katherine. Após ler esses dois livros, ganhei A culpa é das Estrelas de uma amiga, mas estou sem coragem de encará-lo com preguiça de enfrentar mais um livro teen capital... Obrigada pela resenha! Boas leituras!

    www.linguaeliteratura.com.br

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  2. Ainda não vi o filme, mas pretendo vê-lo e comparar com o livro.

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  3. Acho que sou a única pessoa que nunca leu nenhum livro do John Green. Eu não sei, tenho a impressão, pelas resenhas que vejo, que são livros tediosos, como vc disse sobre Cidades de Papel. Acho que o que mais tenho vontade de ler, talvez, é A Culpa é Das Estrelas e Quem É Você, Alasca? =D

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  4. Eu já li dois livros do JG e não gostei nada, achei que é muito parado e a história no final acaba sendo meio previsível. Mas eu tenho vontade de ler esse (e assistir ao filme) gostei bastante do trailer, parece ser melhor que os outros.

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  5. Os livros do John são sempre: amo ou odeio!
    por exemplo, eu amei Quem é você, Alasca? e minha amiga nao gostou...ja ela amou Cidaes de papel, e a maioria ds criticas que vi sobre esse livro nao sao muito boas kkkk
    ainda não li, mas quero muito!

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  6. Cidades de Papel foi minha primeira experiência com o tio João Verde. E concordo com você: a primeira parte sem dúvidas é muito mais empolgante do que a parte da procura por Margo,mas devo dizer que me empolguei muito com as pistas deixadas por ela e como os amigos as foram solucionando.
    Quanto ao final não gostei de jeito nenhum.
    Q o rei da friend zone.
    O filme com certeza é bem melhor q o livro (milagre!) rsrsrs

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  7. É o raro caso de uma adaptação no cinema ser superior sim ao livro! Quando li o livro, não consegui me prender na história de forma alguma. Foi uma leitura arrastada, Margo não me convenceu e a achei fútil demais. Quentin(aliás, amo esse nome por trazer Tarantino à mente) é um personagem afável, doce e de certa maneira, humano demais. Ele sim é cativante!
    Acho que John já fez histórias melhores!rs
    Beijo

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  8. Oi, Carl. Se o filme é chato ao extremo (pelo menos eu não consegui assistir ele), imagine, o livro (apesar de falar sobre o primeiro amor e a amizade).

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  9. Não vi o filme ou li o livro, não consigo me empolgar pra ler outras obras desse autor apesar de ter curtido muito o único livro que li dele, mas achei a resenha interessante e ao passo que o livro fica um pouco lento em algum momento da história e não empolga tanto o filme parece ser bem interessante e as mensagens transmitidas pela história interessante e significativas e assim fiquei com vontade de ver o filme ;)

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  10. Gosto de livros que retratam sobre a amizade, e este lado de que muita das vezes isto e construído através dos interesses pessoais, e que a pessoa não é só da gente, e que tem outros amigos das quais se relacionam, e por isto devemos desenvolver este vínculo através de muito respeito e dedicação. Bom, confesso que nunca me interesse por ler a obra, pelo fato de sempre ler muito elogios negativos a respeito da obra, porém quero muito dar uma chance ao filme, da qual ainda não tive oportunidade de assistir.

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  11. Esse não foi aquele livro que me empolgou do autor, como disse tem muita coisa ali que beira ao tédio. Mas tem uma graça por essa coisa de desmitificar uma idolatria por uma pessoa, aquele negócio de a vida ser bem diferente, de a gente cair na rotina e como isso é um saco e coisas assim. Sei lá, gostei pela coisa toda de não ser o que a gente gostaria que fosse, não sei explicar...
    A gente fica o livro todo naquela curiosidade pra saber o que aconteceu com a garota, onde ela se enfiou e no final quebra a cara por as coisas serem mais simples do que imaginava. Acho que isso tem muito na vida da gente e isso foi algo que me fez gostar da ideia toda da trama. Tem umas coisas chatinhas, mas tem outras bem animadoras também.

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  12. Um livro bastante falado, parece ser uma grande aventura entre amigos. O fato de Quentin idealizar a Margo de um jeito, acho que todos nós já passamos por isso na adolescência, e na verdade não é nada daquilo que imaginamos.

