TOMB RAIDER: A ORIGEM

SINOPSE: Aos 21 anos, Lara Croft leva a vida fazendo entregas de bicicleta pelas ruas de Londres, se recusando a assumir a companhia global do seu pai desaparecido há sete anos, ideia que ela se recusa a aceitar. Tentando desvendar o sumiço do pai, ela decide largar tudo para ir até o último lugar onde ele esteve e inicia uma perigosa aventura numa ilha japonesa.
DIREÇÃO: Roar UTHAUG
DISTIBUIÇÃO: Warner Bros.
DURAÇÃO: 1h58
ELENCO: Alicia VIKANDER, Dominic WEST, Walton GOGGINS e Kristin Scott THOMAS

Uma jovem está em uma floresta exótica em missão com pouco treinamento e munida com um arco e flecha; ela precisa evitar ser capturada. Não, não estou falando de JOGOS VORAZES. Uma jovem está em busca de seu pai perdido e do nada se vê em meio a um jogo de enigmas históricos e antigos. Não, não estou falando de INDIANA JONES e nem de A LENDA DO TESOURO PERDIDO. É apenas o remake do game TOMB RAIDER, que mais parece uma sopa de uns dez filmes já feitos, vamos ver se vale a pena!

Lara nunca aceitou a morte de seu pai. Desaparecido há sete anos, o pesquisador acabou se perdendo, depois de buscar a tumba de uma antiga feiticeira japonesa. Era muito rico e importante, mas como Lara ainda não declarou oficialmente sua morte, a mesma não teve acesso à sua fortuna. Vive com dificuldades financeiras e apenas sobrevive de bicos e empregos improváveis. Depois de achar algumas mensagens de áudio de seu pai, Lara embarca numa busca com o propósito de achar seu pai, vivo ou morto. A pista mais provável é uma ilha muito remota, próxima ao Japão, onde, segundo a lenda, está sepultada uma feiticeira japonesa que foi responsável por inúmeras mortes apenas com o toque de sua mão. Porém, o pai de Lara não era o único interessado nos restos mortais da bruxa, logo a moça esbarra com uma estranha organização, que fará de tudo para conseguir esse importante cadáver que, segundo dizem, ainda tem poder ilimitado.

O roteiro é adaptado do game de mesmo nome, que já ganhou dois filmes no início dos anos 2000, estrelados por Angelina Jolie. Tinha seus muitos defeitos e algumas qualidades, porém não foi bem aceito pelos fãs, público e críticos. E dessa vez, a possível franquia, recebeu um restart, assim como nos games: a trama mudou, a personagem principal mudou e etc. Então não é necessário ter assistido aos antigos, e muito menos ter jogado o game, para poder conferir esse novo filme. Mas, infelizmente, a produção entrega uma trama extremamente preguiçosa e familiar. São tantas incoerências e coincidências, que logo nas primeiras cenas, o espectador já sente que vem coisa ruim por aí. A começar pelo plano brilhante da protagonista, ela não tem nenhum recurso ou treinamento ou armas, porém, mesmo assim, vai para uma ilha isolada, cheia de inimigos, querendo achar seu pai. Os caras tem uma infinidade de armas de fogo, e tudo que nossa heroína tem é um arco e flecha, preciso nem dizer que esse plano vai pro buraco em menos de 20mim. A trama deixa claro que a jovem só poderá ter acesso aos imóveis e dinheiro do pai, caso oficialize seu óbito, mas isso não a impede de, na cena seguinte, ir na antiga casa de seu pai bater perna. As motivações de todos os personagens são horríveis, para que achar esse cadáver da bruxa cheio de magia negra? Um quer provar sua origem pro mundo, outro quer controlar seu poder, outro quer levá-lo para casa. É uma ideia pior que a outra e, de novo, não preciso nem dizer que tudo isso resulta em fracasso.

Como dito acima, a trama central parece uma mistura de vários filmes famosos e quase não apresenta nenhuma característica interessante. Realmente não é necessário um filme ser original a todo o momento, mas então que use os “clichês” de forma interessante ou inteligente, algo que não acontece aqui. Talvez a única coisa do roteiro que merece elogios é a “não sexualização” da personagem principal. Não temos roupas curtas, closes em suas partes intimas e nem uma trama girando em torno do físico de Lara. A personagem usa roupas frescas, sujas, rasgadas e manchadas, obviamente o ideal quando se está numa perseguição louca em uma floresta. Palmas para a produção por não deixar a personagem maquiada durante o filme, quem iria passar quilos de pó no rosto para salvar um pai perdido?

