AOS DEZESSETE ANOS

SINOPSE: Em seu novo romance arrebatador, a autora de Cartas de amor aos mortos apresenta uma mãe e uma filha que precisam compreender o passado para poder seguir em frente. Quando tinha dezessete anos, Marilyn viveu um amor intenso, mas acabou seguindo seu próprio caminho e criando uma filha sozinha. Angie, por sua vez, é mestiça e sempre quis saber mais sobre a família do pai e sua ascendência negra, mas tudo o que sua mãe contou foi que ele morreu num acidente de carro antes de ela nascer. Quando Angie descobre indícios de que seu pai pode estar vivo, ela viaja para Los Angeles atrás de seu paradeiro, acompanhada de seu ex-namorado, Sam. Em sua busca, Angie vai descobrir mais sobre sua mãe, sobre o que aconteceu com seu pai e, principalmente, sobre si mesma – Ava DELLAIRA – Editora SEGUINTE – 2018 – 442 páginas.

Com uma narrativa alternada entre mãe e filha, AOS DEZESSTE ANOS é um livro que consegue te surpreender, mesmo com seu começo deixando a desejar. No início da história, você conhece Angie, que acaba de fazer dezessete anos, é afrodescendente e filha de Marylin. Ela busca saber mais sobre o pai, porém, toda vez que toca no assunto, Marylin foge ou começa a chorar. Até então, com a sinopse, você fica pensando: “Marylin é uma mentirosa”. Então, começa a conhecer o lado dela, o que aconteceu quando ela tinha 17 anos.

Marylin é branca de olhos claros, então muitas pessoas acabam achando que sua filha é adotada ou não acreditam ser sua filha e acabam confundindo com as amigas de Angie. Ela nunca superou a morte do pai de Angie e deixa o assunto trancado as sete chaves.

Eu preferia mil vezes mais quando lia as partes de Marylin, do que as de Angie, porque a Mary teve uma adolescência bem mais conturbada, desde cedo sendo puxada pela mãe, sendo obrigada a agradá-la, a lidar com o racismo existente em relação a James (seu namorado, pai de Angie), por ser negro, tendo brigas com o tio bêbado e sem apoio algum dentro de casa. Enquanto isso, Angie teve uma mãe que a amava e a fazia se sentir bem, que apoiava, que nunca deixou de estar ao seu lado, que nunca deixou que acontecesse nada de ruim com ela, mas mesmo assim, ela precisava de mais.

Fiquei admirada pela evolução dos personagens durante a leitura, porque foi algo imensamente incrível, a autora soube trazer uma personagem (Marylin) com um pensamento de 17 anos, mesmo alguém em constante mudança buscando descobrir a si mesma, enquanto descobre os outros à sua volta.

Ao mesmo tempo que você consegue ver as diferenças de mãe e filha (não apenas fisicamente), consegue ver também suas igualdades, seus pensamentos, suas formas de pensar, algumas atitudes.

Nessa busca de saber mais sobre o pai, com a pista de que seu tio está vivo (pista essa que foi de forma muito inacreditável ter encontrado), ela conta com a ajuda de Sam, seu ex-namorado, assim tendo que lidar com o termino nem um pouco amigável durante 8 dias de viagem.

Realmente, eu admito que achei muito sonso o namoro de Angie e Sam, não senti algo muito forte durante a leitura em relação aos dois, parecia algo forçado, como se ela estivesse com ele por comodismo, diferentemente do namoro de James e Marylin, que combinava, que existia uma química, confidencias, confiança, paixão de verdade.

AOS DEZESSETE ANOS é um livro que te faz rir, chorar, se apaixonar, odiar, sofrer e querer saber de todas as respostas junto com Angie. Com um final talvez esperado, mas, mesmo assim, revelador, leva o leitor a pensar sobre a vida, sobre o que fizemos e, principalmente, sobre o que ainda vamos fazer.


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Amanda Mesquita

Moro em Guarulhos, São Paulo, sou do signo de trouxas, amo comer coxinha, torta de bis com morango, açaí e cachorro-quente de 50 metros de comprimento, sentada em uma mesa, ao lado da minha melhor amiga, no meio da bienal.

12 COMENTÁRIOS

  1. Oi, Amanda.

    Pra mim, o enredo se sobressai, por provocar no leitor a vontade de, juntamente com a Angie, também fazer descobertas acerca do passado da personagem (que, pra ela, certamente é importante), vivenciando as descobertas profundas. E, é isso que pode ser decisivo para a conclusão da trama.

    A Marilyn me parece ser uma mulher de valor, por passar para a sua filha os verdadeiros ensinamentos, valores e conceitos que realmente importam.

    A história dos pais da Angie é com certeza muita bonita e ao mesmo tempo, difícil, por terem que lidar com o preconceito e a não aceitação de seu relacionamento.

