EU ESTIVE AQUI

SINOPSE: Quando sua melhor amiga, Meg, toma um frasco de veneno sozinha num quarto de motel, Cody fica chocada e arrasada. Ela e Meg compartilhavam tudo... Como podia não ter previsto aquilo, como não percebera nenhum sinal? A pedido dos pais de Meg, Cody viaja a Tacoma, onde a amiga fazia faculdade, para reunir seus pertences. Lá, acaba descobrindo muitas coisas que Meg não havia lhe contado. Conhece seus colegas de quarto, o tipo de pessoa com quem Cody nunca teria esbarrado em sua cidadezinha no fim do mundo. E conhece Ben McCallister, o guitarrista zombeteiro que se envolveu com Meg e tem os próprios segredos. Porém, sua maior descoberta ocorre quando recebe dos pais de Meg o notebook da melhor amiga. Vasculhando o computador, Cody dá de cara com um arquivo criptografado, impossível de abrir. Até que um colega nerd consegue desbloqueá-lo... e de repente tudo o que ela pensou que sabia sobre a morte de Meg é posto em dúvida. Eu estive aqui é Gayle Forman em sua melhor forma, uma história tensa, comovente e redentora que mostra que é possível seguir em frente mesmo diante de uma perda indescritível - Gayle FORMAN - Editora ARQUEIRO - 2015 - 226 páginas.

Comprei EU ESTIVE AQUI por impulso. Estava na livraria Leitura de minha cidade para tomar o desjejum, uma vez que lá servem um chocolate quente delicioso, e vi na banca de lançamentos o livro de Gayle Forman. Como não havia lido nenhuma obra dela, mas havia gostado do filme Se eu ficar, revolvi conhecer o estilo da autora. Foi uma coincidência que o tema tratado por ela seja um complemento do tema da resenha de REENCONTRO, de Leila Kruger, cuja resenha você pode ler AQUI!

Em REENCONTRO, você acompanha o sofrimento da personagem principal ao combater a depressão. Em EU ESTIVE AQUI, você acompanha o outro lado, o lado de quem assiste uma pessoa próxima arruinar a vida sem entender o motivo por ela fazer isso. Ou seja, realmente é o complemento para o entendimento de uma doença moderna. Assim, o leitor fica com a percepção real de duas visões distintas e de como nos comportamos de forma confusa quando lidamos com a depressão.

Quando Meg comete suicídio, Cody, a personagem principal, não consegue compreender o motivo. A amiga era alegre, popular, inteligente, estava em uma boa faculdade, era paquerada e paquerava, ou seja, tinha uma vida plena, se não perfeita. A forma como ela faz, meticulosa, planejada, deixa Cody ainda mais perplexa. Cody era sua melhor amiga e não aceita o fato de ter ficado de fora do problema que poderia ter originado ato tão extremo. Ao acatar um pedido dos pais de Meg e buscar os pertences de Meg na faculdade, Cody descobre e-mails, um relacionamento com um cantor e outros detalhes que indicam que Meg pode ter sido obrigada, ou influenciada, a cometer suicídio. Por causa disso, Cody começa a buscar a verdade.

EU ESTIVE AQUI precisa ser analisado de dois pontos de vista distintos: como obra literária, ele é fraco, sem um enredo que cause interesse crescente ou personagens que cativem. O relacionamento de Cody com Ben, o cantor que se relacionou com Meg, é previsível e sem muito interesse. Os problemas familiares dela, também não tem qualquer novidade e, de certa forma, não interessam e nem influenciam em nada a história. Na verdade, tudo o que é narrado em paralelo à busca de Cody pela verdade, passa a sensação de que está lá para preencher páginas, mesmo o livro tendo poucas. Mas existe um outro ponto de vista, que, como se descobre nos agradecimentos finais da autora, é o de denúncia. E, por isso, é uma leitura indispensável.

O livro não tem a mesma profundidade nem o envolvimento emocional de REENCONTRO, mas isso é positivo, porque é dessa forma que se comportam as pessoas que se relacionam com quem sofre de depressão. A revelação final, que explica o motivo do suicídio, pode parecer forçada ou, até mesmo, sem propósito, mas, sem entrar em detalhes para não estragar a leitura, existe um sentimento de vergonha naqueles que sentem essa doença e naqueles que tentam ajudar quem tem essa doença. Isso é um equívoco terrível e que pode desencadear consequências devastadoras. A depressão deve ser tratada como o que ela é, sem preconceito, sem medo do que ou outros vão pensar. Só dessa forma é possível ajudar quem está pedindo por socorro, desesperadamente.

