CÍRCULO DE FOGO: A REVOLTA

SINOPSE: Filho de Stacker Pentecost, responsável pelo comando do programa Jaeger, Jake era um promissor talento do programa de defesa, mas abandonou o treinamento e entrou no mundo do crime ao vasculhar ferros-velhos em busca de peças de robôs abandonados. Perseguido após não encontrar uma peça valiosa, ele encontra o esconderijo da jovem Amara, que clandestinamente está construindo um Jaeger de porte pequeno. Ambos tentam fugir usando o robô, mas acabam sendo capturados. Para escapar da prisão, eles são enviados ao treinamento de pilotos Jaeger. Lá Jake reencontra sua irmã de criação Mako, uma heroína da época do combate contra os kaiju, que tenta lhe ajudar a se areadaptar ao ambiente militar.
DIREÇÃO: Steven S. DEKNIGHT
DISTRIBUIÇÃO: Universal Pictures
DURAÇÃO: 1H51
ELENCO: John BOYEGA, Jing TIAN, Scott EASTWOOD, Charlie DAY, Burn GORMAN e Rinko KIKUCHI.

Você se lembra de CÍRCULO DE FOGO? É aquele filme sobre robôs gigantes tripulados por humanos que lutam contra monstros gigantes. Foi lançado lá em 2013 e teve a direção de Guillermo del Toro, o mexicano premiadíssimo neste ano pelo filme A FORMA DA ÁGUA. Desta vez, para a continuação, ele volta apenas como produtor, mas não se engane, o caso aqui não é de continuação inútil ou de baixa qualidade, vamos lá.

Para contextualizar, irei fazer um breve resumo do primeiro, sem spoiler pesados. CÍRCULO DE FOGO acompanha um futuro não muito distante, onde monstros gigantes surgem de uma fenda no Oceano Pacífico, com o objetivo de destruir toda a vida na Terra e transformar o planeta num ambiente agradável para poderem viver. Obviamente, os homens respondem na mesma moeda, com robôs gigantes que lutam de igual para igual com essas feras. O problema é que esses monstros não param de vir e cada vez surgem maiores e mais poderosos. Depois de muita luta, conseguimos destruir a fenda e finalmente não teremos mais monstros devastando as cidades.

Em CÍRCULO DE FOGO: A REVOLTA, temos um mundo parcialmente destruído e em paz, fruto das grandes batalhas que ocorreram há dez anos, quando a fenda foi selada. Mesmo assim, o governo ainda mantém bases com robôs gigantes prontos para o combate, caso sejam necessários. O problema é que os custos são muito altos e está ficando cada vez mais difícil treinar pilotos competentes. Até que uma importante empresa chinesa desenvolve um tipo de robô que pode ser controlado remotamente, como se fosse uma espécie de drone. Por ser uma tecnologia remota, uma invasão não é algo impossível. Os governos se unem para decidir sua possível aceitação numa grande reunião, que acaba sendo interrompida quando um robô gigante sai do oceano para destruir tudo a sua volta.

OK, o resumo do segundo filme não parece muito intrigante, mas é bem complicado comentar sobre ele sem estragar a surpresa. Uma das coisas mais interessantes do roteiro é seu primeiro ato, que se desenvolve através das consequências de todas essas lutas para a população mundial. É um panorama novo e um olhar muito interessante que foi apenas citado no primeiro filme. Temos de novo o comércio de resto de monstros mortos, temos também robôs piratas e bastantes esclarecimentos sobre esse universo. É aqui que conseguimos compreender de fato o grande plano dos monstros, o porquê deles aparecerem só no Oceano Pacífico e o motivo de quase todos os ataques acontecerem no Japão ou na China. De longe, um prato cheio para quem gosta desse universo, e o roteiro não faz nada disso parecer apelativo, todo esse desenvolvimento é destrinchado na trama de forma sensacional. De fato, é necessário ter assistido ao original e estar com ele em dia na mente para poder captar todas as referências e os desenvolvimentos, as tramas se casam e uma completa a outra sem tirar nem por.

Mas o filme não é só isso, ainda faltam os monstros, né? E como eles aparecem? A fenda não tinha sido fechada no primeiro filme? Sim, foi fechada e a justificativa da volta dos monstros é incrivelmente surreal. Chega a ser assustadora a ideia que os roteiristas tiveram, muita gente pode achar meio tosco, mas faz total sentido dentro de seu universo. São 100% consequências de pequenas coisas do primeiro filme e, sim, foram desenvolvidas desde o começo para tudo culminar num final épico. É uma grande orgia de trama. Do nada, milhares de fatos explodem na cara do espectador. O grande ápice do filme acontece do nada e arrebata o espectador que não estava esperando nada disso. Era quase impossível de se prever o caminho que a trama escolhe, mas mesmo nesse caos, existe ordem e lógica, dentro do seu universo, claro!

