A ÚLTIMA TRAVESSIA


SINOPSE: Bem-vindo a bordo do Baltic Charisma! Hoje, mais de 1.200 pessoas embarcarão em uma travessia pelas frias águas do Mar Báltico, com destino à Finlândia. Por 24 horas, elas deixarão de lado seu dia a dia sem graça e poderão ser quem quiserem. A viagem promete satisfazer seus mais diversos desejos, com bebidas, festas e cassinos. Mas o mal espreita os corredores e, no meio da noite, não há escapatória possível. Especialmente quando todo o contato com a terra firme é misteriosamente interrompido. Se algumas pessoas se comportam como heróis ao enfrentar crises, essa noite sombria trará à tona o que há de pior nos outros, e quando desaparecimentos inexplicáveis começam a acontecer, é imprescindível que o navio não chegue ao seu destino final.
AUTOR: Mats STRANDBERG
EDITORA: Morro Branco
PUBLICAÇÃO: 2018
PÁGINAS: 512
TRADUÇÃO: Fernanda Sarmatz AKESSON

Acho que já comentei algumas vezes, mas sempre fico com receio da qualidade de um livro, quando na capa vem escrito algo como: “o novo Stephen King, o novo Tolkien, a nova Rowling...” e por aí em diante. A sensação que passa é de que a editora não confia na obra e precisa criar uma comparação com autores consagrados para convencer o leitor. Bem, acho desnecessário, diminui a capacidade do livro vendido e, pior, todos esses autores possuem obras bastante ruins. King tem livros péssimos, em mais quantidade, até, do que livros bons; Tolkien perdeu a mão em vários contos; e Rowling, ela “só” conseguiu Harry Potter, todos os outros livros são decepcionantes. Isso são apenas alguns exemplos, claro.

Certo, então A ÚLTIMA TRAVESSIA, sem comparações, é bom ou ruim? Depende...

Já li em vários blogs e Instagram, pessoas dizendo que não gostaram de determinado livro de terror porque não gostam de terror. Sim, isso mesmo. Bem, se não gostam de terror, o que faziam lendo um livro de terror? E pior: o fato de não gostarem de terror, não significa que o livro seja ruim. Significa apenas que a pessoa não tem capacidade para avaliar uma obra de um gênero de que não gosta. Dito isso, A ÚLTIMA TRAVESSIA é o tipo de livro escrito apenas para quem gosta de terror do tipo trash, para os fãs de obras de George Romero, daqueles filmes de efeitos de terceira, onde tudo parece de borracha, onde o sangue é suco vermelho e onde as atuações são sofríveis, mas que, mesmo assim, você se diverte e vê de novo, e de novo...

Tudo na obra de Strandberg é decadente: o navio, Baltic Charisma, não possui mais o glamour de antigamente; os passageiros são das mais variadas classes sociais, com problemas pessoais e contas a ajustar entre eles; a tripulação está exausta, desmotivada, e só pensa em alternativas de trabalho; as diversões a bordo são de artistas canastrões; a própria duração da viagem, vinte e quatro horas numa ida e volta pelo mar Báltico, não tem atrativos. E nada mais decadente do que juntar a tudo isso, as criaturas de terror mais conhecidas da literatura.

Como a sinopse não entrega qual é o mal presente no navio, apesar desse mal ficar conhecido pelo leitor logo nas primeiras páginas, vou apenas dizer que uma dessas criaturas solta uma frase emblemática logo que se apresenta: “...nós não brilhamos ao sol...”.

A narrativa é em terceira pessoa, com capítulos bem curtos, de quatro ou cinco páginas, e todos tem em destaque um ou outro personagem, cujo nome fica logo no início do referido capítulo. Isso faz com que a história seja muito cinematográfica (e não é por menos que ela já está sendo adaptada para o cinema), uma vez que cada capítulo se parece com uma tomada de um filme, indo de um ponto a outro conforme a necessidade da atuação de cada personagem.

