LOVESTAR

SINOPSE: LoveStar, o enigmático e obsessivo fundador das Corporações LoveStar, desvendou o segredo para transmitir informações em frequências emitidas por pássaros, finalmente libertando a humanidade de dispositivos e cabos, e permitindo que o consumismo, tecnologia e ciência tomem conta de todos os aspectos da vida diária. Agora, homens e mulheres sem fio são pagos para gritar propagandas para pedestres desavisados, enquanto o programa REGRET elimina todas as dúvidas sobre os caminhos não escolhidos. Almas gêmeas são identificadas e unidas através de um sistema altamente tecnológico. E enviar os mortos aos céus em foguetes se torna um símbolo de status e beleza, um show catártico para aqueles deixados para trás. Indridi e Sigrid, dois jovens amantes, têm seu mundo perfeito ameaçado, quando são calculados para outras pessoas e forçados a chegar a extremos para provar seu amor. Sua jornada os coloca em uma rota de colisão com LoveStar, que está em sua própria missão de encontrar o que pode vir a ser a última ideia do mundo - Andri Snaer MAGNASON - Editora MORRO BRANCO - 2018 - 336 páginas.

LOVESTAR é um livro que gera confusão pela forma como é apresentado. Seu título e a edição brasileira, com muito rosa e cheia de detalhes fofos, podem levar o leitor a pensar que essa é uma história de amor. Porém, LOVESTAR é, na verdade, uma história futurística com um enredo bem complexo.

Resumidamente, a Love Star mudou drasticamente a vida das pessoas. Agora, as pessoas são como dispositivos sem fio, que se conectam à rede online sem cabos ou aparelhos, fazendo ligações, ouvindo música e vendo vídeos.

O criador dessa corporação, também chamado de Love Star, é um homem cheio de ideias que não desiste enquanto não consegue colocar em prática aquilo que idealiza. Mudando a forma como as pessoas lidam com a morte e com o amor, ele não só cria novas tecnologias, ele também cria uma cultura totalmente nova.

A forma como o livro é narrado é completamente diferente do que estamos acostumados. Em muitos momentos, ele parece um documento histórico, pois narra as mudanças ambientais que foram ocorrendo e que motivaram Love Star a exterminar os fios e aparelhos eletrônicos. Eu senti que estava lendo um documento, realmente, repleto de dados e informações.

Eu gostei demais dessa narrativa mais técnica e impessoal que deu um tom mais realista ao livro. Ela me lembrou muito as distopias clássicas, como 1984, que conseguem imergir o leitor no universo criado e dar maior veracidade à história.

Em outros momentos, quando acompanhamos o casal Indrid e Sigrid, o livro parece uma tragédia shakesperiana, com muito romance e aquele enorme sofrimento ao ter que se afastar da pessoa amada. Em um terceiro momento, quando acompanhamos o próprio Love Star, a narrativa se torna mais sombria e introspectiva. Essas diferentes narrativas trazem uma complexidade ao livro que é muito interessante, além de tornar a leitura mais gostosa, já que não dá tempo de cansar da narrativa.

Ao controlar o amor, a Love Star tira das pessoas a responsabilidade pela escolha do parceiro. Essa premissa, apesar de não ser original, é muito bem trabalhada no livro e quase consegue convencer o leitor de que essa é a melhor opção. Esse é, inclusive, um dos pontos fortes do livro: o autor consegue nos fazer acreditar não apenas nas mudanças, mas nos porquês. A LoveDeath, que é o ramo da Love Star responsável pela morte, é brilhantemente explicada e quase me fez ansiar por algo assim na vida real.

Por outro lado, a iniciativa que nos é apresentada na segunda parte do livro, não me convenceu tanto, apesar de ser interessante, e não me soou tão verosímil quanto as iniciativas ligadas ao amor e à morte.

Quando o livro começa, a história já está próxima do desfecho. Ou seja, a narrativa do livro não é linear. Então, assim que iniciamos a leitura, já temos algumas informações importantes, como, por exemplo, que Love Star morre e que Sigrid é cauculada para outra pessoa que não Indrid. Em seguida, a narrativa vai indo e voltando no tempo, mostrando como chegamos nesse ponto da história, relatando desde os primórdios da Love Star.

