O CLUBE DOS OITO

SINOPSE: Como um grupo de jovens estudantes bem-educados acabou se envolvendo num escândalo que chocou um país? Por que tantos especialistas em comportamento juvenil têm algo a dizer quando o assunto é o Clube dos Oito? Até quando inúmeras manchetes de jornal e programas de TV sensacionalistas vão explorar o caso nos mínimos detalhes? Para fazer com que a verdade venha à tona, Flannery Culp, a dita líder do Clube, decide tornar público o diário que manteve ao longo do seu desastroso último ano de ensino médio - Daniel HANDLER - editora SEGUINTE - 2018 - 396 páginas.

Você pode não ter lido nenhum livro do autor Daniel Handler, mas com certeza deve conhecer sua obra mais famosa, DESVENTURAS EM SÉRIE, cujos treze volumes já foram adaptados para o cinema e agora são uma excelente série na Netflix. Conhecido por seus métodos nada convencionais de escrita e muito sarcasmos nas entrelinhas, seu novo livro, O CLUBE DOS OITO, tem tudo isso e muito mais, resta saber se essa sopa ficou boa, vamos provar!

A trama acompanha Flanney, uma jovem no colegial, e seu grupo de amigos quase inseparáveis, conhecidos em toda a escola como “O Clube dos Oito”. São adolescentes estranhos que adoram realizar jantares de gala entre si, reunirem-se para reuniões sobre qualquer tema e adoram uma intriga interna. O grande problema é que um aluno da escola foi brutalmente assassinado e acredita-se que os assassinos realizaram rituais satanistas no corpo do jovem.

O grande diferencial da história é que logo na capa do livro já está escrito que foi a protagonista, Flanney, quem matou o jovem. Para o leitor, resta descobrir a motivação para o crime, qual o envolvimento do Clube dos Oito e por que acharem que foi tudo por causa do satanismo. O livro é uma espécie de diário de Flanneys, que ela desenvolve através de suas lembranças muito tempo depois do crime, enquanto está presa. A narrativa é composta por muito sarcasmo, já que a moça faz piada sobre tudo e tenta passar seu lado de uma historia que foi muito distorcida. Também temos, em determinados capítulos, depoimentos de especialistas em crimes juvenis e debates sobre a violência entre os jovens e como o crime de Flanneys impactou toda uma sociedade, uma vez que a moça é considerada uma das maiores assassinas dos Estados Unidos.

Esse método de escrita resulta em vários equívocos e exageros, talvez o principal seja a protagonista. A moça é egoísta, não se arrepende e parece não evoluir nunca, ela aceita seu destino e agora procura apenas rir da situação. Para o leitor, fica complicado acompanhar os pensamentos de uma pessoa antipática e desinteressante por quase quatrocentas páginas. Sua visão do mundo é extremamente carregada e quando tenta jogar o leitor para seu universo antes de ser presa, a mesma falha completamente. São muitos personagens e todos tem desenvolvimentos enormes. É um excesso de informação que sobrecarga o leitor, é muita gente falando ao mesmo tempo e não acrescentando em nada na trama. É uma leitura desnecessariamente longa e uma poluição de informações que o leitor esquece ou não se importa assim que passa para o parágrafo seguinte.

Outro deslize da trama é que é muito difícil ver essas pessoas como adolescentes normais, como a escrita tenta afirmar que são. Agem e conversam de formas nem um pouco naturais, e a maioria dos diálogos é bem forçada. A comédia de teor negro não funciona e tudo só fica muito macabro. O livro abre diversas possibilidades para seu desfecho e escolhe logo a mais previsível possível. O final, além de ser cansativo, é decepcionante. E falando em final, seus últimos capítulos são enormes. Todo o livro é editado como uma leitura rápida. Sendo um diário, acompanhamos o dia-a-dia da jovem em poucas páginas. Mas seu desfecho se estende tanto, que suga quase toda a curiosidade do leitor.

Uma coisa interessante da leitura, é a crítica à distorção dos fatos pela mídia. Sempre aumentando ainda mais o crime e fazendo da vítima uma santa imaculada sem pecado. Os trechos onde uma escritora criminal, totalmente maluca, faz seu relato, chega a ser engraçado. Por mais estranho que pareça, tal escritora termina cada capítulo do livro com uma série de perguntas sobre os fatos que acabamos de ler: você acha que ela tomou a decisão certa? Acha que ela errou? Você realmente prestou atenção?

