UM ANO SOLITÁRIO

SINOPSE: Estreia da jovem Alice Oseman na literatura Young Adult, Um ano solitário foi chamado de “O apanhador no campo de centeio da era digital” pelo jornal The Times. Cativante e genuíno, o romance acompanha a transformação de Tori Spring de uma adolescente apática em alguém que precisa deixar sua zona de conforto para trás. Tirando o blog onde escreve sobre seu pessimismo crônico e o irmão Charlie, que se recupera de um problema que o levou a tentar o suicídio, Tori se mantém indiferente ao resto do universo – incluindo o colégio, sua melhor amiga, garotos, filmes, livros, seus pais. E permanece alheia quando Michael Holden, novo na escola, tenta convencê-la a investigar um misterioso site chamado Solitaire, que tem causado algumas confusões no colégio. Tori mal percebe o esforço de Michael e de um outro amigo para se aproximarem dela. Mas quando as brincadeiras e jogos promovidos pelo grupo virtual começam a ficar estranhamente perigosos, a garota precisa dar um passo que pode mudar sua vida, e a maneira como vê o mundo e se relaciona com as pessoas, para sempre - Alice OSEMAN - Editora ROCCO - 2018 - 384 páginas.

Este é um dos livros mais difíceis que já tive que resenhar. UM ANO SOLITÁRIO é um livro difícil de definir, e eu terminei a leitura sem entender qual a temática ou a moral da história. Alguns dos temas trabalhados no livro, são: solidão, depressão, transtornos alimentares, ideação suicida, danos causados pelo ambiente escolar, preconceito, amizade e família.

Essa é uma história bem indefinida e sem um tema central a ser trabalhado. Ao longo da leitura, nós acompanhamos a protagonista, Tori, com seu humor depressivo, seu isolamento e suas ideias autodepreciativas. O reaparecimento de seu melhor amigo de infância, o surgimento de um garoto muito diferente, o constante distanciamento de sua melhor amiga, os dramas envolvendo o irmão da protagonista e o surgimento de um blog que tem pregado peças na escola, são algumas das situações que Tori tem vivido. E é mais ou menos em torno dessas questões que o livro vai girar.

O livro tem uma grande quantidade de referências à cultura pop e já se inicia com um diálogo sobre Harry Potter. Filmes, livros e músicas são assuntos frequentes ao longo da história. Inclusive, eu acho que essas referências foram até demais, eu me senti de saco cheio em alguns momentos. Porém, é compreensível, já que é um livro direcionado ao público juvenil.

Um dos pontos fortes é a representatividade presente entre os personagens. A história foge bastante dos clichês colegiais e entrega personagens diferentes do que estamos acostumados. Talvez por não ser um livro norte-americano, aqui não encontramos aqueles típicos personagens: o jogador de futebol, a líder de torcida e a excluída.

Todos os personagens são complexos e muito reais. Eu consegui me envolver com cada um e senti empatia por todos. Porém, não tem como negar que o personagem mais querido é Michael, seu jeito excêntrico e doce conquista o leitor logo no início e é impossível não amá-lo.

Eu fiz algumas interpretações a respeito do livro, mas eu realmente não sei se minhas impressões condizem com as reais intenções da autora. Mesmo assim, vou compartilhar com vocês: eu entendi que a protagonista está vivendo um episódio depressivo e que estar nessa condição faz com que ela tenha opiniões muito negativas a respeito de si mesmo, concluindo que ela não merece ser amada e, além disso, algumas das coisas que são ditas a ela, talvez com a ingênua intenção de ajudar, apenas pioram a situação.

Foi muito significativo pra mim acompanhar a Tori. Eu sofri nos momentos em que ela se isolava sem motivo e me entristeci todas as vezes em que ela concluiu coisas negativas a respeito de si mesma. Toda vez que ela vencia a vontade de ficar em casa, eu vibrava. Todas as vezes que ela sorria, eu sorria junto. Conhecer essa personagem foi muito importante e eu realmente acredito que é uma experiencia necessária. Reafirmo que eu não sei se essa foi a intenção da autora, mas o que eu tenho certeza, é: conhecer essa personagem ajuda a compreender um pouco melhor a depressão.

Porém, isso não se conclui. Tive a impressão de que a autora deu início a uma série de reflexões e não concluiu a maioria delas. O livro acabou, e eu fiquei: "tá, mas e aquele problema? E aquele outro?". A autora também insere uma discussão sobre sexualidade que fica igualmente inacabada, assim como o debate a respeito dos males causados pelo ambiente escolar. Todos esses temas, que são, sem sombra de dúvidas, temas extremamente importantes, são inseridos e facilmente deixados de lado.

Um mérito do livro é não se perder em romances forçados. Na verdade, eu realmente gostei do livro. Eu achei essa história diferente e exótica, gostei da temática e gostei de acompanhar a Tori em seus altos e baixos. O que me incomodou é apenas o fato de a autora inserir uma série de temáticas relevantes de forma irresponsável. Eu me senti bem perdida durante a leitura, sem entender para onde a história estava indo.

Mesmo assim, a leitura conseguiu me entreter e eu me senti envolvida na história. Eu gostei da narrativa feita em primeira pessoa, que permite que o leitor veja tudo pelos olhos da Tori, eu gostei dos personagens e eu gostei das temáticas trabalhadas. UM ANO SOLITÁRIO é um bom livro, mas que deixa a desejar no quesito profundidade.

A edição também está bonita, a capa é holográfica e dá um efeito bem legal. A diagramação está ótima, a leitura é muito fluida, pois os capítulos são curtos, as letras são grandes e a quantidade de texto por página é bem pequena.