Essa narrativa profunda e complexa, infelizmente, não se estende aos personagens. O desenvolvimento de personagens é muito pobre e impede que o leitor consiga se envolver. Por outro lado, pode ser que isso faça sentido na história, já que estão todos tão imersos nessa sociedade estranha e dependente de tecnologia, que é como se suas personalidades nem tivessem a chance de se desenvolver de forma adequada. Mesmo assim, isso me atrapalhou um pouco ao longo da leitura.

Love Star é o personagem mais complexo do livro. Sua genialidade beira a loucura e sua força de vontade beira a obsessão. Ele mesmo diz que as ideias que ele tem são como prisões, que o deixam preso enquanto ele não as liberta. Os estragos que isso causou em sua vida pessoal são permanentes e catastróficos, e estar ciente disso, torna ele uma pessoa triste e amargurada. Essa figura de gênio perturbado é bem interessante.

Tem muitas coisas no livro que, certamente, estão relacionadas ao mundo real, principalmente sobre como as pessoas estão presas às tecnologias. Diferentemente do livro, nós precisamos de cabos e aparelhos para nos conectar, mas isso não impede que estejamos conectados o tempo todo. No livro, temos um investimento em publicidade que beira o absurdo, não muito diferente do que temos em algumas plataformas de música e vídeos atuais.

Toda essa complexidade e esses links com a nossa realidade, sem dúvidas, conseguem tornar esse livro bastante único. Porém, não foi o suficiente para tornar essa leitura 100% positiva. É até difícil explicar o porquê, mas eu terminei a leitura sentindo que faltou alguma coisa, sentindo que a história estava incompleta.

Além da dificuldade em sentir empatia pelos personagens, minha maior ressalva é em relação à trama envolvendo o casal que acompanhamos, que a sinopse dá a entender que é a trama central do livro. Quando eles descobrem que não são um casal ideal calculado pela Love Star, há certas coisas que se esperam. Uma revolta? Uma luta contra o sistema? Uma revolução? É natural esperarmos esse tipo de coisa. Porém, o livro continua seguindo no mesmo ritmo e, ao fim, me fez perguntar: "Era isso? A gente acompanha o casal, torce por eles, e o desfecho é esse? Só isso?".

O sentimento é frustração, porque quando esse dilema é inserido, o leitor pensa: "Agora a coisa vai ficar feia. Agora vai ter treta, confusão e gritaria". Os personagens são tão letárgicos e o mundo em si tão anestesiado, que até eu fiquei meio apática quando terminei o livro. O desfecho foi bem bobo e todos os problemas que o autor propõe são solucionados de forma simples demais.

O final, em si, é um clichê tão grande, que me deixou até com raiva. Toda a premissa, a veracidade, os dados e o excelente desenvolvimento de mundo, somado ao clima tenso, aos problemas inseridos e às expectativas criadas, tudo isso disperdiçado em um final desses. Para quem leu CAIXA DE PÁSSAROS e se frustrou com aquele final, a sensação é mais ou menos essa.

Então, para concluir: sim, eu gostei do livro, o começo me empolgou muito, o universo pensado pelo autor é muito interessante e perturbadoramente real, as tramas são instigantes e a atmosfera sombria é envolvente. Porém, faltou um melhor desenvolvimento dos conflitos e uma conclusão à altura da premissa. Recomendo para quem está buscando uma ficção-científica bem maluca.

Para finalizar, quero mencionar a edição da Editora Morro Branco, que está linda como sempre. O corte das páginas é rosa, a capa é bonita e o livro tem alguns detalhes em rosa que dão um charme a mais. Infelizmente, eu encontrei alguns erros de edição, palavras escritas erradas e vírgulas no lugar errado, essas coisas. Mesmo assim, a edição é bem bonita e, certamente, dá vontade de ter na estante.