Nem todos eles são interessantes, mas os que mais aparecem me conquistaram, como o jovem casal de doze e treze anos de idade, Albin e Lo; Calle, que teve seu coração quebrado pelo namorado; Pia, uma das tripulantes que tenta vencer o mal dentro dela para salvar as pessoas; e Marianne, que está em uma idade em que não encontra mais atrativos para sorrir. Eles foram suficientes para sobressair aos restantes. Ah, e também preciso comentar sobre uma das criaturas do mal, uma mãe na verdade, que apesar de sua natureza pérfida, possui a sabedoria e a responsabilidade de sacrificar coisas que ama para manter a existência de seus semelhantes. Não entendeu? Tem que ler, né? Tem que ler!

Como escrevi ali em cima, A ÚLTIMA TRAVESSIA é como um daqueles filmes trash, onde existe muito sangue, muitos ataques violentos, muitas explosões e muita canastrice. Mesmo em um livro é evidente quando um personagem é exagerado. Exemplo perfeito é Dan, um cantor que nunca fez sucesso e agora fica encarregado do Karaokê do navio. Ele é um dos primeiros a ser transformado no mal e, logo que compreende o poder que ganhou, passa a ser um daqueles vilões megalomaníacos que quer conquistar o mundo. Não pense que isso é um defeito. É uma característica da obra: o exagero; os personagens cheios de complexos; as manias de grandeza; as desilusões; as mortes daqueles que a gente já sabia que iriam morrer. E exatamente por isso, a leitura se torna deliciosa.

Mas, novamente, como escrevi lá em cima, A ÚLTIMA TRAVESSIA é um livro para os fãs de terror trash, não para os pseudointelectuais que acham que todo livro de terror tem que fazer você borrar as calças, não conseguir dormir e virar em um clássico instantâneo. Apenas leia e se divirta. Garanto que irá saborear cada página, com a mesma sede que as criaturas do Baltic Charisma.

Ah, por último, a editora mandou uma passagem para uma viagem no navio. Quem quiser embarcar e conhecer as tais criaturas, só deixar um comentário aqui no post ;)


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Carl

Tenho várias paixões: livros, gibis (muitos gibis), filmes, séries e jogos (muitos jogos de PC e consoles), fotografia, natação, praia e qualquer chance de viajar para conhecer novos lugares e pessoas. Lamento o dia ter apenas 24 horas - é muito pouco ;>) -, e não saber desenhar O.O

15 COMENTÁRIOS

  1. Oi, Carl.

    Que pena que o livro é mal aproveitado e evasivo, quando se tem em mãos, um enredo fantástico.

    Não sei se ler vários pontos de vistas iria me agradar, pois o livro pode perder sua fluidez.

    Mas ainda assim, é um livro que me chamou a atenção, e que futuramente, quem sabe, quero realizar a leitura do mesmo.

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  2. Será que quero uma passagem para o Báltic Charisma? Apesar de ter sonho de viajar de navio vou dizer não a essa viagem perigosa.
    Eu sou dessas que não curte terror de jeito nenhum e passo bem longe desse gênero e todas suas ramificações.

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  3. Eu ainda preciso tirar um tempo para ler o gênero para saber em qual dos lados estou: se o ama ou o odeia. Me interesso por alguns enredos, mas não o bastante para me empolgar de verdade. Talvez num futuro eu pegue este para ler, alguns pontos me chamaram a atenção apesar de tudo.

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  4. Hahahah me vi neste post! Não no quesito sobre ler livros de terror, coisa que adoro fazer, pois posso criar na minha mente os personagens da maneira que gosto e que acredito piamente que sejam. Mas detesto filme de terror.rs Sou medrosa assumidíssima e se for ver algo do gênero, vejo de dia para ter a chance de eu esquecer tudo até a noite!
    O enredo acima me trouxe direitinho na mente Navio Fantasma(filme que adorei e que sendo bem sincera, estou colocando para baixar neste exato momento rever, de tão ruim que ele é, é maravilhoso)
    Estes livros estilo Zé do Caixão fazem meu coração bater mais forte e quero muito poder ler e ter esta obra sim!
    Ah, também acho tão chato e desnecessário isso de colocar nomes de grandes autores já consagrados nas capas. É realmente não acreditar no que se está propondo!
    Beijo