Para o resumir, é basicamente um diário sendo comentado ao vivo pela autora e por uma série de escritores criminais que fizeram fama falando sobre crimes juvenis. O desfecho de Flanneys nós já conhecemos, cadeia para sempre, então a trama se encerra rapidamente com a grande motivação/consequência do crime. No encerramento, existe um epílogo ótimo que já vale toda a leitura. O que temos é um livro escrito com um método bem diferente, que acaba se perdendo em algumas partes. O estilo da escrita já vale uma conferida, mesmo a trama central não sendo nada demais.

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Rafael Yagami

Cinéfilo compulsivo, amante de livros e musica. A leitura e os filmes sempre me ensinaram a confiar em mim e ter sonhos grandes e é com isso que me armo todos os dias para lutar pelos meus objetivos.

26 COMENTÁRIOS

  1. É um risco dizer ao leitor logo de cara quem é autor do crime. Geralmente a melhor coisa é justamente deixar brotar o Xeroque Rolmes dentro da gente e descobrir o assassino.
    Realmente pela resenha parece ser uma leitura desnecessariamente longa e cansativa.
    Me chamou a atenção ser como se fosse um diário.
    Não sei se daria um chance.

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    1. Tomei um susto quando recebi essa informação logo na lata, mas admito que isso até é bem interessante. Pena que a trama não se sustenta até o final.

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  2. Oi, Rafael.

    Mesmo o livro sendo muito óbvio, no fundo, ele desperta nos leitores uma curiosidade em tentar entender a mente da Flannery através de suas lembranças, e em saber como tudo se iniciou e trucidou na morte do garoto.

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    1. Sim, eu fiquei bastante curioso sobre os motivos que levaram ao crime e confesso que foi bem decepcionante descobrir que tudo foi tão clichê, facilmente dá pra se advinhar.

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  3. Engraçado o autor ter meio que entrado numa furada com este enredo. Tipo, sem sentido.
    Afinal, Desventuras é Desventuras(aliás, preciso ver a segunda parte da série urgente,mas Greys Anatomy não tem deixado.
    Eu acredito que o autor tenha dado um tiro no próprio pé, que ao tentar inovar demais, acabou foi não fazendo nada com um roteiro já estragado por natureza.
    Não digo que não lerei, mas...
    Beijo

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    1. Ele inovou demais na escrita e esqueceu do desenvolvimento do mistério, de longe a pior coisa do livro.

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  4. Olá Rafael!
    Eu naõ li nenhum livro do autor, morro de vontade de ler Desventuras em séries, tentei acompanhar a série mas ainda não tive tempo...
    Adorei conhecer o Clube dos Oito, não tinha ouvido flar del ainda, já qro!
    Bjs!

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    1. Desventuras é de longe uma obra prima sensacional, recomendo demais.

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  5. Queria ler essa outra série e chamou atenção por isso, por ser dele. Mas nossa, bem doida essa história. Ser como um diário e recontando as coisas, com a gente já sabendo o desfecho e ficando só a curiosidade pelo motivo pode até ser legal, achei isso interessante. Mas já tira aquela curiosidade que leva o leitor quando um livro fala de um crime e deixa a gente na expectativa por quem cometeu. Ter muita informação do jeito que disse pode dar uma arrastada na leitura também. Mas sei lá, achei interessante pelo jeito nada legal da personagem. Ela não parece fácil de gostar e entender o que aconteceu pode ser bom...gostei desse clima ruim da história, de personagem que não ajuda a gostar e até de como a mídia distorce as coisas e esses pequenos detalhes. Mas fiquei encima do muro. Gostei de umas coisas, não gostei de outras...sei lá como seria ler essa história.

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    1. Senti a mesma coisa, no começo, na teoria eu estava gostando muito, mas no final o sentimento foi meio de decepção.

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  6. Oi Rafa, e a primeira vez que vejo esse livro e eu nao sabia que éé do mesmo criador de Desventuras em Série.
    Mesmo sendo meio óbvio o desfecho da história, eu daria uma chance para eu ler, até porque vai do gosto de ccada um a forma como é escrita o livro. Adorei a foto muito bem montada e criativa. Me doa um pouco Rsrsrsrs

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    1. Sua escrita diferente já vale uma conferida com certeza, pode te conectar mais facilmente do que comigo.