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  13. Olá Carl,
    Acredito que li este livro justamente por volta de 2015, na ocasião do lançamento, e também vou "resgatar" minha leitura!
    Me lembro de não ter me empolgado muito com a estória, achei o enredo "bonitinho", mas nada além disso.
    Concordo que os ideais de amizade e a lição de vida trazidos são muito importantes, como a ideia da superficialidade na qual vivemos, agarrados a nossa rotina e a uma suposta felicidade. São ideias interessantes que sempre é legal revisitar.
    Na totalidade do livro, me esqueci de vários detalhes, não conseguindo me empolgar muito com a leitura.

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  14. Este comentário foi removido pelo autor.

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  15. Assisti ao filme e achei bem mais ou menos, daqueles que não irei assistir novamente. Quanto ao livro, nunca me interessei por ele. John sempre tem isso, quando lança um livro vira febre, e todos ficam loucos pra ler, depois que passa um pouco vão começando a perceber as falhas.

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  16. Oi! Nunca li o livro e nunca me interessei pela obra (e depois da adaptação, quando rolou vários spoilers nas redes sociais, perdi mais ainda a vontade). Tirando A culpa é das estrelas (que ainda sim foi bem mais ou menos), nunca tive interesse nos livros do Green. Eu também teria vontade de dormir se eu pegasse a obra kkkk mas, se por algum milagre eu sentir vontade de conhecer a história, já sei q é melhor eu optar por assistir o filme.
    Ps: que bom que apesar de tudo tu conseguiu retirar algumas coisas da obra para levar para vida. Beijos

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  17. Olá! Concordo com você quanto ao livro, que realmente deixou muito a desejar, a história não me prendeu e eu sinceramente carreguei a leitura até o fim, pois não consigo largar um livro pela metade, tamanha foi minha frustração que ainda não consegui coragem para encarar o filme.

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  18. Carl!
    Já tive oportunidade de ler o livro e achei que enaltecer a futilidade foi até importante mas foi exagerada, o que gostei mais foi a amizade entre os amigos em querer desvendar o mistério do desaparecimento.
    Já assisti o filme também, mas gostei mais do livro, é mais detalhado e gostei.
    Um domingo abençoado na paz do Senhor e FELIZ NATAL!
    “Celebrar o Natal é crer na força do amor, é isto que transforma o homem e o mundo. Feliz Natal!” (Desconhecido)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA dezembro 3 livros + 2 Kits papelaria, 4 ganhadores, participem!

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  19. Nossa como me identifiquei com essa resenha! É exatamente o que eu pensei quando li o livro e quando vi o filme.
    Li o livro antes do filme, as filmagens já estavam acontecendo quando eu li, então peguei o filme bem fresquinho. Mas a leitura foi tão entediante e chata para mim, só gostei do livro em alguns momentos... Mas o filme me surpreendeu muito, pois eu até ri! rsrs achei engraçado e agitado, e o final deixou bem claro que toda a viagem uniu os amigos. Ótima resenha!

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  20. Faz um bom tempo que li o livro e assisti ao filme na época que foi lançado, mas pelo pouco que lembro da história é de se admirar a lição que o livro que nos passar e esse foi um dos motivos dela ter me prendido . Realmente acho a história meio devagar e não o considero uma das minhas melhores leituras, porém o livro tem seu valor. Amei os pontos positivos do livro ressaltado na resenha.

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  21. Nossa, não imaginava que esse livro fosse tão decepcionante. Puxa, os livros desse autor são tão comentados e vendidos. So de ler a resenha ja fiquei triste. Vou assisti ao filme, talvez seja melhor.

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  22. Eu vejo resenhas boas de Jonh Green, me motivo a ler, mas depois vejo resenhas negativas e aí perco o interesse. Depois de ver a culpa é da estrelas no cinema, não fiquei interessada nos livros dele e nem em assistir outros filmes, simplesmente por não ter gostado da forma como ele conduziu a história. Não sei bem explicar o porquê, mas não tenho vontade de ler nada dele. Sinto uma vibe apelativa na escrita do John Green.
    Ouvi falar que a personagem feminina, Margo, não é cativante e um pouco chata e isso pode ter sido um dos motivos pra não ter dado uma chance ao livro.
    Ainda na dúvida se assisto ao filme, mesmo amando cinema.
    Gostei dessa postagem de resenhas antigas. As vezes esquecemos da história de determinado livro, ou o livro mesmo antigo é muito bom e vale a pena ser lembrado.

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  23. Oi, Carl!!
    Ainda não li nada do John Green e não sei se algum tinha vou ler, no momento prefiro assistir os filmes, mas que sabe em algum momento não pego algum livro dele para ler!!
    Bjos

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