Cody sofre com o sentimento de culpa por não estar ao lado de Meg quando ela precisou de ajuda. Cody não sabia que ela precisava de ajuda, mas acha que seria uma variável que poderia ter mudado o destino da amiga. E, de certa forma, ela tem razão. Ninguém é culpado pela ignorância, mas não se pode desviar do fato de que se não fosse por ela, as coisas poderiam ser diferentes. E a ignorância pode ser resolvida com um pouco mais de atenção e interesse pelos outros no dia a dia.

Somado a isso, existe a estupidez humana. A inclusão social na Internet é como uma arma: se usada da forma errada, pode ser uma coisa terrível. Não se pode censurar o conteúdo, mas se pode perseguir e condenar aqueles que passam dos limites e usam a rede para causar estragos, de forma direta ou indireta. Como acompanhamos no livro, existem, sim, grupos de apoio ao suicídio. Não aqueles grupos que te ajudam a enfrentar seus problemas, mas, sim, aqueles que te dão ideias e formas de cometer o suicídio. Eles te enchem de mensagens, onde afirmam que você será mais feliz morto do que enfrentando seus medos. É absurdo, irracional, doente, nojento a existência de sites e fóruns com esse propósito, mas eles estão por aí, fáceis de serem achados e prontos para te ajudar a fazer uma enorme, gigante besteira. E essas pessoas, mesmo que não te obriguem a cometer suicídio, deveriam sofrer as penalidades pelo que publicam. Infelizmente, isso não acontece.

Gayle Forman denuncia na forma de uma história o comportamento preconceituoso dos familiares com quem sofre de depressão. Denuncia como alguém com depressão passa despercebido perto dos amigos, principalmente pela vergonha que sente pela possibilidade de descobrirem. Denuncia a existência de fóruns que ajudam pessoas com depressão a cometerem suicídio, distribuindo documentos com venenos eficazes e até o que se sente quando são ingeridos. Por essas coisas, realmente não importa a qualidade da história como ficção, mas sim o que ela apresenta.

Então, leia EU ESTIVE AQUI. Como disse lá em cima, é uma obra indispensável. E mais: preste bastante atenção no que é dito nas páginas de agradecimento ao final.




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Carl

Tenho várias paixões: livros, gibis (muitos gibis), filmes, séries e jogos (muitos jogos de PC e consoles), fotografia, natação, praia e qualquer chance de viajar para conhecer novos lugares e pessoas. Lamento o dia ter apenas 24 horas - é muito pouco ;>) -, e não saber desenhar O.O

14 COMENTÁRIOS

  1. Realmente a depressão é tratada como de pouca importância por muitos.
    Apesar das "falhas" no enredo, como você muito bem descreveu, o assunto é de total relevância e deve ser bastante discutido.
    Fiquei bastante interessante em descobrir os mistérios de Meg e o a levou a tomar uma atitude tão drástica

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  2. Oi, Carl.

    Esse é um tema que precisa ser abordado, e muito nos livros.

    A Cody irá descobrir, infelizmente não de uma maneira solícita, que muitas vezes, as aparências enganam e que há coisas que não dá pra compreender mesmo, pois não podemos enxergar o interior das outras pessoas e decifrar algo. Digo isso, por experiência própria.

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  3. Olá Carl!
    Eu li Se eu ficar e Para onde ela foi da autora e amei, a escrita dela é boa e a leitura foi o que esperava, qro ler outras obras dela assim como esta Eu estive aqui, ainda mais por se tratar de um assunto tão delicado como este, espero ler em breve.
    Bjs!