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  5. É, sou dessas que vê qualquer coisa de terror e já perde o interesse. Não é pra mim. Pode até ser um terror mais bobo como falou, esse até parece interessante, mas não me chama atenção por não ser o tipo de trama que me chama atenção mesmo. Achei interessante ver falando mais do livro pra conhecer melhor e ele me lembrou de um filme que me fizeram ver na infância, terror em navio e os caramba. Umas coisas bobas e muito sangue e tal. Tem um lado meu que até fica interessada, mas não dá essa vontade toda de ler. É como disse: se não gosta de um gênero não quer dizer que o livro tal é ruim, só que a gente não gosta mesmo e não sei se iria gostar tanto desse. Mas é uma dica. Um terror mais leve e fácil de ler pra quem gostar de coisas do tipo.

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  6. Adorei como sua resenha foi a cada extremo de sensação hahahah

    Em relação à resenhas de gêneros que não sejam do agrado do leitor já vi muito isso e garanto, como leitora de blogs de livros o que mais encanta é a pessoa sair da zona de conforto e avaliar o livro como um todo, não somente por ser ou não o gênero do gosto.

    Eu nunca li terror então suponho que essa seria uma boa oportunidade para conhecer esse mundo, mesmo sendo trash ou bem exagerado, é isso que pode exercer uma sentimento de satisfação na leitura - como vc mesmo disse.
    Pela resenha achei a história até meio engraçada por causa de certa referência ou aquela sangria toda hahahahha

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  7. Olá! Apesar de não curti muito o gênero de terror, achei que a história em certo momento pode até arrancar algumas risadas da minha parte. Adoro aqueles filmes de terror não tão bom que ao invés de me assustar, me divertem, e com esse livro não parece ser diferente.

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  8. Oi, Carl!!
    Devo confessar que nunca li nenhuma livro de terror trash, e olha que até gosto de livros do gênero. Tenho certeza que esse livro sem dúvida é muito legal, pois adoro um bom filmes trash e fiquei aqui louca de curiosidade para descobrir mais sobre essa travessia e seus passageiros. Mas claro que não teria coragem de embarcar em uma viagem desse tipo nem que me pagassem!!
    Bjoss

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  9. Carl!
    Gosto muito de livros de terror, mas acredito nunca ter lido um livro trash nesse estilo, embora já tenha assistido a vários filmes.
    De qualquer jeito, sempre bom poder conhecer uma nova faceta de um estilo que se gosta e leria se tivesse oportunidade.
    Boa semana!
    “.Aquilo que eu não sei é a minha melhor parte! “ (Clarice Lispector)
    cheirinhos
    Rudy

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  10. Oi Carl!
    Faz um bom tempo que não livros do gênero, se me lembro li mto pouco, vou add este nos desejados, espero que seja uma leitura bacana.
    Bjs!

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  11. UOL o livro Com certeza conseguiu chamar minha atenção fiquei bem interessado na proposta descrita desse terror não sou muito de ler terror trash Mas e se consigo chamar minha atenção pela pegada de suspense que habita nele

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  12. Olá.

    Não sou muito de ler coisas do gênero, não amo, nem odeio. Mas acho que este livro me agradaria, não sei dizer, mas se tem muito sangue já me agrada hahaha!!

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  13. Me amarrei na capa do livro, mas pela història não vou ler nunca. O livro tem uma història muito boa, mas para mim não da, esse tipo de terror pode fazer com que eu não durma a noite.

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  14. Adorei a resenha, já tinha ouvido falar sobre essa obra, mas ainda não tinha lido nenhuma resenha. Achei legal falar do gênero e exemplificar como num filme trash com muito sangue. Quero muito ler e tirar minhas próprias conclusões. :D

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  15. Oi Carl,
    gostei da sua resenha bem explicadinha, deu pra entender bem sobre a trama, desenvolvimento, etc.
    Não é meu estilo mesmo. Detesto terror, e sei que eu não gostaria de nenhum, por não curtir o tema mesmo.
    Mas esse até que me deu uma certa curiosidade por ser tão eletrizante e cheioooo de reviravoltas.
    Quem sabe se sair um filme não assisto?!
    bjs

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