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12 COMENTÁRIOS

  1. Que sinopse interessante. E diferente de tudo que já vi.
    A capa apesar de muito bonita realmente não condiz com a premissa.
    Também gostei de como foi escrito. Uma pena que a história não fez jus à premissa.

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  2. Quantos tipos de narrativas... acho que deixa o livro menos cansativo. Apesar do livro abordar uma história futurista, o que acho muito legal, a resenha abordou coisas que me fez desinteressar pela leitura, a falta de desenvolvimento nos conflitos nele e frustração com o final do livro. A capa é bonitinha e passa uma mensagem de que realmente o livro será um romance.

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  3. Oi, Priscila.

    A ideia focalizada do livro, é muito diferente e inovadora.

    Particularmente, nunca tinha ouvido falar em nenhum livro que apresenta essas características.

    Esse novo mundo ao mesmo tempo que parece fantástico, é também um pouco assustador...


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  4. Não há como negar que a Morro Branco tem crescido no mercado,devido o capricho que ela anda tendo com seus lançamentos!
    Visivelmente é um livro bem bonito, mas parece realmente ser como uma propaganda enganosa.rs
    Por tudo que li acima, é um enredo muito complexo, vasto demais e por vezes, confuso demais.
    Se há romance, ele fica muito em último plano e parecem haver planos demais.
    Particularmente, não senti vontade ler. Mas quem sabe, isso não mude com o tempo?
    Beijo

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  5. Achei bem legal o jeito dessa história pela ficção e toda coisa da tecnologia, essa ideia de mundo dele e como é contada. Legal isso de já mostrar o que acontece aos personagens e depois você vai lendo pra conhecer. O jeito histórico, a forma como é dada as informações parece bem interessante. Um romance mas sem ser aquele romance todo me anima também. Pelo mundo que é criado acho que fica bem legal poder explorar mais isso, a forma como as coisas progrediram no geral e não focar só em um detalhe de personagem e coisas assim. Acho que iria gostar.

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  6. Quando vi esse livro perdi a vontade por ele pela própria sinopse e a capa. Esperava ler a resenha e mudar de ideia, mas infelizmente isso não aconteceu principalmente por saber que Ingrid e Sigrid não tem tanto foco quanto a sinopse insinua. Realmente esse livro não me atraiu por nenhum motivo :(

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  7. Interessante. Realmente, a capa transmite uma ideia totalmente diferente do conteúdo. Apesar de ter gostado da peculiaridade em relação á narrativa dele, não tenho certeza se é algo que eu gostaria de ler.

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  8. Priscila que livro lindo, essa capa ficou um arraso!
    Ainda não tinha ouvido flar dle, parece ser bem bacana, já vu add aos meus desejados.
    Bjs!!

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  9. Olá! Achei o enredo um pouco confuso, definitivamente não me prendeu, nem bateu aquela vontade de ler e saber mais. Realmente a capa engana um pouco, pois achei que encontraria um romance daqueles bem açucarados, mas tenho que admitir que está linda e dá sim vontade de ter na estante (mas, passou).

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  10. Priscila!
    Um livro que pode causar polêmica, concorda?
    Primeiro por ser uma ficção futurista, bem próxima a realidade, e não um livro de amor.
    Depois pela forma como é escrita que pode trazer um pouco de confusão.
    Enfim, talvez até seja uma boa leitura, mas não sei...
    Um final de semana cheio de luz e paz!
    “Sou uma pessoa insegura, indecisa, sem rumo na vida, sem leme para me guiar: na verdade não sei o que fazer comigo.” (Clarice Lispector)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA JUNHO - 5 GANHADORES
    BLOG ALEGRIA DE VIVER E AMAR O QUE É BOM!

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  11. Oii Priscila!

    O enredo é meio confuso, não me interessei tanto pelo livro. Eu acho que este livro vai dividir muitas opiniões, vejo vários comentários de pessoas que não gostaram, mas também vejo comentários de pessoas que gostaram!!

    E essa capa está muito linda.

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  12. Oi, Priscila!
    Achei a premissa do livro bem diferente e gostei bastante da história também achei a edição muito bonita e bem chamativa, e que pena que o final não foi tão legal assim.
    Bjos

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