UM BANQUETE PARA HITLER

SINOPSE: Eu era uma das quinze mulheres que provavam sua comida, pois o Fürher era obcecado com a possibilidade de ser envenenado pelos Aliados ou por traidores dentro de seu círculo pessoal. Ninguém, exceto meu marido, sabe o que eu fiz. Nunca falei sobre isso. Eu não podia falar… Mas os segredos que guardei por tantos anos precisam ser revelados - V. S. ALEXANDER - Editora GUTENBERG - 2018 - 300 páginas.

O ato de se alimentar, comer uma boa comida, é de longe um dos maiores prazeres da vida. Mas e se do nada isso se torna um pesadelo? Para várias mulheres, o ato de levantar um garfo era o momento que as separava da vida e da morte.

Durante a Segunda Guerra Mundial, Magda Ritter, uma jovem alemã de raça pura, foi recrutada pelos nazistas para exercer uma tarefa apavorante: ser a provadora de Hitler. Ela, junto de outras moças, era responsável por provar todos os alimentos que seriam destinados ao Führer. O líder da Alemanha, apavorado com a possibilidade de ser envenenado pelos inimigos, recrutava moças arianas para tal tarefa. E cada prato, cada garfada, poderia ser a última. Vivendo com esse medo diário, Magda precisa estudar e aprender a reconhecer os venenos presentes na comida antes de ingerir. Ao mesmo tempo em que se apaixona por um capitão da S.S., Magda se vê no meio de um complô para encurtar a guerra com o assassinato do líder do Terceiro Reich.

UM BANQUETE PARA HITLER vai se passar nos últimos três anos da guerra e acompanha o dia a dia de uma jovem alemã. Os rapazes eram necessários no exercito, os mais velhos nas fábricas, e os idosos no partido político, mas e as mulheres? Sua principal função, era se casar e produzir jovens arianos para a Alemanha, e Magda se vê no meio dessa questão. Inicialmente, a trama acompanha sua luta para conseguir emprego e um marido, uma visão bem diferente do que estamos acostumados, pois compreendemos que para uma jovem, a guerra não significava muita coisa. Em quase todos os casos, as moças não sabiam das situações nas batalhas, e suas cidades ainda não haviam sido tocadas pela brutalidade. E nisso, ela acaba esbarrando nesse emprego tenebroso.

A função, por si só, é um pesadelo, e o livro não cansa de chocar o leitor na hora da prova dos pratos. Mas a trama não para por ai: o livro aborda muito bem os luxos que circulavam a alta cúpula do Partido Nazista. Para eles, era tudo do bom e do melhor, nada faltava, e eles ainda tinham diversões, como clubes de dança e cinema, tudo isso em meio a uma guerra sangrenta. A máquina de propaganda nazista era de fato muito eficiente, pois, por mais ingênuos que essas pessoas fossem, elas sabiam dos horrores que estavam acontecendo na Polônia e na Rússia, nos famosos campos de concentração.

O livro é um romance baseado em fatos reais e em uma entrevista misteriosa que veio o público em 2013. O texto lembra um pouco o livro MUNIQUE (resenha, AQUI). O fato é real, porém, alguns personagens e subtramas são fictícios. Mas, infelizmente, alguns diálogos e situações ficam um pouco exagerados, nem sempre é possível mergulhar nas palavras. Porém, a leitura se recupera, e o sentimento de irrealidade logo some quando caminhamos para os capítulos finais. A leitura em si é rápida e flui com facilidade e chega a ser chocante o nosso estado ao finalizar o livro, passamos por tanta coisa, que parece que essa guerra durou décadas. O texto começa com uma moça jovem e uma escrita mais leve, em seguida a moça amadurece às pressas, graças ao medo constante que a persegue, e no final temos uma mulher em pedaços.

As últimas noventa páginas são um aperto constante no coração. O grau de brutalidade do texto e de suas descrições se eleva e todo o ar de desgraça em segundo plano é jogando na cara do leitor. Agora sentimos o real peso da guerra, principalmente para as mulheres que ficaram para trás em casa. O livro caminha por quase todos os horrores possíveis e impossíveis, e a leitura dessas linhas, principalmente para as mulheres, deve ser um martírio. Para mim, um leitor homem, tais capítulos foram um choque constante no coração, não esperava que a leitura fosse por esse caminho.

Esses horrores não podem ser esquecidos, pois nunca devem ser repetidos, e o que mais choca é saber que tudo isso ocorreu há menos de 80 anos. O que são 80 anos na historia da humanidade? A vida é um sopro, um sopro lindo e poderoso que deve ser valorizado e respeitado. A guerra desperta o pior nas pessoas, e nossa protagonista, Magda, sentiu isso na pele. O amadurecimento da moça sob nossos olhos, além de emocionante, é um exemplo de coragem e sobrevivência. 

UM BANQUETE PARA HITLER é totalmente narrado por uma mulher que precisou se tornar forte para sobreviver. Sua visão, originalmente, não teria nenhum valor na mídia, mas felizmente o tempo reservou seu espaço na história. Nem todos os alemãs eram nazistas, nem todos eram irracionais e nem todos eram demoníacos. Através de Magda, o autor recria uma das piores eras da humanidade, dessa vez dentro da casa de um dos maiores inimigos da raça humana, Adolf Hitler.