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13 COMENTÁRIOS

  1. Oii!
    A edição está linda msm...
    Não tinha lido nd sobre ele ainda, o enredo parece ser bem bacana, já curti pela capa tbm, vai para a listinha.
    Bjs!

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  2. Ainda não conhecia esse lançamento da Editora Rocco, mas fiquei interessada ao ver a capa. A premissa é bastante interessante, me parecendo uma história que cativa o leitor nas primeiras páginas mesmo que autora tenha deixado assuntos inacabados de alguns protagonistas, conforme citado. Parece que a leitura deixe o leitor um pouco meio cabisbaixo.

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  3. Oi Priscila,
    Ja me interessei pelo livro só pelo fato do conjunto de personagens fugir desse padrão americano do "triplex" que você falou. Pelo que você abordou na resenha esse é um livro muito depressivo, porem, aparentemente sem o desenvolvimento e resultado destes temas tristes q o livro traz, o que é bom curioso e muito estranho pq tipo "mas q diabo o autor quis passar com essa historia?", até pq, mesmo as historias mais superficiais tem um objetivo não? E essa falta de profundidade nas questões que voce falou que são abordadas, tambem me deixou um pouco intrigada. Acho que esse Michael pra você é Theodore Finch de Por Lugares Incriveis pra mim haha. Sou como você também nesse quesito de viver a historia e os dramas, de fato entrar na cabeça dos personagens, ainda mais se o desenvolvimento desse personagem e o "link" dele na historia é bem escrito (o que me parece ser). Um Ano Solitário acabou de entrar pra minha lista só de curiosidade kkk.
    Bjão, Ana C.

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  4. Olá! Não conhecia o livro, mas ele trás temas bastante fortes e que estão muito em alta, uma pena a autora não ter se aprofundado tanto assim na maioria deles. Adoro livros em primeira pessoa, pois é uma forma de se conectar com os personagens e seus sentimentos e no caso dessa história, torna a leitura ainda mais interessante.

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  5. Priscila!
    Mesmo sem uma definição quanto ao enredo, ver que ele traz algumas doenças importantes de serem questionadas e pela visão da protagonista, mostra a intensidade dos sentimentos e deve ser um livro interessante.
    Bom feriado!
    “O meu objetivo é colocar no papel aquilo que vejo e aquilo que sinto da mais simples e melhor maneira.. “(Ernest Hemingway)
    cheirinhos
    Rudy

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  6. Oi, Priscila!!
    Essa é a primeira resenha que vejo sobre esse livro, e pela premissa o livro é bem interessante assim como a capa chama bastante atenção. Gostei da indicação!!
    Bjos

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  7. Achei interessante que fale de tantos temas assim sem acabar tendo um só tema de que se trate toda a história. Gostei do estilo do livro, a coisa mais jovem. E dá pra ver que tem uns clichês mas também alguns detalhes não tão clichês assim, pode ser legal. O monte de referência sei lá o que iria achar. Tem livro que às vezes me irrita, mas outros que adoro. Aí depende. Personagens que chamam atenção, que tem aquela coisa que deixa a gente com vontade de saber mais também é bom...fiquei curiosa com esse Michael.
    Leria. Acho que seria um bom livro, gostei do jeito dele.

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  8. Não sou capaz de opinar quanto a Um Ano Solitário ter sido considerado "O Apanhador no Campo de Centeio da era do fora"!!! Acho essa tipo de comparação prepotente e polêmica
    Enfim, ultimamente alguns autores tem abordado esses temas em seus livros. Por um lado acho que é válido, uma vez que levanta a discussão sobre os mesmos mas por outro lado pode acontecer de serem tratados de forma equivocada e de se tornarem gatilhos para alguns leitores.
    Só lendo para saber realmente.

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  9. Oi, Priscila.

    Ainda não o li, mas já afirmo que, já foi possível eu me identificar um pouco com a personagem. Com certeza me prenderia do início ao fim.

    Pena que a autora não soube trabalhar bem em cima dos temas presentes, pois o livro poderia render um prato cheio.

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  10. Tenho bastante interesse em livros que abordam temas delicados (embora aparentemente a autora tenha deixado a desejar nesse quesito). Gosto que a autora (minha gêmea de nome rs) tenha fugido dos clássicos clichês colegiais e tenha aproveitado os personagens, tornando-os reais. Espero realmente ler.

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  11. Olá!

    Adorei a resenha. Ainda não li o livro! Trata-se de temas bem delicados, poucos conseguem falar sobre estes assuntos. Adoro quando os personagens são mais reais!!

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  12. O capricho da Rocco com seus livros é maravilhoso, a gente fica ali, só admirando as capas!
    Ainda não tinha lido nada a respeito deste livro, mas claro, que mesmo com tantos pontos negativos, adorei muito tudo que li.
    Dificilmente se joga um personagem num poço de sentimentos e consegue o tirar ileso dali. Depressão, isolamento, tristeza, vitimização...não seriam todos derivados de um problema somente? Então talvez se autora tivesse abordado um tema somente(depressão), ela tivesse conseguido com isso, ir mais à fundo no tema e não deixar o leitor mais perdido.
    Vai para a lista de desejados com certeza.
    Beijo

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  13. Confesso que também fiquei "indefinida" sobre ler ou não esse livro. Me chamou bastante atenção sobre o entendimento mais claro da depressão, o envolvimento de assuntos polêmicos e as decisões que Tori tem de tomar. Só por ler sua resenha me envolvi o suficiente para sorrir nos momentos que Tori sorriu e pelo alívio dela vencer suas vontades de sair de casa. Só quem vive com uma pessoa com diagnóstico depressivo sabe como isso é verdade e cada força de vontade, mínima que seja, é um passo gigante para uma vida diferente.

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