Os efeitos visuais são bem pobres e a maioria das cenas de ação é de noite, algo para mascarar efeitos preguiçosos e sem criatividade. O 3D é horrível e desnecessário, só serve para deixar o ingresso mais caro. Pode não parecer, mas a trama tem poucas sequências de ação e vai se arrastando até o fim com altas doses de diálogos expositivos e redundantes, pelo menos não temos piadas desnecessárias. A protagonista é vivida pela atriz sueca Alicia Vikander, vencedora do Oscar de atriz coadjuvante pelo seu desempenho em A GAROTA DINAMARQUESA. Fisicamente, a atriz se parece muito com a personagem dos games e em cena ela é a melhor e única coisa de valor da produção. É o filme de sua origem, então, felizmente, temos uma protagonista cheia de dúvidas e medos, que não teme o desconhecido e nem o fracasso. Uma coisa legal a se pontuar é que a atriz fez um treinamento pesado antes das gravações e que dispensou dublês em diversas cenas arriscadas. Tem porte de heroína e de protagonista, ficamos na torcida para que tenha mais chances de mostrar sua nova Lara Croft nas telonas.

O resto do elenco não faz a mínima diferença e nem tem importância, parecem realmente personagens de vídeo-games, só servem para andar, falar e realizar tarefas fajutas. E o filme se encerra com algumas patéticas lutas entre a heroína e o adversário, com direito a explosão grande e pulos impossíveis. Outra coisa interessante de se pontuar é a coragem do diretor, realmente bastante corajoso, ele não deixa uma ponta solta para uma continuação, deixa uma surra, uma enxurrada de tramas e caminhos para novos filmes. Na verdade é até um ponto ruim, pois quando parece que a coisa vai ficar boa, o filme acaba, e isso é perigoso, pois caso não tenha continuação, serão dezenas de perguntas que ficam. Era melhor nem ter tocado nelas, se não tem certeza de um futuro. É aquele ditado: “se não for comer, nem tempera”.

O saldo final é uma protagonista boa e uma cena final interessante, mas junto disso, vem um roteiro horrível, parecido com diversos filmes melhores, e uns efeitos visuais que parecem caseiros. Agora passo a palavra a você, vai conferir TOMB RAIDER: A ORIGEM?




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Rafael Yagami

Cinéfilo compulsivo, amante de livros e musica. A leitura e os filmes sempre me ensinaram a confiar em mim e ter sonhos grandes e é com isso que me armo todos os dias para lutar pelos meus objetivos.

6 COMENTÁRIOS

  1. Eu vou acabar assistindo mesmo.rs
    Vi os dois filmes no passado por ter Angelina(que admiro muito como atriz), apesar de não ser tão fã de games e afins. Mas em contrapartida, gosto de ação e sendo bem sincera, essas correrias malucas, pulos mirabolantes e aquelas cenas que a gente fica ali olhando sem entender nadinha de nada, me agradam muito!
    E Tomb é meio que isso tudo junto e misturado.
    Ainda não vi este novo filme e li muitas críticas positivas e negativas, principalmente com a comparação desta atriz com Angelina. Eu acho isso desnecessário. É só olhar por ângulos diferentes e pronto.
    Verei!rs
    Beijo

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    1. Eu também admiro muito a Jolie e pra mim ela fez um bom trabalho. Já nesse novo filme a atriz com certeza não é uma das coisas ruins da produção, pelo contrário, seu desempenho é que salva o filme.

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  2. Achei interessante fazerem um novo filme da personagem, mas caramba heim! É, tá parecendo que brincaram demais com os clichês e não fizeram lá aquele filme que vale tanto a pena ir assistir num cinema. Ainda assim gostaria de ver. Mesmo com tanta mistura de filme já conhecido e os clichês e incoerências. Gosto dessa atriz também, deu vontade de ver por causa dela...

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    1. É sempre importante assistir né para termos nossa própria opinião. Não é um filme grande coisa, mas quem sabe seja pelo menos divertido né.

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  3. Oi Rafael!
    Eu gosto de filmes do gênero, mas confesso que este não me chama atenção, eu já até vi outros filmes com a personagem mas não sou fã não, mas como o maridão é fã vou tentar assistir junto com ele quem sabe consigo curtir dessa vez...
    Bjs

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    1. Pra quem não curte deve ser uma experiencia chata mesmo, mas quem sabe sirva pelo menos para passar o tempo mesmo com tantos defeitos.

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