As lutas são mais épicas, os robôs têm armas novas e a destruição não tem limites. Tudo isso no cinema fica incrível, graças aos efeitos visuais eletrizantes e uma trilha sonora que não deixa o espectador quieto na cadeira. Os monstros estão cada vez mais horríveis e difíceis de matar e são uns excelentes antagonistas, injetando muito gás na trama. Tecnicamente, não é tão bonito quanto o original, mas não fica devendo em nada em estilo e design das lutas.

Talvez a única coisa meio chata da trama é que quase ninguém do filme original retornou para essa continuação, principalmente seu antigo protagonista, Charlie Hunnam. A continuação não tenta explicar o motivo de sua ausência, mas pelo menos a dupla de pesquisadores malucos do primeiro filme estão presentes e, felizmente, ganharam muito espaço. Seus respectivos personagens são interessantes e importantes. Os novos protagonistas, são: John Boyega e Scott Eastwood. O primeiro você conhece como Finn, do filme STAR WARS: O DESPERTAR DA FORÇA; e Scott é o filho do lendário Clint Eastwood, que recentemente esteve em VELOZES E FURIOSOS 8. Ambos estão bem em seus personagens, mas o elenco aqui não é o forte do filme, todos como uma equipe funcionam e conseguem fazer o filme andar e isso não é ruim. Sem falar que é muito legal ver um ator negro no topo do elenco num filme grande, algo que só tem sido mais alcançado nos dias de hoje.

Passa longe de ser um filme desnecessário ou interessado apenas em dinheiro, para quem for fã do primeiro, é muito provável que se divirta com esse novo capítulo. O grandioso desfecho deixa caminho livre para uma possível sequência, mais insana ainda, torço que seja um sucesso e que seja confirmado um novo capítulo logo, pois a frase final do personagem principal vai deixar o público sedento por mais e mais. Uma grata surpresa, mesmo que, de longe, pareça uma bomba.


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Rafael Yagami

Cinéfilo compulsivo, amante de livros e musica. A leitura e os filmes sempre me ensinaram a confiar em mim e ter sonhos grandes e é com isso que me armo todos os dias para lutar pelos meus objetivos.

10 COMENTÁRIOS

  1. Gostei muito do primeiro filme!!! Me recordo que na época enquanto assistia, me remeti a época(tá, eu sou centenária) daqueles monstrinhos gigantes que apareciam em Power Rangers, isso pra não falar que era em Giraya(nem sei se é assim que se escreve) ou Jaspion..rs(eu não perdia isso quando era mais nova)
    Claro, neste filme com mais qualidade..rs
    Não vejo a hora de poder ver essa continuação, apesar dela não trazer um elenco de tanto peso assim.
    Beijo

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    1. Ah com certeza as feras do filme são grandes homenagens aos clássicos filmes asiáticos de destruição.

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  2. É, só vendo assim de premissa não me chamaria muita atenção. Mas parece que o filme acaba conseguindo surpreender então. Achei interessante isso. Pelo resumo da história que deu no começo já pensei em um monte de filmes clichês do tipo e que acabei não curtindo tanto. Mas me chamou atenção falar nas reviravoltas e coisas que são jogadas na cara do espectador depois. As surpresas podem ser bem legais. Deu uma animada pra assistir.

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    1. Sim sim, as surpresas dão um gás interessante no filme, deixam ele mais bizarro e energético, me surpreendeu bastante.

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  3. Oi Rafael!
    Eu não conhecia o filme ainda, adorei o trailer msm não sendo um gênero que não sou mto fã, mas eu sempre curto no final das contas, vou tentar dar uma olhadinha ...
    Bjs!

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    1. Vale pelo menos para uma diversão sem grandes pretensões, com certeza vai conseguir se distrair.

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  4. Rafael!
    Já fiquei empolgada para assistir, ainda mais sabendo que é bem melhor que o anterior e ainda tem monsrtos, lutas oméricas, deve ter muito ação.
    Uma ótima semana!
    “Moral é o que te faz sentir bem depois de tê-lo feito, e imoral o que te faz sentir mal.” (Ernest Hemingway)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA MAIO – 4 livros + vários kits, 5 ganhadores, participem!
    BLOG ALEGRIA DE VIVER E AMAR O QUE É BOM!

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    1. Com certeza honra o anterior em muitas coisas e não fica devendo nada na hora do entretenimento farofa, bem divertido.

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  5. Concluo que o primeiro é mais adulto e essa sequência mais infanto-juvenil. Mas de todo modo, é um bom filme, bastante ação, bela edição de som e boa trilha sonora. Não chega a ser favorito como o primeiro, mas sim vale a diversão.

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    1. Sim sim, resumiu bem, mas mesmo sendo um pouco diferente, ele não envergonha o seu anterior, consegue divertir na medida certa.

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