A CASA DE PAPEL

SINOPSE: Um grupo de assaltantes invade a casa da moeda da Espanha com o objetivo de realizar o maior roubo da história. Com reféns, eles pretendem produzir o próprio dinheiro. Para isso, terão que lidar com a polícia e com os conflitos internos entre eles.
TEMPORADAS: 1
EPISÓDIOS: 13
GÊNERO: Ação/Drama
ANO DE LANÇAMENTO: 2018
CANAL: Netflix

Quais os ingredientes para conquistar uma audiência? Alguns, são: uma história envolvente, personagens carismáticos, uma direção firme e ágil, situações conflitantes, reviravoltas, perseguições, surpresas, ação, um final surpresa, expectativa pelo clímax. Se uma série tiver metade dessas qualidades, já possui grandes chances de ser um sucesso. A CASA DE PAPEL consegue reunir todas, e isso explica o motivo de ser uma febre na Netflix. Todos querem ver, e quem já viu, adorou.

O principal trunfo são os personagens. Praticamente todos conseguem fisgar algo de quem assiste, seja uma identificação, uma simpatia, uma paixão, raiva, compaixão, enfim, é impossível ficar impassível. As atuações são convincentes, os flashbacks que contextualizam os motivos de cada um estar onde está e ser como é, são apresentados nos momentos certos e com duração suficiente para não atrapalhar a ação ou entediar. E esse é o segundo trunfo da série: nada acontece sem um motivo, sem fisgar a cena seguinte, sem tirar a atenção de quem assiste.

Tokio (Úrsula Corberó) é a narradora e o rosto da série. Ela não é quem mais aparece, mas ela representa, mesmo sendo uma das assaltantes, aquilo que o expectador quer fazer e falar. A atriz derruba com o olhar e passa a confiança necessária para torcermos por ela. Aliás, até metade da primeira temporada, não há como não torcer pelos assaltantes. O roteiro, a atuação e a direção cuidam para que isso aconteça, para que surja uma espécie de Síndrome de Estocolmo entre os bandidos e os expectadores. Aos poucos, isso diminui um pouco, pelo menos com alguns deles, mas não com os principais.

No último episódio da primeira temporada, existe uma cena com o Professor (Álvaro Morte), o cérebro do plano para assaltar a casa da moeda, em que ele está para cruzar o limite que impede que se crie uma torcida contra ele. Nessa parte, fica claro que todas as emoções, e a consequente torcida pelos assaltantes, são muito bem construídas com esse mesmo objetivo. Em A CASA DE PAPEL não existe a polícia contra os bandidos, não existe o bom e o mau, mas um grupo de pessoas boas dentro de sua perspectiva, contra outro grupo de pessoas também boas dentro de sua perspectiva. Então, até o último episódio, e desde que o tal limite não seja cruzado, temos a esperança de um final feliz para ambos os grupos.

O terceiro trunfo da série, está na construção novelesca de cada episódio. Sabem aquelas novelas mexicanas onde a cada dia aparece uma surpresa maior do que outra, por mais absurda ou ilógica que seja? Bem, em A CASA DE PAPEL cada situação tenta seguir uma lógica que surpreenda, mas o importante não é essa lógica ser correta, o importante é apenas que ela surpreenda. Existe furos demais no roteiro. Decisões por parte da polícia, como por parte dos assaltantes, que em um momento são inteligentes, em outros são estúpidos e em outros beiram a clarividência. Ou seja, o importante não é exclusivamente criar algo que seja equilibrado, mas, sim, que deixe o expectador preso no que está acontecendo e ansioso pelo que vai acontecer. Tudo converge para a emoção, enganando a razão e apagando os furos e os absurdos.

Por exemplo, temos o relacionamento amoroso entre o Professor e Raquel (Itziar Ituño), a chefe da divisão policial responsável por prender os assaltantes. Em alguns momentos ela conversa com ele em uma lanchonete, achando que ele é apenas um galanteador interessado em um caso amoroso, e em outro momento ela conversa com ele através de um telefone com modulador de voz, quando ele é o chefe dos bandidos. Ou seja, uma relação dúbia e mantida pelo desconhecimento por parte de Raquel de quem ele é na verdade. Seguindo esse exemplo, cada um dos personagens tem um envolvimento com outro, seja um assaltante, um refém ou um policial, e cada um desses relacionamentos interfere de forma direta ou indireta na direção para onde a trama segue. Ou seja, como uma novela, o expectador fica preso nas tramas pessoais de cada personagem, torce pelos seus favoritos e anseia pelo capítulo final.