    Por o livro ter o ponto de vista de ambas as personagens, tudo se torna mais intenso, pois há sentimentos expostos. E, isso, é suficiente pra mim querer lê-lo.

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  2. Adoro a escrita da Ava! Cartas de Amor Aos Mortos me tocou profundamente e se tornou um dos meus livros preferidos.
    Tenho altas expectativas nesse livro.
    Os elogios são muitos. Principalmente em como Ava toca na questão racial.
    Quero muito rir chorar me emocionar com Angie e Marilyn.

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  3. Amanda!
    Não entra na minha cabeça que em pleno século XXI ainda exista tanto preconceito, não apenas o racismo, mas qualquer um deles.
    Nunca li nenhumm livro da autora, mas tenho vontade para poder conhecer a ecrita que parece ótima, cheia de melancolismo e que atinge diretamente o leitor.
    Um final de semana cheio de luz e paz!
    “Sou uma pessoa insegura, indecisa, sem rumo na vida, sem leme para me guiar: na verdade não sei o que fazer comigo.” (Clarice Lispector)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA JUNHO - 5 GANHADORES
    BLOG ALEGRIA DE VIVER E AMAR O QUE É BOM!

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  4. Eu li Cartas de Amor aos Mortos ano passado e lembro de ficar encantada com a escrita da autora, a simplicidade de como ela narra os acontecimentos e sensações é linda. Partindo por esse ponto já fiquei curiosa com esse novo livro dela no momento que o vi. É interessante que nele são postos dois lados diferentes, mas que obviamente se completam: mãe e filha. Tratando sobre um assunto que também as liga, mas de maneiras diferentes. Eu amei isso. Eu acho que também gostaria de ler mais o lado da Mary, por ser mais cheio. Enfim, é um livro que ando desejando ler.

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  5. Carta de Amor aos Mortos é um dos meus livros favoritos e está ali na minha estante guardadinho com muito carinho!
    Ando namorando este novo trabalho da autora desde que vi o lançamento recente e não vejo a hora de poder conferir esta história de amor e diferenças entre mãe e filha!
    Relacionamentos sempre são difíceis,ainda mais quando há segredos escondidos e como saber o momento de revelar?
    Com certeza, espero muito poder ler!
    Beijo

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  6. Achei legal isso de ter as narrativas da mãe e da filha e as diferenças que a gente pode ver disso. Cada uma com uma adolescência pra explorar, uma mais conturbada que a outra e ver esses paralelos nas duas, o que pode ser igual, o que difere, acho que iria gostar muito. E os temas estão bem legais. Fala de umas coisas fortes como racismo, a criação de uma criança sozinha...achei isso legal. Tem uma intensidade boa pelas coisas que pode mostrar, parece que a gente fica curioso e quer entender o passado da mãe dela, ver como as coisas vão se resolver. Gostei muito do último livro da autora e quero conhecer esse também.

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  7. Sempre quis ler "Carta de amor aos mortos", mas "Aos dezessete anos" realmente não me chamou tanto a atenção assim. Senti que tem um bom sentido de história, uma ligação muito forte e fiquei bem curiosa sobre Marilyn e James (ainda mais sobre o que aconteceu com James), mas é uma curiosidade que alguns spoilers por aí já me ajuda - quem sabe o próprio spoiler não muda minha opinião?! hahaha

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  8. Olá! Gostei demais de Cartas de amor aos mortos, espero que a autora consiga manter nesse trabalho a escrita maravilhosa que me conquistou de imediato. O enredo é muito interessante e já estou aqui curiosa para saber mais sobre o que aconteceu com o pai da Angie. Marylin já me conquistou só com a resenha e espero conhecer e entender melhor o porquê de suas escolhas.

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  9. Cartas de Amor aos Mortos é um dos meus livros favoritos e único livro que li da Ava Dellaira. Tanto a história como o tema abordado de aos dezessete anos achei muito legal do livro na resenha. Quero muito ler e conhecer mais sobre a Angie e seu caminho as descobertas e sobre sua mãe.

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  10. História que faz sofrer?! Já quero.

    Ainda não tinha lido nenhuma resenha deste livro e sinceramente, parece ser incrível, parece ser uma leitura bem intensa. Fiquei muito curiosa para saber sobre a Marylin, sobre sua história e saber o que aconteceu com o pai de Angie!!

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  11. Oi, Amanda!!
    Quando li o livro Cartas de amor aos mortos, adorei a história e quando descobrir que esse livro é escrito pela mesma autora fiquei bem interessada em fazer a leitura. O livro chama atenção para o relacionamento mãe e filha e também por abordar o preconceito que infelizmente ainda existe onde menos esperamos.
    Bjos

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  12. Olá Amanda!
    Fiquei bastante interessada em ler livros da autora desde que li algumas resenhas positivas sobre as obras e espero de verdade que eu curta qdo conseguir uma oportunidade de ler, parece ser bacana, e pelo visto, conquistou bastante leitores.
    Bjs!

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