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Rafael Yagami

Cinéfilo compulsivo, amante de livros e musica. A leitura e os filmes sempre me ensinaram a confiar em mim e ter sonhos grandes e é com isso que me armo todos os dias para lutar pelos meus objetivos.

12 COMENTÁRIOS

  1. Nossa, estou sem palavras... Adoro livros que se passam na época nazista, principalmente histórias baseadas em fatos reais. Apesar de ser uma época muito muito cruel é o tipo que me chama atenção e me faz entender ainda mais profundamente o horror daquele tempo. Fiquei muito curiosa e aflita para conhecer esse livro. Essa ficou perfeita!

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  2. Que sinopse maravilhosa! E que história!!!!!
    Fico imaginando as Magdas da vida real! O que tiveram de enfrentar para sobreviver não só em uma sociedade que valorizava o homem mas também em um país em guerra.
    Leio pouco sobre esse triste período da história da humanidade pois é um tema que me toca profundamente.
    Mas gostei da resenha e me interessei muito.

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  3. Oi, Rafael.

    Se tornar responsável pelo bem estar de alguém tão cruel, é algo difícil de digerir (sem trocadilhos).

    Conviver com a morte diariamente e com a incerteza de continuar, é no mínimo, desconcertante e triste.

    A trama, juntamente com esse cenário, no qual tudo se passa, aparentemente é bem construída, por trazer algo real e cruel. Traz uma carga mais pesada. O enredo é perfeito.

    O livro possui algo um pouco diferente, por isso, quero tanto lê-lo,

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  4. Será que em algum momento ela sentiu vontade envenenar o Hitler ou será que achava que aquele monstro era humano?
    Puxa, sou apaixonada por livros e filmes que tragam um pouquinho desta época turva e triste da nossa história e sempre falo que quanto mais o tempo passa, mais coisas vão sendo reveladas deste período.
    Viver com o medo constante deve ser algo angustiante. Uma simples garfada pode determinar a vida e a morte.
    Vai para a lista de desejados agora!
    Beijo

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  5. Gosto muito de ler coisas sobre a Segunda Guerra e tá aí mais um detalhe que passou despercebido. Imagina só viver desse jeito, sem saber se a próxima comida que você vai colocar na boca é aquela que vai ser a ultima, que vai te envenenar...credo, nem consigo imaginar o terror de viver assim. E saber que a trama tem umas coisas baseadas em fatos reais é pior ainda.
    Isso das mulheres terem que procurar um marido, um emprego, todo o drama da situação por causa do período tenso...é de fazer a gente imaginar um monte de coisas. Acho que iria gostar de ler. Parece trazer umas novas ideias sobre o período e adoro esse tipo de informação e livros do gênero, então seria bom de ler.

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  6. Parece um livro que mexe realmente com a gente, eu com certeza ficaria apreensiva lendo. Mas realmente espero um dia fazê-lo, gosto bastante de livros que citam a Segunda Guerra.

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  7. Rafael!
    Tudo que gira em torno de Hitler e segunda guerra, é sempre bem chocante e doloroso e ver um livro baseado em fatos reais, trazendo mais uma das atrocidades cometidas naquela época, é sempre enriquecedor de ler.
    Uma semana cheia de luz e paz!
    “Sou uma só. (...) Sou um ser. E deixo que você seja. Isso lhe assusta? Creio que sim. Mas vale a pena. Mesmo que doa. Dói só no começo.” (Clarice Lispector)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA JUNHO - 5 GANHADORES
    BLOG ALEGRIA DE VIVER E AMAR O QUE É BOM!

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  8. Nossa, Rafa. Parece ser um livro forte e ao mesmo tempo comovente por ser baseado em fatos reais. Sempre há livros de pessoas que estiveram na guerra, tanto sofrendo, de um lado ou de outro, mas confesso que nessa parte de precisar de tanta gente para experimentar os pratos antes do Hitler eu não fazia ideia. Além de uma ardua missão como seria o sentimento de Magda antes de por a colher na boca. Um livro que me interessei para ler.

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  9. Uau, uau, uau...!!!

    Uma sinopse curtinha que me deixou no chão, quero muito ler o livro. Eu amo histórias sobre os tempos de guerra, e com fatos reais?! Melhor ainda. Esta leitura parece ser bem forte e emocionante, com certeza irei colocar em minha lista de desejos!

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  10. Oi, Rafael!!
    Sem dúvida é um livro bem interessante e não sabia que todas os pratos servidos a Hitler eram antes provados por mulheres para evitar envenenamento. Gostei bastante da indicação e é uma história bem empolgante e diferente de tudo que já li.
    Bjos

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  11. Olá! Adoro esses livros que nos fazem mergulhar no nosso passado não tão bonito e aprender um pouco mais sobre os horrores que as pessoas tiveram que passar. Imagino a aflição de saber que a cada garfada poderia ser a última (#medo). O livro todo promete altas emoções e aguçou minha curiosidade em saber o mais rápido possível seu desfecho.

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  12. Oi Rafael!
    Imagino o quão difícil era conviver com esse homem...
    O livro parece trazer uma história forte, com detalhes bastante interessantes, vou add aos meus desejados, será uma oportunidade e tanto conhecer a história.
    Bjs!

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