A CASA DE PAPEL teve duas temporadas na Espanha, sendo a primeira com nove episódios, um intervalo de quatro meses, e a segunda temporada com seis episódios, em um total de quinze. A NETFLIX alterou um pouco a duração dos episódios, transformando a primeira temporada de nove em treze e com o plano de exibir a segunda em maio deste ano. 

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Carl

Tenho várias paixões: livros, gibis (muitos gibis), filmes, séries e jogos (muitos jogos de PC e consoles), fotografia, natação, praia e qualquer chance de viajar para conhecer novos lugares e pessoas. Lamento o dia ter apenas 24 horas - é muito pouco ;>) -, e não saber desenhar O.O

9 COMENTÁRIOS

  1. A Casa de Papel é a nova sensação do momento. Só se fala nisso. As vezes me sinto um et por nunca ter assistido a série

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  2. Tipo, acabei de ver a série completa ontem..rs Não dava para esperar até Abril, onde a Net exibirá a "segunda" temporada.
    E mesmo se arrastando um pouco em comparação a primeira parte, o desfecho da série é fabuloso!!!
    Impossível não se apegar aos personagens. É um roteiro por vezes, tosco,sem grandes efeitos, mas há uma coisa que faz com que quem assista, não consiga desgrudar o olho da tela e torcer pelos bandidos. Aliás, li estes dias que seremos julgados no final por torcer pelos bandidos em A Casa de Papel e por Lúcifer na série que leva o mesmo nome..rs(adoro)
    Super recomendada!!!
    Beijo

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  3. É uma temporada apenas, dividida em duas partes, como por exemplo, foi a temporada final de Breaking Bad ou Mad Men.

    A história é boa por conta do professor, pois os demais assaltantes são horríveis, eram para serem profissionais e tem erros de ladrozinhos amadores. A série envolve, mas deixa muito a desejar. Roteiro forçado, situações extremamente forçadas... Ainda estou no sexto episódio, espero que melhore. Até agora nota 6/10

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  4. Oii Carl!!!
    Só se houver flar dessa série, e mto mto bem...
    Já me indicaram mtas vezes e eu ainda não tive tempo de acompanhar , confesso que a curiosidade é bastante, assim que conseguir qro conferir.
    Bjs!

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  5. Viciada nesse negócio. É cada coisa que acontece e a vontade de ver e saber no que vai dar, e os problemas surgindo e a gente gritando e torcendo para os assaltantes mas também pra polícia é muito doido xD
    Vicia. Vi um episódio e gostei, o resto foi só ansiedade. E é louco mesmo como colocam pequenas coisas que surpreendem. Nem precisa seguir tanta lógica, surpreende pelo quanto a gente tá envolvido. Ahh mas gritei demais com esse povo, torci, esperei, ansiei....é uma loucura. Série boa mesmo. Deixa a gente muito ligado na trama e doido pra saber como todo mundo vai ficar nessa história.

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  6. Quando comecei a assistir não imaginava que iria gostar tanto, no entanto quando se mostra ação, revira voltas, surpresas, personagens cativantes, e uma história inteligente e muito bem construída, impossível não se sentir atraída. E devorei em uma semana todos os episódios. E agora quero mais do que nunca a segunda temporada. Sinceramente na minha opinião, tem história para até a quarta temporada. Já que se eles conseguir concluir o assalto, quero saber o que cada um vai fazer com o dinheiro. Torço para que muitos dos assaltantes tenham um final feliz.

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  7. CArl!
    Pois é...ainda não tive oportunidade de assistir, mas já anotei aqui, porque séries que trazem surpresas e ainda muita ação, sempre me conquistam e quero poder conferir.
    Um carnaval de alegria e moderação e bom final de semana!
    “Quer você acredite que consiga fazer uma coisa ou não, você está certo.” (Henry Ford)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA FEVEREIRO: 3 livros + vários kits, 5 ganhadores, participem!
    BLOG ALEGRIA DE VIVER E AMAR O QUE É BOM!

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  8. Uma novela mexicana, filmada na Espanha e reduzida para uma série. Acho que essa é a melhor definição. Como foi triste ver uma série que prometia boas coisas acabar daquela maneira.

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  9. Está é aquela serie que todo mundo já viu, menos eu kkkkk
    Fiquei um pouco com receio de não gostar, mas agora vou ver, fiquei curiosa para saber que série é essa e entender toda a trama.

    http://garotaeraumavez.blogspot.com.br/

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