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  7. Adoro desventuras em série, tanto filme quanto a série, infelizmente ainda não tive oportunidade de ler os livros. E este ''O clube dos oito'' parece ser ótimo também.

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    1. Tem algumas coisas bem interessantes que com certeza valem uma conferida.

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  8. Oi Rafael.
    Não li nada do autor, e não me interessei por esse novo livro.
    Os personagens não parecem cativantes e tem problemas de desenvolvimento. Não gosto de diálogos que não condizem com a idade dos personagens, ou que soam forçadas.
    Fiquei curiosa para saber o motivo do assassinato, mas acho que vou procurar em alguma resenha rs
    Beijos

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    1. É muito chato realmente o livro falar que tal personagem é adolescente, quando os diálogos não condizem com isso, ruim mesmo é quando isso acontece com quase 80% de todos os personagens do livro. Algo bem irritante.

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  9. Oi!
    Quando vi esse livro fiquei bem interessada na historia, ainda mais sendo um livro do Daniel Handler, pois só conheço mesmo a serie Desventuras em Serie dele, mas ao ler a resenha vi que não é o tipo de livro que iria gostar, principalmente pela narradora que não parece conquistar o leitor e acaba perdendo aquela conexão que sentimento ao ler a historia !!

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    1. Se para o leitor for importante ter algum sentimento pela protagonista, esse não é o livro para você. Ela é chata, desinteressaste, sem caráter e dramática, deixando a trama ainda mais chata do que já é.

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  10. Oi Rafael,
    Quando li a sinopse e comecei a ler a resenha fiquei super entusiasmada, afinal a história parecia muito intrigante e diferente. O livro ser baseado nos motivos da assassina e não apenas em encontrar quem matou. No entanto continuando a sua resenha me decepcionei um pouco, já que realmente ler 400 páginas narradas por uma personagem egoísta e antipática não deve ser nada legal mesmo. Além disso a escolha do final previsível também não me agrada em nada, ao ler um livro dessa temática sempre espero ou um final muito bom e surpreendente ou uma narrativa boa de modo geral (claro que os dois é sempre muito melhor).
    Enfim apesar de ter gostado da temática inicial, não fiquei empolgada para ler a obra.

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    1. Pois é, a leitura poderia ser pesada, a personagem poderia ser chata, mas o o minimo que o livro deveria ter é um desfecho sensacional. E até nisso o livro erra, confesso que o desfecho é o deslize que mais me decepcionou com essa leitura.

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  11. Vou ser sincera, não gostei da proposta do livro. Não sei se foi pela capa desinteressante ou pelas suas críticas. 400 páginas de uma personagem chata, ninguém merece. Passo.

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    1. Ai nem fala, esqueci de citar isso no texto, a capa nacional é horrorosa mesmo, nem dá vontade de ler isso de longe.

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  12. Oi Rafael.
    É uma pena que tenha tantos pontos negativos, eu na verdade gostei bastante da imagem que o livros quis passar da protagonista, até porque acredito que uma pessoa que cometeu tal ato não se arrepende e nem liga para o assunto, só achei desnecessário a quantidade de páginas para algo que já era previsível!
    Gosto de formato de escrita, não só com narração mas como um diário, e também achei interessante a crítica a mídia que o livro fez, algo que também acho completamente real!
    Eu realmente gostei, e por curiosidade pretendo ler.
    Beijos

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  13. Estava bastante curiosa, ao que parece o livro tinha tudo para ser bom, fiquei bastante entusiasmada, mas se ele se perde no caminho e acaba mal, minhas expectativas já estão mortas kk.

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  14. Muitíssimo interessante. É um livro que não vejo a hora em ler, pois a sinopse me chamou a atenção. A série tenho tentado acompanhar na netflix e aos poucos vou conhecendo o autor. Tem sido muito valido.

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  15. Oi, Rafael!
    Gosto bastante da Série Desventuras em série e fiquei bem empolgada com esse estilo que o autor colocou na história que é bem diferente de tudo que já li.
    Bjos

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