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  4. Passei por um suicídio na família recentemente(cerca de uma semana). E por muitos momentos me pego pensando em como um cara novo(38 anos), pai de dois filhos, casado e com uma vida estabilizada e produtiva, pode ter do dia pra noite, decidido que não queria mais. Ninguém havia notado a doença nele. Ele fazia tudo. Vivia. Participava da comunidade. Vivia a família.Como aconteceu sem que ninguém notasse?
    Acho que é bem isso que o livro acima quer mostrar, que todos nós, até você, eu e tantas outras pessoas, vestimos as máscaras dos dias, mas ninguém sabe de fato como estamos por dentro.
    Ainda não conheço as letras da autora, mas pretendo conhecer em breve.
    Vai para a lista de desejados!
    Beijo

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  5. Oi Carl.
    Tenho o livro na prateleira e ainda não tive tempo para ler, mas está na fila.
    Acho que os relacionamentos da história se tornaram fracos porque esse não era o foco da autora, o que pra mim é um ponto positivo, ler sobre a depressão, suas consequências, é o monte de mer** que achamos por aí incentivando isso é mesmo leitura obrigatória.
    Tive a oportunidade de ler Se eu ficar e Para onde ela foi, se esse livro for escrito na mesma intensidade dos outros eu acredito que irei gostar.
    Beijos

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  6. Oi Carl
    Não li nada do autor mas também vi o filme e gostei bastante. Acho que esse é o grande propósito da obra, passar alguma mensagem e mostrar o que acontece. E mesmo não sendo a obra mais criativa ou etc ela é uma obra que todos deveriam ler. Realmente enfrentar a depressão não deve ser fácil, e ser o expectador de tudo isso também é difícil. Entendo a culpa dela, e sim devemos ser mais atentos ao próximo. Ótima recomendação.

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  7. Gostei muito desse livro dela e por já ter lido aqueles de Se eu ficar antes e ter adorado a forma como ela escreve. Achei o tema muito bom e ficou como uma forma de alerta por mostrar o lado de quem está de fora, como a gente deixa passar sinais, como não percebe e até como a pessoa com uma doença como depressão e coisas assim consegue esconder muito da gente. Essa culpa da personagem foi fácil de simpatizar, o lado dela foi fácil de entender. Pode não ser daqueles livros profundos e coisas assim, mas achei muito boa a forma como ela conduziu a trama. De forma mais simples, que faça uma pessoa mais jovem ler e conseguir entender e tal, sabe...gostei dele.

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  8. Oi Carl.
    Eu gosto muito da escrita da autora. Já li Se eu ficar, Para onde ela foi, Apenas um dia, Apenas um ano e O Que Há de Estranho em Mim. Só falta ler Eu estive aqui e Quando eu parti.
    Às vezes a trama não é super desenvolvida e você precisa ler nas entrelinhas, refletir sobre o assunto e tentar ver a história sob pontos de vistas diferentes.
    Fiquei mais curiosa para ler Eu estive aqui depois da sua resenha e com certeza vou prestar atenção aos Agradecimentos.
    Acho que livros com temáticas mais pesadas como depressão, suicídio e abuso são ótimos alertas para prestarmos atenção aos sinais do que está acontecendo ou prestes a acontecer.
    Beijos

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  9. Oi Carl, eu já tinha visto esse livro mas não me interessei por ele, acho que por conta da capa e do enredo, não consegui gostar da história.

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  10. Olá!!

    Vi apenas o filme e achei ótimo, tenho curiosidade em ler o livro com certeza é ótimo tambémm!!Beijos

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  11. Carl!
    Muito difícil falar de um tema tão delicado como o suicídio em um livro.
    Gostei de saber que a autora falou sobre as doenças psicológicas, é importante debater o tema.
    Já li outros livros da autora, porém me parece que esse é bem diferente dos anteriores.
    “A sabedoria superior tolera, a inferior julga; a superior perdoa, a inferior condena.” (Augusto Cury)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA ABRIL – ANIVERSÁRIO DO BLOG: 5 livros + vários kits, 7 ganhadores, participem!
    BLOG ALEGRIA DE VIVER E AMAR O QUE É BOM!

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  12. Conheço a autora por Se eu ficar. Ainda não tive a oportunidade de ler nenhum dos dois, mas pretendo tentar, vejo apenas elogios sobre os livros da autora :)

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  13. Eu curti bastante essa resenha e como todo livro tem o lado positivo e negativo. É abordado um assunto profundo e que precisa ser entendido. Eu gostei bastante.

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  14. Oi, Carl!!
    Realmente poucos são aqueles que entendem que a depressão é uma doença e que teve ser tratada como tal. Acho importantes livros que tratam desse assunto para que os leitores abram os olhos com relação esse problema que aflige cada vez mais jovens.
    Bjos

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